Porfírio de Antioquia

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Porfírio de Antioquia foi o bispo de Antioquia entre 404 e 408[1] ou 412[2], dependendo da fonte.

Era um dos melecianos durante o cisma meleciano.

Vida e obrasEditar

Segundo Sócrates Escolástico[3], ele sucedeu a Flaviano I e é descrito por Paládio como sendo um homem de caráter infame, que se desgraçara e ao clero por suas relações com a escória do circo[4]. Embora seu caráter seja notório, por sua inteligência e pelas suas bajulações, ele conseguiu uma considerável influência entre os magistrados, conseguindo a confiança de alguns dos principais bispos da província. A morte de Flaviano tendo ocorrido ao mesmo tempo que o exílio de João Crisóstomo (o arcebispo de Constantinopla), se tornou muito importante para o grupo anti-Flaviano ter um homem de confiança no trono de Antioquia para que pudessem exterminar os aderentes de Flaviano e, para isso, Porfírio foi escolhido. Para deixar o caminho livre com o imperador, Constantius, o amigo de Crisóstomo, a quem o povo de Antioquia já identificava como sucessor de Flaviano, foi acusado na capital imperial como sendo um perturbador da paz. Por sua poderosa influência com o partido dominante na época na corte, Porfírio conseguiu uma ordem imperial banindo-o para o deserto. Mas Constâncio antecipou o movimento e fugiu antes para Chipre[5]. Porfírio então, com uma mistura de esperteza e malícia, se aproveitou do festival olímpico que acontecia em Antioquia, quando a população toda corria para ver os espetáculos, para se trancar com três de seus co-conspiradores e mais uns poucos do clero na igreja principal e ali foi consagrado bispo de Antioquia.

O povo de Antioquia, indignado na manhã seguinte, atacou a casa de Porfírio, tentando incendiá-la com ele ainda dentro. A influência do novo bispo garantiu que um oficial conhecido por sua brutalidade fosse feito capitão da guarda, que conseguiu, aos gritos e ameaças, levar o povo para a igreja[6]. Avisado sobre o caráter de Porfírio, o papa Inocêncio I respondeu ao pedido de comunhão dele com o silêncio[7]. Porfírio foi então abandonado pelos principais membros do clero e pelos membros mais distintos da cidade, que se recusavam a ir à igreja e realizavam as liturgias de forma clandestina[8]. O vingativo Porfírio obteve então um decreto que sentenciava todos os que se recusassem a entrar em comunhão com ele e seus co-conspiradores à expulsão das igrejas, além de instruir ao governador da província que proibisse toda forma de reuniões alternativas[9][10]. Seus esforços para obter o reconhecimento dos antioquenos se provaram inúteis ao mesmo tempo que o poder espiritual de Crisóstomo se tornava cada vez maior, o que o levou a tentar se vingar novamente. Através de suas maquinações e as de Severiano, ordens foram emitidas para que Crisóstomo fosse transferido de Cucuso para Pítio, o que levou o já idoso e doente santo à morte[11].

A morte do próprio Porfírio foi relatada por Teodoreto como tendo ocorrido em 413[12]. Ele foi sucedido por Alexandre I, o bispo que finalmente conseguiu reunificar a Igreja de Antioquia cindida pelo cisma meleciano.

Polêmica sobre a narrativa de sua vidaEditar

É uma pena que a principal e quase única fonte para a vida de Porfírio seja o violento panfleto de Paládio, cuja devoção a Crisóstomo o fez enlamear todos os seus adversários, recusando-se a apresentar-nos uma única virtude. Que Porfírio não era de todo o monstro que ele representa pode ser concluído a partir da afirmação do calmo e mais amigável Teodoreto, que diz que "ele deixou pra trás", em Antioquia, "muitas lembranças de sua bondade e de notável prudência"[13]. Na carta de Teodoreto a Dioscorus, ele o chama de "de santa e abençoada lembrança, enfeitada por uma vida brilhante e pelo conhecimento das doutrinas divinas"[14].

Ver tambémEditar

Precedido por
Flaviano
Bispo de Antioquia
404 - 408 ou 413
Sucedido por
Alexandre I

Referências

  1. «Primates of the Apostolic See of Antioch» (em inglês). St. John of Damascus Faculty of Theology, University of Balamand. Consultado em 24 de dezembro de 2011. Arquivado do original em 31 de julho de 2011 
  2. «Patriarchs of Antioch: Chronological List» (em inglês). Syriac Orthodox Resources. Consultado em 24 de dezembro de 2011 
  3. Sócrates Escolástico. «9». História Eclesiástica. The Bishops of Antioch and Rome. (em inglês). VII. [S.l.: s.n.] 
  4. Paládio da Galácia (1921). The Dialogue of Palladius concerning the Life of St. John Chrysostom. English translation (em inglês). [S.l.]: Tertullian.org. p. 143. Consultado em 31 de dezembro de 2011 
  5. Paládio da Galácia (1921). The Dialogue of Palladius concerning the Life of St. John Chrysostom. English translation (em inglês). [S.l.]: Tertullian.org. p. 145. Consultado em 31 de dezembro de 2011 
  6. Paládio da Galácia (1921). The Dialogue of Palladius concerning the Life of St. John Chrysostom. English translation (em inglês). [S.l.]: Tertullian.org. p. 147. Consultado em 31 de dezembro de 2011 
  7. Paládio da Galácia (1921). The Dialogue of Palladius concerning the Life of St. John Chrysostom. English translation (em inglês). [S.l.]: Tertullian.org. p. 141. Consultado em 31 de dezembro de 2011 
  8. Paládio da Galácia (1921). The Dialogue of Palladius concerning the Life of St. John Chrysostom. English translation (em inglês). [S.l.]: Tertullian.org. p. 149. Consultado em 31 de dezembro de 2011 
  9. «24». História Eclesiástica. Eutropius the Reader, and the Blessed Olympian, and the Presbyter Tigrius, are persecutedon account of their Attachment to John. The Patriarchs. (em inglês). VIII. [S.l.: s.n.]  |nome1= sem |sobrenome1= em Authors list (ajuda)
  10.   Este artigo incorpora texto do verbete Porphyrius, patriarch of Antioch no "Dicionário de Biografias Cristãs e Literatura do final do século VI, com o relato das principais seitas e heresias" (em inglês) por Henry Wace (1911), uma publicação agora em domínio público.
  11. Paládio da Galácia (1921). The Dialogue of Palladius concerning the Life of St. John Chrysostom. English translation (em inglês). [S.l.]: Tertullian.org. p. 97. Consultado em 31 de dezembro de 2011 
  12. «5». História Eclesiástica. Of the fourth exile and flight of the holy Athanasius. (em inglês). III. [S.l.: s.n.]  |nome1= sem |sobrenome1= em Authors list (ajuda)
  13. «35». História Eclesiástica. Of Alexander, bishop of Antioch. (em inglês). V. [S.l.: s.n.]  |nome1= sem |sobrenome1= em Authors list (ajuda)
  14. Teodoreto. Cartas. ad Dioscorum (em inglês). lxxxiii. [S.l.: s.n.]