Palmeirim de Inglaterra

O Palmeirim de Inglaterra, de nome completo Cronica do famoso e muito esforçado cavalleiro Palmeirim d'Inglaterra, é um romance de cavalaria português escrito por Francisco de Morais (1500-1572) entre 1541 e 1543. O livro possui algumas lembranças autobiográficas do autor. É considerado um dos melhores romances de cavalaria do século XVI,[1] e foi como tal elogiado por Cervantes em Dom Quixote.

Relação com outros livrosEditar

Cronologicamente, o livro é o quarto do popular ciclo hispano-português dos Palmerins, inaugurado com Palmerim de Oliva (Salamanca, Juan de Porras, 1511), Primaleón (Salamanca, Juan de Porras, 1516) e Platir (Valladolid, Nicolás Tierri, 1533), do qual provém a temática e a maioria dos personagens. Não é continuação do terceiro livro, Platir (1533), mas do segundo, Primaleão.

Embora contenha considerável matéria original, Palmeirim de Inglaterra revela uma forte influência do Amadis de Gaula, bem como das Sergas de Esplandián, de Garci Rodríguez de Montalvo.[1]

Os caracteres dos protagonistas, Palmeirim de Inglaterra e o seu irmão Floriano do Deserto, são calcados dos de Amadis e o seu irmão Galaor. Outro personagem importante da obra é Florendos, filho do Imperador Primaleão e da Imperatriz Gridônia, a cujas façanhas, por amor da esquiva infanta Miraguarda, são dedicadas numerosas páginas.

Ao contrário do habitual nos ciclos cavalheirescos, os protagonistas, Palmerim de Inglaterra e Floriano do Deserto, não são descendentes do primeiro heroi da série por via masculina , mas por via feminina, pois os seus progenitores são o príncipe inglês Duardos de Bretanha e a sua esposa Flérida, filha de Palmerim de Oliva.

ContinuaçãoEditar

A obra foi continuada em português por Diogo Fernandes em Duardos de Bretanha (terceira e quarta parte de Palmeirim de Inglaterra) e esta por Baltazar Gonçalves Lobato em Clarisol de Bretanha (quinta e sexta parte). Também houve uma continuação italiana, escrita por Mambrino Roseu.

ComposiçãoEditar

Palmeirim de Inglaterra consta de dois livros, o primeiro dividido em 101 capítulos e o segundo por 66. A edição mais antiga que se conhece é a publicada em Toledo (em 1547 o primeiro livro e em 1548 o segundo), com o título de "Livro do muito esforçado cavaleiro Palmerim de Inglaterra filho do rei Dom Duardos", no qual é atribuído em versos acrósticos a um Luis Hurtado de Toledo, que devia ser então muito jovem. Em português, a versão impressa mais antiga que se conhece é a publicada por André de Burgos em Évora em 1567, com o título de "Crônica de Palmeirim de Inglaterra".[1]

Elogios de Miguel de CervantesEditar

Diz Cervantes no Dom Quixote:

«abrindo outro livro, viu que era Palmeirim de Oliva, e junto a ele estava outro que se chamava Palmeirim de Inglaterra; o qual visto pelo licenciado, disse :
-Dessa oliva façam ralhas e queime-se, que ainda não fiquem dela as cinzas; e dessa palma de Inglaterra guarde-se e preserve-se como a coisa única»
Dom Quixote , Capítulo VI

Assim, Cervantes salvava o Palmeirim de Inglaterra da fogueira do pátio de Dom Quixote, salvamento de livros de cavalaria no que apenas acrescentava o Amadis de Gaula e Tirant lo Blanc.

A origem do nome PatagôniaEditar

Um dos personagens era um monstro chamado Patagão, «muito inteligente e grande amante de mulheres», ser este com figura de cão, grandes orelhas, dentes descomunais e pés de cervo. Sete anos depois da sua publicação, em plena circunavegação ao mundo por parte do português Magalhães, os seus integrantes chamaram "Patagões" aos habitantes das regiões antárticas da América.

Edições portuguesasEditar

Edições antigasEditar

Edições modernasEditar

  • Palmeirim de Inglaterra, Lisboa, Tip. da Rev. Renascença, Colecção Avelar Machado, 1940
  • Palmeirim de Inglaterra, Lisboa, Gráfica Lisbonense, Textos Literarios, 1941(Sel., argumento, prefácio e notas de M. Rodrigues Lapa. ). Reimpresso em 1960
  • Crónica do Palmeirim de Inglaterra, São Paulo, Editora Anchieta, Biblioteca de Clássicos para todos, 1946, 3 vols. (Com as obras completas de Francisco de Moraes)
  • O Palmeirim de Inglaterra, Lisboa, Livraria Sampedro Editora, Col. Nosso Mundo. Aventuras e novelas, 1964.
  • Narrativas cavaleirescas, em História e Antologia da Literatura Portuguesa. Século XVI, nº 26, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2003.

BibliografiaEditar

Referências

  1. a b c «Introdução à edição de Aurelio Vargas Díaz-Toledo, 2006» (PDF). Consultado em 15 de maio de 2010. Arquivado do original (PDF) em 8 de abril de 2010 

Ver tambémEditar