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Disambig grey.svg Nota: Para a visão judaica do Pentateuco, veja Torá.

O Pentateuco, do grego, "os cinco rolos", é composto pelos cinco primeiros livros da Bíblia[1][2]. Entre os judeus é chamado de Torá, uma palavra da língua hebraica com significado associado ao ensinamento, instrução, ou literalmente Lei, uma referência à primeira secção do Tanakh, os primeiros cinco livros da Bíblia Hebraica, cuja autoria é atribuída a Moisés. Os judeus também usam a palavra Torá num sentido mais amplo, para referir o ensinamento judeu através da história como um todo. Neste sentido, o termo abrange todo o Tanakh, o Mishnah, o Talmud e a literatura midrash. Em seu sentido mais amplo, os judeus usam a palavra Torá para referir-se a todo e qualquer tipo de ensino ou filosofia.

Pentateuco
Rolo da Torá judaica
Autor(es) Moisés
Idioma Hebraico

Índice

AutoriaEditar

A Teologia tradicional atribui a autoria do Pentateuco a Moisés, entretanto existem outras teorias.

A Edição Pastoral da Bíblia sustenta que o Pentateuco tem origem na Tradição oral e foi escrito durante seis séculos, reformulando, adaptando e atualizando tradições antigas e criando novas[3].

Julius Wellhausen (1844-1918) sustenta que o Pentateuco é uma obra redacional, composta de quatro diferentes tradições (documentos): a Javista com textos compostos na época da Monarquia (950 a.C.), a Eloísta com textos posteriores ao ano 750 a.C., a Deuteronomista com textos escritos aproximadamente no ano 600 a.C. e a Sacerdotal com textos escritos no exílio babilônico (por volta do ano 500 a.C.[4][5].

Seria a autoria do Pentateuco mosaica ou um mosaico? Trocadilhos à parte, o assunto é de importância impar na análise do Pentateuco e de todo o Antigo Testamento. Qualquer uma das opções – autoria mosaica ou um mosaico - acarreta uma série de controvérsias e opiniões entre eruditos cristãos e não cristãos. Segundo a concepção crítica, quando a Torá ou o Pentateuco é atribuído a Moisés, os Salmos a Davi e os livros de Sabedoria a Salomão, deveríamos provavelmente entender Moisés como o protótipo do legislador, Davi como o protótipo do salmista e Salomão como o protótipo do homem ajuizado e sábio.

Quem é o gênio literário desta artística obra prima  - Pentateuco, é a pergunta que se tem feito há séculos. Como pudemos verificar nos capítulos anteriores, começando com o triunfo do deísmo na década de 1790, e continuando através da época do dialeticismo hegeliano e do evolucionismo darwiniano no século dezenove, o veredito tem sido contrário à autoria mosaica. No século presente, algumas concessões têm sido feitas por alguns estudiosos, quanto à possibilidade de alguns fios de tradição oral terem sido oriundos de Moisés, mas quanto à forma escrita, a tendência tem sido fazer do Pentateuco uma obra pós-exílica.

A visão tradicional sobre a origem do Pentateuco é que foi composto por Moisés entre os anos de 1446 a.C. e 1406 a.C aproximadamente. Como pudemos ver a autoria do Pentateuco vem sendo colocada por parte de alguns críticos como não sendo de Moisés, alegando que quando as Escrituras se referem a Moisés como autor apenas lhe atribui uma figura de protótipo de legislador. A religião judaica sempre considerou o Pentateuco como obra de Moisés, da mesma forma, tradições pagãs e também o cristianismo primitivo e posterior.

Alguns estudiosos atribuem somente o decálogo como sendo de autoria de Moisés, outros inserem o código da Aliança. Ainda, a ausência do nome do autor harmoniza-se com a prática do Antigo Testamento em particular, e com as obras literárias antigas em geral. No antigo Oriente Médio, o “autor” era basicamente um preservador do passado, limitando-se ao uso de material e metodologia tradicionais.[6]

Livros do pentateuco (Torá)Editar

GénesisEditar

 Ver artigo principal: Génesis

Primeiro livro da Bíblia. Narra acontecimentos, desde a criação do mundo, na perspectiva judaica (o chamado "relato do Génesis"), passando pelos Patriarcas hebreus, até à fixação deste povo no Egipto, depois da história de José. Génesis segundo a fé Judaica é o início, é o princípio da criação dos ceús, da terra, da humanidade e de tudo quanto existe vida, todos os seres. O livro é o primeiro dos cinco livros atribuídos a Moisés.

ÊxodoEditar

 Ver artigo principal: Êxodo

O livro conta a história da saída do povo de Israel do Egito, onde foram escravos durante 430 anos. Narra o nascimento, a vida e o ministério de Moisés diante do povo de Israel, bem como o estabelecimento da Lei e a construção do Tabernáculo. Mostra o início de um relacionamento entre o povo recém-saído do Egito e Deus através de uma aliança proposta pelo próprio Deus. É a organização do Judaísmo.

LevíticoEditar

 Ver artigo principal: Levítico

Basicamente é um livro teocrático, isto é, tem caráter legislativo; apresenta em seu texto o ritual dos sacrifícios, as normas que diferenciam o puro do impuro, a lei da santidade e o calendário religioso entre outras normas e legislações que regulariam a religião.

NúmerosEditar

 Ver artigo principal: Livro dos Números

Este livro é de interesse histórico, pois fornece detalhes acerca da rota dos israelitas no deserto e de seus principais acampamentos. Pode ser dividido em três partes:

  • O recenseamento do povo no Sinai e os preparativos para retomar a marcha (1-10:10). O capítulo 6 relata o voto de Nazireu.
  • A história da jornada do Sinai até Moabe, o envio dos espiões e o relato que fizeram, e as murmurações (oito vezes) do povo contra as dificuldades do caminho (10:11-21:20).
  • Os eventos na planície de Moabe, antes da travessia do rio Jordão (21:21-cap. 36).

DeuteronômioEditar

 Ver artigo principal: Deuteronômio

Contém os discursos de Moisés ao povo, no deserto, durante seu êxodo do Egito à Terra Prometida por Deus. Os discursos contidos nesse livro, em geral, reforçam a ideia de que servir a Deus não é apenas seguir sua lei.

O título provém do grego e quer dizer: "Segunda Lei", ou melhor, "Repetição da Lei". Em Êxodo, Levítico e Números, as leis foram dadas, conforme a necessidade da ocasião, a um povo acampado no deserto. Em Deuteronômio, essas leis foram repetidas a uma geração que, dentro em breve, moraria nas casas, vilas e cidades da terra prometida.

Ver tambémEditar

Referências

  1. Echegary, J. González; et al. (2000). A Bíblia e seu contexto. 2 2 ed. São Paulo: Edições Ave Maria. 1133 páginas. ISBN 9788527603478 
  2. Pearlman, Myer (2006). Através da Bíblia. Livro por Livro 23 ed. São Paulo: Editora Vida. 439 páginas. ISBN 9788573671346 
  3. «Pentateuco». www.paulus.com.br , acessado em 20 de julho de 2010
  4. «A "nova" hípotese documentária do Pentateuco». teologiabiblica.wordpress.com , Padre Lucas Prazer, Centro Catequetico Diocesano Dom Gabriel Paulino Bueno Couto, Jundiai SP, 1ª quinzena de Março 2005, acessado em 20 de julho de 2010
  5. «Ler o Pentateuco». www.airtonjo.com , acessado em 20 de julho de 2010
  6. MORAES, Danilo (2015). O Pentateuco - Uma critica dos pressupostos científicos das Hipóteses Documentárias em face da autoridade bíblica e seus fundamentos. São Paulo: Fonte Editorial. pp. 316–317 

BibliografiaEditar

  • Dever, William G (2003). Who were the early israelites ? (em inglês). Grand Rapids, MI: William B. Eerdmans Publishing Co. 
  • Silberman, Neil A.; et al. (2001). A Bíblia Desenterrada. Nova Iorque: Simon e Schuster 
  • Machado de Assis (1880). Memórias Póstumas de Brás Cubas. [S.l.: s.n.] 
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