Polyplacophora

Polyplacophora (do grego polys, muitas + plax, placa + phora, portador) vivem exclusivamente em ambientes marinhos. São caracterizados por serem revestidos por uma valva com oito partes sobrepostas na parte dorsal, desprovidos de tentáculos e têm cabeça minúscula desprovida de olhos. A essa classe pertencem os quítons. A maioria vive em águas relativamente rasas. Alimentam-se de algas e plantas do substrato.

Como ler uma infocaixa de taxonomiaPolyplacophora
Ocorrência: Cambriano Superior - Recente
Tonicella lineata
Tonicella lineata
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Mollusca
Classe: Polyplacophora
Blainville, 1816
Ordens
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DescriçãoEditar

Os Polyplacophora são uma classe do filo Mollusca, são achatados e alongados e habitam exclusivamente o ambiente marinho na região bentônica, podem ser chamados de quítons. Seu tamanho pode variar de 3 mm a 40 cm, não possui tentáculos e diferente de outros moluscos populares como, caracóis, lulas e polvos, não possui olhos e tem a cabeça pouco desenvolvida. Já foram descritas cerca de 920 espécies vivas atualmente.

A característica mais marcante dessa classe é sua concha dorsal. A concha dorsal é dividida em 8 valvas, que possuem três classificações, valva cefálica que fica próxima a cabeça, valva anal que fica próxima aos ânus e valva intermediária que fica no meio das duas valvas citadas anteriormente. Na parte ventral encontra se um pé muscular desenvolvido e amplo que auxilia as espécies de Polyplacophora a aderirem e movimentar se em rochas.  

As valvas são dispostas da seguinte maneira, a extremidade posterior de uma, sobrepõe a extremidade anterior de outra. Cada valva se insere dentro do manto, essa área onde ela é inserida é chamada de placa de inserção.  

Existem quatro camadas nas valvas, na região mais externa se encontra um perióstraco fino, na parte inferior ao perióstraco encontra se uma camada de tegumento pigmentado pelo a proteína conquiolina e carbonato de cálcio, abaixo do tegumento encontra se a articulação que também é composta por carbonato de cálcio, ela forma as placas de inserção para a valva, e a última camada mais interna é o hipóstraco.  

A camada que compreende o tegumento possui órgãos sensoriais, o megaesteto e o microesteto, essas estruturas são sinapomorfia da classe, ou seja, são exclusivas.

Próximo ao pé muscular, no perímetro das 8 valvas existe um cinturão que é chamado de perinoto, que pode cobrir totalmente ou parcialmente as conchas. O perinoto pode apresentar espinhos, escamas, cerdas ou espículas.  

A borda do manto e o dorso do pé formam a cavidade palial que vai abrigar de 6 a 80 pares de ctinídeos bi pectinados que são as brânquias em formato de pena da maioria dos moluscos, estão localizados ao longo de todo o perinoto (cinturão).  

 
Lado inferior de um quíton gigante do Pacífico

Órgãos InternosEditar

O sistema digestório da classe Polyplacophora é completo, possui rádula, faringe, estômago, glândula digestiva, intestino e ânus porém diferente de outras classes, ela não possui estilete que regula a passagem de alimento para o intestino.  

Nessa classe, o sistema nervoso não é tão complexo como o dos Cefalópodes, os Polyplacophora não possuem gânglios nervosos bem definidos, outra característica é que eles possuem quatro cordões longitudinais que se conectam e formam uma escada.  

Reprodução e desenvolvimentoEditar

 
Desenvolvimento do quíton. Primeira imagem representa seu estado larval; a segunda, sua metamorfose. A terceira figura é um quíton jovem

Os quítons são dioicos em sua grande maioria, possuem duas gônadas dorsais. A fecundação é externa, isso significa que os gametas são liberados no ambiente e lá eles se fecundam, mas também a fecundação pode ocorrer dentro da cavidade do manto de uma fêmea.

Os gametas são liberados pelo os gonóporos que ficam a frente dos nefridióporos. O desenvolvimento indireto do quíton não possui a larva véliger apenas a trocófora e algumas espécies de Polyplacophora podem incubar os ovos e apresentar desenvolvimento direto (sem larva).  

Posição na cadeia alimentarEditar

 
Desenho de quíton retirado do Brehms Tierleben

Polyplacophora são organismos micrófagos, se alimentam raspando as rochas que ficam aderidos e capturam desde pequenas algas como microrganismos.  

Espécies dos gêneros Placiphorella e Lepidozona  conseguem capturar invertebrados e alguns crustáceos pois possuem a extremidade anterior do cinturão elevada e curvada que facilita a obtenção de alimento. Possuem hábitos noturnos e após se alimentarem voltam para suas “casas”, ou seja, ele habita algum local como por exemplo uma pedra e retorna a ela.  

Seus predadores incluem aves marinhas, estrelas-do-mar, crustáceos maiores (como caranguejos) e anêmonas-do-mar. Os quítons gigantes do Pacífico (Cryptochiton stelleri) são comestíveis para os seres humanos, tendo sido usados como alimento por populações indígenas estadunidenses e chilenos[1] e por exploradores russos no sudoeste do Alasca. Entretanto, o sabor e a textura de sua carne são considerados desagradáveis.[2]

DistribuiçãoEditar

Os quítons são geralmente encontrados em regiões litorâneas, embora também existam espécies encontradas em águas profundas, a 6 mil metros de profundidade. São encontrados em todos os oceanos, das regiões polares até os trópicos. Sua maior concentração ocorre nas regiões litorâneas da América do Norte e da Austrália, onde pelo menos metade das espécies conhecidas foram registradas.[3] No Brasil, foi documentada a ocorrência de três famílias e oito gêneros.[1]

Interesse de colecionadoresEditar

Pela grande variedade de suas conchas (seja em cores, formatos e desenhos) e cinturões (que podem possuir escamas - semelhante em aparência às das cobras -, pelos, espinhos ou mesmo serem lisos), os quítons são grandemente apreciados por colecionadores de conchas.[3] Espécimes raros, como aqueles possuindo sete ou nove valvas, ou híbridos, são especialmente desejados pelos colecionadores e custam caro.

Colecionadores consideram mais adequado conservar os cinturões junto com a concha, ao invés de deixá-la desarticulada.

Ancestrais extintosEditar

Há suspeitas que os Kimberella sejam ancestrais pré-cambrianos dos quítons. Suspeita-se que os quítons e os Wiwaxia sejam também relacionados.

TaxonomiaEditar

 
Fotografia de um Tonicella lineata
 
Quíton negro
 
Quítons em uma poça d'água formada pela baixa da maré
 
Visão superior de um quíton
 
Espécimes de Chiton tuberculatus com espécimes de Nerita tessellata

A classificação taxonômica dos quítons ainda é um tanto indefinida, especialmente nos mais altos níveis do grupo. A maioria dos sistemas de classificação atuais são baseados, ao menos em parte, no Pilsbry's Manual of Conchology (1892-1894), estendido e revisado por Kaas e Van Belle entre 1985 e 1990. Como os quítons são estudados desde Lineu, há um grande número de estudos taxonômicos no nível das espécies, porém.

A classificação mais utilizada atualmente[4] é baseada não somente na morfologia das conchas (como é usual) mas também em outros aspectos como o cinturão muscular, a rádula, as brânquias, ovos, espermatozoides etc. Tal classificação inclui todas as espécies conhecidas, vivas ou extintas.

A classificação geralmente aceita é:

 
Quíton encontrado na costa da Turquia


Referências

  1. a b CdB - Conquiliologistas do Brasil - Classe Polyplacophora
  2. Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs de nome ricketts
  3. a b worldwideconchology.com - Polyplacophora - The Chitons
  4. Sirenko BI. New outlook on the system of chitons (Mollusca: Polyplacophora). Venus, 65 (1-2). 27-49, 2006
  1. worldwideconchology.com - Polyplacophora - The Chitons
  2. Ir para:a b c d CdB - Conquiliologistas do Brasil - Classe Polyplacophora
  3. Ir para:a b Ricketts, Edward; Calvin, Jack; Hedgepeth, Joel. Between Pacific Tides, quinta edição. Stanford University Press. 2006.
  4. Sirenko BI. New outlook on the system of chitons (Mollusca: Polyplacophora). Venus, 65 (1-2). 27-49, 2006
  5. NEGREIROS-FRANSOZO, Maria Lucia. Zoologia dos invertebrados. Rio de Janeiro: Roca, 2016. Livro.
  6. PECHENIK, Jan A. Biologia dos invertebrados. 7. ed. Porto Alegre: AMGH, 2016. Livro.  
  7. MOORE, Wendy; SHUSTER, Stephen M. Invertebrados. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. Livro.
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