Quíncia (gente)

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A gente Quíncia (em latim: Quinctii) foi uma gente patrícia da Roma Antiga. Por toda a história da República Romana, seus membros ocuparam posições de destaque na magistratura e produziram alguns importantes oficiais durante o período imperial. Nos primeiros quarenta anos posteriores à expulsão dos reis os Quíncios não foram mencionados e o primeiro da gente obter o consulado foi Tito Quíncio Capitolino Barbato, em 471 a.C.. A partir daí, os Quíncios foram uma constante nos Fastos[1][2][3].

Assim como foi o caso em outras famílias patrícias, no final do período republicano surgiram Quíncios plebeus. Alguns deles podem ter sido descendentes de libertos da gente ou Quíncios patrícios que voluntariamente se tornaram plebeus. É possível ainda que tenha existido pessoas não relacionadas à gente Quíncia que compartilharam do mesmo nome[1].

Segundo Plínio, o Velho, os Quíncios, inclusive as mulheres, não vestiam ornamentos de ouro[4].

OrigemEditar

A gente Quíncia era uma das casas patrícias de Alba Longa que foram forçadas a se mudar para Roma pelo rei Tulo Hostílio e listada por ele entre os patrícios. Por isso, era uma das chamadas "minores gentes". O nome "Quinctius" é um sobrenome patronímico baseado no prenome "Quintus", que deve ter sido utilizado por um ancestral da gente. A forma "Quintius" é comum em épocas tardias, mas "Quinctius" é a forma mais antiga e correta, presente em moedas e nos Fastos Capitolinos[1][5].

PrenomesEditar

Os principais prenomes utilizados pelos Quíncios foram Lúcio e Tito. A família utilizou ainda os nomes Cesão, Caio, Cneu e Quinto. Outros prenomes foram utilizados pelos Quíncios plebeus[1].

Ramos e cognomesEditar

As três grandes famílias patrícias da gente Quíncia utilizavam os cognomes "Capitolino", "Cincinato" e "Flaminino". Além destes, são conhecidos Quíncios com os sobrenomes "Ata", "Claudo", "Crispino", "Hirpino", "Escápula" e "Trogo". Uns poucos membros da gente não tinham cognome. O único que aparece em moedas é o de "Crispino Sulpiciano", da época de Augusto[1][6].

Os mais antigos ramos da gente, os Capitolinos e os Cincinatos, podem ter se originado a partir de dois irmãos, Tito Quíncio Capitolino Barbato, cônsul por seis vezes, e Lúcio Quíncio Cincinato, ditador duas vezes, dois dos maiores romanos de sua época. Os Fastos revelam que os dois eram filhos e netos de um Lúcio e sabe-se que os dois se conheciam[1][7].

O cognome "Capitolino" é derivado do monte Capitolino, uma das sete colinas de Roma. O agnome "Barbato" utilizado por esta família significa "barbado". O cognome "Cincinato" refere-se a uma pessoa com o cabelo fino e encaracolado, um significado similar ao agnome "Crispino", utilizado pelos últimos Capitolinos. Uns poucos Quíncios tinham os dois cognomes, "Cincinato" e "Capitolino", e membros de ambas as famílias utilizaram o cognome "Peno" (em latim: Pennus ou Poenus). Segundo Isidoro, este cognome significava "afiado": "pennum antiqui acutum dicebant". É possível também que seja um derivado de "penna" ("pena" ou "asa")[1][8][9].

O sobrenome "Flaminino" é provavelmente derivado de "flamen" ("flâmine"), que também está ligado à gente Flamínia. É possível que o significado esteja relacionado a um ancestral que fora flâmine ou, talvez, o servo de um flâmine. Esta família aparece pela primeira vez durante a Segunda Guerra Púnica e foi particularmente proeminente no século seguinte[1].

MembrosEditar

Quíncios CapitolinosEditar

Quíncios CincinatosEditar

Quíncios ClaudosEditar

Quíncios FlamininosEditar

OutrosEditar

NotasEditar

  1. Seu nome aparece como "Quintílio" em Lívio, aparentemente um erro, pois "Cneu" não era um prenome utilizado pelos Quintílios.

Referências

  1. a b c d e f g h Smith, Quinctii
  2. Lívio, Ab Urbe Condita I.30.
  3. Barthold Georg Niebuhr, History of Rome, ii. 291, 292.
  4. Plínio, História Natural XXXIII 1. s. 6.
  5. George Davis Chase, "The Origin of Roman Praenomina", in Harvard Studies in Classical Philology, vol. VIII (1897).
  6. Joseph Hilarius Eckhel, Doctrina Numorum Veterum, v. 291.
  7. T. Robert S. Broughton, The Magistrates of the Roman Republic (1952).
  8. D.P. Simpson, Cassell's Latin & English Dictionary (1963).
  9. Isidoro de Sevilha, Origines xix. 19.
  10. Lívio, Ab Urbe Condita, iv. 43.
  11. Lívio, Ab Urbe Condita, iv. 61.
  12. Zonaras, Epitome Historiarum, vii. 20.
  13. Lívio, Ab Urbe Condita, vi. 11.
  14. Fasti Capitolini
  15. Lívio, Ab Urbe Condita, viii. 18.
  16. Fasti Capitolini.
  17. Lívio, Ab Urbe Condita, iv. 16, 17, 35, 44.
  18. Diodoro Sículo, Bibliotheca Historica, xii. 38, xii. 81.
  19. Lívio, Ab Urbe Condita, iv. 49, 61.
  20. Diodoro Sículo, Bibliotheca Historica, xiii. 34, xiv. 17.
  21. Lívio, Ab Urbe Condita, vi. 6, 32, 33.
  22. Diodoro Sículo, Bibliotheca Historica, xv. 25, 28, 61.
  23. Lívio, Ab Urbe Condita, vi. 32.
  24. Lívio, Ab Urbe Condita, vi. 36.
  25. Lívio, Ab Urbe Condita, vi. 38, 42.
  26. Diodoro Sículo, Bibliotheca Historica, xv. 78.
  27. Fasti Capitolini.
  28. Cassiodoro, Chronica, 354.
  29. T. Robert S. Broughton, The Magistrates of the Roman Republic (1952).
  30. Lívio, Ab Urbe Condita, xxii. 33.
  31. Lívio, Ab Urbe Condita, xxv. 2.
  32. Lívio, Ab Urbe Condita, xli. 12.
  33. Lívio, Ab Urbe Condita, xli. 43, xlv. 42, 44.
  34. Cícero, Cato Maior de Senectute, 5, Epistulae ad Atticum, xii. 5.
  35. Plínio, História Natural vii. 36.
  36. Lívio, Ab Urbe Condita, xxvi. 39.
  37. Marco Terêncio Varrão, De Lingua Latina libri XXV, vi. 90-92, ed. Müller.
  38. Cícero, Pro Quinctio.
  39. Horácio, Carmina ii. 11, Epistulae, i. 16.
  40. Syme, Ronald (1986). The Augustan Aristocracy (em inglês). [S.l.]: Clarendon Press. p. 57  via Questia
  41. Plínio, o Velho, História Natural, vii. 53, s. 54.

Ligações externasEditar