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Rafael José da Cunha
Nascimento 1 de abril de 1791
Castelo Branco
Reino de Portugal Portugal
Morte 27 de abril de 1868 (77 anos)
Quinta da Broa
Reino de Portugal Portugal
Nacionalidade portuguesa

Rafael José da Cunha (Castelo Branco, 1 de Abril de 1791 — Quinta da Brôa, Santarém, 27 de Abril de 1868),[1] latifundiário, lavrador e pecuarista do Ribatejo no sec: XIX, pioneiro na criação de cavalos da Raça Puro-sangue lusitano no Ribatejo e o introdutor das novas inovações tecnologias na agricultura em Portugal nos meados do século XIX, durante a Revolução Industrial.

Exerceu o cargo de Vogal da Secção da Agricultura[2] do Concelho Geral do Comércio, Agricultura e Manufacturas, no recém criado Ministério das Obras Publicas, Comércio e Indústria[3] durante o Governo do Duque de Saldanha.

BiografiaEditar

Natural de Castelo Branco e batizado na Covilhã, oriundo de uma família albicastrense, agricultores de eleição com estreitas ligações á Casa Real, muito novo percorre a Europa em plena Revolução Indústrial, inteirando-se das novas inovações no mundo agrícola e se apercebeu que só no Ribatejo as poderia pôr em prática; com familiares influentes em Tomar e Torres Novas decide fixar-se na Golegã em 1817.

Numa época em que a Família Real Portuguesa se encontrava no Brasil, devido ás invasões napoleónicas e com Esta grande parte dos Nobreza proprietária de terras no Ribatejo, começa inicialmente por arrendar e depois adquirir grande número de propriedades nos Concelhos da Golegã, Santarém, Rio Maior e Chamusca. Em 1831 compra ao 8º Conde da Ribeira Grande a Quinta do Almonda, esta grande propriedade passa a ser o centro da sua enorme casa agrícola, composta por várias propriedades; Quinta do Almonda (mais tarde denominada Quinta da Broa[4]), Quinta dos Álamos, Quinta da Gâmeira, Quinta do Castilho em Vale de Figueira entre outras compradas ao Duque de Loulé e Conde de Linhares.

Rafael José da Cunha, foi padrinho de baptismo de Rafael Bordalo Pinheiro,[5] conhecido jornalista e caricaturista, autor de vários periódicos satíricos.

Faleceu na Quinta da Brôa na Azinhaga a 27 de Abril de 1868 e foi sepultado na capela do palácio que mandou construir nesta propriedade, terminado em 1862.

Ganadaria e Coudelaria Manuel Tavares VeigaEditar

Em 1830 inicia a criação de gado bravo, tornando-se assim um grande fornecedor de animais para o espectáculo tauromáquico. A sua ganadaria foi das poucas que na época possuía exclusivamente raças autóctones portuguesas.[6] Animais oriundos da sua ganadaria estreiam-se na Praça do Campo de Santana em Lisboa em 1837 e é da sua ganadaria o primeiro touro português toureado em Madrid em 1854. Conjuntamente com a criação de gado bravo, dedica-se também á criação de cavalos Puro-sangue lusitano inicialmente conhecida como Coudelaria Cavalos Peninsulares[7] que se tornou uma das mais importantes do País e que mais tarde após sua morte esteve na origem da Coudelaria Manuel Tavares Veiga, criada pelos seus herdeiros.[8] De entre os seus garanhões contavam-se os dois puro sangue Alter oferecidos pelo Rei Dom Fernando II, aquando da sua visita á Quinta da Broa juntamente com seu filho futuro Rei Dom Pedro V.

Referências

  1. Estudos de Castelo Branco, Edições 3-4, 1978, Universidade da Califórnia, p. 51.
  2. «Vogal da Secção de Agricultura» 
  3. Criado por Decreto de 30 de Agosto de 1852.
  4. «Coudelaria Manuel Tavares Veiga - "Quinta da Brôa"». Turismo de Portugal. Consultado em 2 de março de 2015 
  5. «Resenha histórica». Distritos de Portugal. Consultado em 2 de março de 2015. Arquivado do original em 23 de setembro de 2015 
  6. «Posicionamento Genético do Gado Bravo da Ilha Terceira em Relação à Raça Brava de Lide» (PDF). Universidade dos Açores. 2012. Consultado em 2 de março de 2015 
  7. Jorge Gouveia da Costa (1991). «A Tradição da Casa Veiga (Parte I)». Jorge Gouveia da Costa. Consultado em 12 de Março de 2015 
  8. Paulo Moura (26 de Setembro de 2010). «Cavalo Lusitano Terra de Puro Sangue». Jornal Publico. Consultado em 12 de Março de 2015 

Ver tambémEditar