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Ranking da CBF 2003-2012 foi um sistema de classificação dos clubes de futebol brasileiros instituído pela Confederação Brasileira de Futebol em dezembro de 2003 [1] e substituído por um novo ranking em novembro de 2012 [2].

Índice

PressupostosEditar

Ao instituir seu ranking histórico do futebol brasileiro, a CBF partiu dos seguintes pressupostos:

  • Considerar apenas as competições nacionais organizadas pela própria CBF;
  • Dar pontos para todos os clubes que participam das competições de cada ano;
  • Dar mais pontos para as equipes melhor colocadas nas competições mais importantes.

Critério de pontuaçãoEditar

A partir daí, criou-se um "critério de pontuação" (até 2009 chamado "convenção de pontos") que funcionava da seguinte maneira [3]:

Campeonato Brasileiro Série AEditar

A cada ano, eram conferidos 60 pontos ao Campeão Brasileiro e, de forma aritmética, pontuações cada vez menores para os demais competidores: 59 para o vice-campeão, 58 para o 3º lugar, etc., até o 20º lugar, que recebia 41 pontos; a partir do 21º lugar, havia um "degrau", e todos os clubes recebiam os mesmos 4 pontos, independentemente do número de competidores no Campeonato daquele ano.

Campeonatos Brasileiros Séries B, C e DEditar

O mesmo valia para a Série B: o 1º lugar recebia 40 pontos, o 2º lugar recebia 39 pontos, etc, até o 20º lugar, que fazia jus a 21 pontos; a partir do 21º lugar, apenas 2 pontos para cada equipe.

Na Série C, o 1º lugar fazia 20 pontos, o 2º fazia 19 pontos, etc, e do 20º lugar em diante todos os clubes faziam 1 ponto.

Porém, a partir de 2009, com a criação da Série D, a CBF alterou os critérios de pontuação da Série C. Pelos novos critérios, os clubes classificados a partir do 10º lugar na Série C passaram a receber apenas 1 ponto.

Na Série D, o 1º lugar fazia 10 pontos, o 2º fazia 9 pontos, até o 10º lugar, que juntamente com todos os demais clubes fazia 1 ponto.

Copa do BrasilEditar

Por outro lado, a Copa do Brasil dava 30 pontos ao seu vencedor e pontuações cada vez menores aos demais concorrentes, mas de forma geométrica: 20 pontos para o 2º lugar, 10 pontos para os semifinalistas, 5 para os que chegam às quartas de finais, 3 para os eliminados nas oitavas, 2 para os clubes da segunda fase e 1 para os da primeira fase.

Taça Brasil e Torneio Roberto Gomes PedrosaEditar

Com a unificação dos títulos da Taça do Brasil (1959-68) e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (1967-70), reconhecidos pela CBF, em dezembro de 2010, como equivalentes aos dos campeonatos brasileiros a partir de 1971, a contagem de pontos do RNC teve que ser modificada [4]. No entanto, por decisão da CBF, apenas os campeões e vice-campeões daquelas competições tiveram pontos retrospectivamente computados no ranking. Cada campeão recebeu 60 pontos e cada vice, 59 pontos. Os demais clubes, do 3º lugar em diante, não receberam nenhum ponto.

CríticasEditar

Desde que foi instituído, o Ranking da CBF sofreu críticas em diversos artigos e publicações sobre futebol brasileiro. As principais e mais fundamentadas críticas diziam respeito a:

1. A diferença na contagem de pontos (aritmética num caso e geométrica no outro) fazia com que o título da Copa do Brasil tivesse, na prática, um valor muito maior que o título do Campeonato Brasileiro [5];

2. O "degrau do 21º lugar", arbitrariamente aplicado a campeonatos que tiveram números de competidores muito desiguais, desequilibrava toda a pontuação, em alguns casos chegando a "premiar" o rebaixamento [6].

A questão da diferença de contagem entre as duas competições se explica da seguinte forma: num ranking deste tipo, em que todos os clubes participantes são pontuados todo ano, o que importa não é o número absoluto conferido ao vencedor do título, mas a vantagem que ele obtém sobre os seus adversários por tê-lo conquistado.

Dentro dos critérios do Ranking CBF 2003-2012, o Campeão Brasileiro do ano ganhava 60 pontos, mas o vice-campeão ganhava 59 - portanto, o Campeão tinha apenas 1 ponto de vantagem sobre o adversário mais próximo; na Copa do Brasil, em que a pontuação era geométrica, o campeão obtinha 30 pontos, mas o vice ficava com apenas 20 - 10 pontos a menos que o vencedor. É fácil concluir: na prática, o ranking da CBF dava 10 vezes mais vantagem para quem ganhasse a Copa do Brasil do que para o Campeão Brasileiro do ano.

Por exemplo: se um time A ganhasse 9 vezes seguidas o Campeonato e no décimo ano fosse vice da Copa, enquanto o time B ficasse de vice no Campeonato por 9 vezes e depois vencesse a Copa, a pontuação da década seria a seguinte:

  • Time A: 9 x 60 = 540; + 20 = 560 pontos
  • Time B: 9 x 59 = 531; + 30 = 561 pontos

Ou seja: com essa forma de pontuação, era melhor ganhar 1 vez a Copa do que ganhar 9 vezes o Campeonato.

Este tipo de distorção fez com que alguns comentaristas concluíssem que o Ranking da CBF "não reflete a realidade do futebol brasileiro" [7], sugerissem alterações "para tornar os critérios mais justos" [8] ou "para que a pontuação seja mais coerente e equilibrada" [9], e mesmo anunciassem que ele seria modificado porque "a própria CBF já percebeu que há problemas" [10].

Os erros lógicos apontados por vários jornalistas esportivos, e resumidos acima, provocaram diferentes tipos de distorções na contagem de pontos. Alguns exemplos mais citados:

1º exemplo

O Internacional foi Bicampeão Brasileiro em 1975 [11] -76 [12] mas, em 1977,[13] acabou no 25º lugar. (O Campeonato de 77 teve 62 clubes e o aproveitamento do Inter naquele certame foi de 61,5% - superior, por exemplo, ao do terceiro colocado em 2005.[14])

Neste mesmo período de 3 anos, o Vasco teve colocações abaixo da média do Inter: 20º lugar em 1975, 12º em 1976 e de novo 12º em 1977, sem nunca baixar do 20º lugar.

Resultado: entre 1975-77, o Inter fez 124 pontos e o Vasco, 139.

Ou seja: num período de 3 anos, o clube que foi bicampeão teve, no ranking da CBF, 15 pontos a menos do que um clube que não passou do 12º lugar.

2º exemplo

Em 1991 o São Paulo foi campeão brasileiro e não disputou a Copa do Brasil, fazendo 60 pontos, o máximo que poderia ter feito naquele ano; o Grêmio foi vice da Copa [15] e 19º no brasileiro. Apesar de rebaixado, fez ao todo 62 pontos.

Ou seja: o Campeão Brasileiro teve menos pontos que um time rebaixado no mesmo ano, apenas porque este foi vice-campeão da Copa.

3º exemplo

Em 1993, o Palmeiras foi campeão brasileiro [16] e chegou às quartas de final da Copa do Brasil - fez 65 pontos.

No mesmo ano, o Cruzeiro venceu a Copa do Brasil [17] e foi apenas 15º no Brasileiro - fez 76 pontos.

4º exemplo

Entre 2006 e 2008,[18] o São Paulo foi tri-campeão brasileiro. Como esteve sempre disputando a Libertadores, não pôde participar da Copa do Brasil nestes três anos. Fez, portanto, o número máximo de pontos que poderia fazer: 180 pontos em 3 anos. Mas o São Paulo foi apenas o quarto clube no ranking da CBF no mesmo período.

O Flamengo (vencedor da Copa do Brasil 2006) fez 194 pontos nestes 3 anos, em que foi 11º, 3º e 5º colocado no Campeonato Brasileiro. Entre 2006 e 2008, o Flamengo fez 14 pontos a mais que o São Paulo.

O Fluminense (vencedor da Copa 2007 [19] e semifinalista em 2006) fez 190 pontos, mesmo tendo ficado em 15º, 4º e 14º nos Campeonatos Brasileiros do período. Fez, portanto, 10 pontos a mais que o São Paulo.

E o Vasco (vice da Copa 2006 e semifinalista em 2008) [20] fez 181 pontos. Apesar de ter ficado em 6º, 10º e 18º (e rebaixado) no Campeonato Brasileiro, fez 1 ponto a mais que o tri-campeão.

Referências

  1. «Notícia no UOL Esporte sobre o Ranking da CBF, fevereiro de 2004». Consultado em 29 de novembro de 2012 
  2. «Notícia do Estadão sobre a mudança no Ranking, 06/11/2012». Consultado em 29 de novembro de 2012 
  3. «Crítério de Pontuação do RNC 2012, CBF». Consultado em 13 de maio de 2012. Arquivado do original em 8 de junho de 2012 
  4. «Notícia do UOL esportes sobre a unificação dos títulos, 22/12/2010». Consultado em 13 de maio de 2012 
  5. «Clic RBS, 11/12/2008: "Ranking da CBF, critérios equivocados"». Consultado em 13 de maio de 2012 
  6. «Diário de Pernambuco, 10/12/2011: "Metamorfose no Ranking da CBF"». Consultado em 13 de maio de 2012 
  7. «Revista Lance, 15/12/2009: Ranking da CBF: Reflete a realidade do futebol Brasileiro?». Consultado em 13 de maio de 2012 [ligação inativa]
  8. «Clic RBS, 12/12/2008: "Ranking da CBF, como melhorar"». Consultado em 13 de maio de 2012 
  9. «Jornal de Debates, 14/12/2011: Ranking CBF de clubes». Consultado em 13 de maio de 2012 [ligação inativa]
  10. «Terra Notícias, 02/02/2005: "Ranking da CBF sofrerá mudanças em 2006"». Consultado em 13 de maio de 2012 
  11. «RSSSF, Campeonato Brasileiro 1975». Consultado em 13 de maio de 2012. Arquivado do original em 2 de março de 2009 
  12. «RSSSF, Campeonato Brasileiro 1976». Consultado em 13 de maio de 2012. Arquivado do original em 26 de janeiro de 2009 
  13. «RSSSF, Campeonato Brasileiro 1977». Consultado em 13 de maio de 2012. Arquivado do original em 26 de janeiro de 2009 
  14. «RSSSF, Campeonato Brasileiro 2005». Consultado em 13 de maio de 2012. Arquivado do original em 1 de junho de 2009 
  15. «RSSSF, Copa do Brasil 1991». Consultado em 13 de maio de 2012. Arquivado do original em 1 de fevereiro de 2009 
  16. «RSSSF, Campeonato Brasileiro 1993». Consultado em 13 de maio de 2012. Arquivado do original em 31 de maio de 2009 
  17. «RSSSF, Copa do Brasil 1993». Consultado em 13 de maio de 2012. Arquivado do original em 16 de junho de 2009 
  18. «RSSSF, Campeonato Brasileiro 2008». Consultado em 13 de maio de 2012. Arquivado do original em 4 de junho de 2009 
  19. «RSSSF, Copa do Brasil 2007». Consultado em 13 de maio de 2012. Arquivado do original em 29 de maio de 2009 
  20. «RSSSF, Copa do Brasil 2008». Consultado em 13 de maio de 2012. Arquivado do original em 24 de fevereiro de 2009