Roberto Salmeron

físico nuclear brasileiro

Roberto Aureliano Salmeron (São Paulo, 16 de junho de 1922 - Paris, 17 de junho de 2020) foi um físico experimental e membro da Academia Brasileira de Ciências. Foi pesquisador em diversas instituições de renome internacional, como a Organização Europeia para a Investigação Nuclear (CERN) e a Escola Politécnica (França), onde se aposentou como pesquisador emérito.

Roberto Aureliano Salmeron
Nascimento 16 de junho de 1922
São Paulo, Brasil
Morte 17 de junho de 2020 (98 anos)
Paris, França
Nacionalidade brasileiro
Cônjuge Sonia Salmeron
Alma mater Universidade de São Paulo, Universidade de Manchester
Orientador(es) Patrick Blackett
Instituições Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, CERN, Universidade de Brasília, École Polytechnique
Campo(s) Engenharia e física

BiografiaEditar

Nascido na cidade de São Paulo, em 1922, Roberto era filho de operários de origem espanhola. Seu pai desejava que o filho fosse engenheiro e assim ele ignressou na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), no final da década de 1940.[1] O fascínio pela física, que já o acompanhava há anos, o levou para esta área após se formar. Depois da engenharia ele se formaria ainda em física na Universidade Federal do Rio de Janeiro (também conhecida como Universidade do Brasil). De 1947 a 1950, ele trabalhou como pesquisador e instrutor na Escola Politécnica e no departamento de física da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, na qual ele estudou radiações cósmicas sob a tutela dos físicos italianos Gleb Wataghin e Giuseppe Occhialini.[2][3]

De 1950 a 1953, Salmeron trabalhou no então recentemente criado Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, CBPF, no Rio de Janeiro. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, Salmeron foi contemporâneo da geração de jovens brilhantes físicos brasileiros, como César Lattes, José Leite Lopes, Oscar Sala, Mário Schenberg, Marcelo Damy de Souza Santos, Jayme Tiomno e Mario Alves Guimarães.[2]

De 1953 em diante, Salmeron viveu na Europa, primeiramente fazendo seu doutorado de 1953 a 1955 na Universidade de Manchester, sob a tutela de Patrick Blackett, prêmio Nobel de Física, e então como pesquisador associado da Organização Europeia para a Investigação Nuclear (CERN), em Genebra, Suíça, de 1955 a 1963.[2][3]

CarreiraEditar

Em 1963, Salmeron retornou ao Brasil e aceitou a cadeira de professor de Física da então recém criada Universidade de Brasília. Infelizmente, a ditadura militar reprimiu fortemente os movimentos liberais e esquerdistas que ocorriam na universidade e ele então juntou-se a outros 223 professores em protesto, que deixaram a universidade em outubro de 1965.[4]

Em 1966 Salmeron deixou o Brasil definitivamente e foi trabalhar no CERN novamente, a convite de seu diretor, Victor Weisskopf.[5] No CERN, Salmeron teve importante participação em experimentos com a finalidade de estudar o plasma de quarks e gluons. Desde 1967, Salmeron é professor da École Polytechnique em Paris, França, uma das mais importantes escolas de engenharia do mundo.[2][3]

De volta ao Brasil, contribuiu para que se desenvolvesse um acelerador síncrotron de grande porte no país, projeto que culminou na criação do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron em Campinas (SP).

MorteEditar

Roberto morreu em 17 de junho de 2020, aos 98 anos, em Paris.[6]

PensamentoEditar

Para Salmeron, transmitir conhecimento é atividade tão nobre quanto trabalhar em pesquisas de ponta. É preciso ensinar ciência desde a infância, mas de modo experimental, não somente com palavras e livros. "Não conheço nenhum cientista, de nenhum país, que tenha tido um mau curso na escola".[3][5]

Referências

  1. Neldson Marcolin (ed.). «Roberto Salmeron: Um físico de alta energia». Revista Pesquisa Fapesp. Consultado em 17 de junho de 2020 
  2. a b c d «Roberto Aureliano Salmerón». Academia Brasileira de Ciências. Consultado em 17 de junho de 2020 
  3. a b c d «Física e política influenciaram a trajetória de Roberto Salmeron». Comciência. Consultado em 17 de junho de 2020 
  4. QUERCIGH, Emanuele. «Roberto Salmeron Festschrift: A Master and A Friend». CERN Courier. Consultado em 27 de fevereiro de 2018 
  5. a b «Acuada, a Ciência Reage» (PDF). Revista ADUSP. Consultado em 17 de junho de 2020 
  6. «Morre o Acadêmico Roberto Salmeron – ABC». Academia Brasileira de Ciências. 18 de junho de 2020. Consultado em 19 de junho de 2020 

Ligações externasEditar

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