A romã é o fruto da romãzeira (Punica granatum), comum no mediterrâneo oriental e médio oriente onde a polpa é usada para a preparação de aperitivos, sobremesa ou algumas vezes em bebida alcoólica. O seu interior é subdividido por finas películas, que formam pequenas sementes possuidoras de uma polpa comestível.[carece de fontes?]

Como ler uma infocaixa de taxonomiaRomã
Punica granatum
Punica granatum
Classificação científica
Reino: Plantae
Filo: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Myrtales
Família: Lythraceae
Género: Punica
Espécie: P. granatum
Nome binomial
Punica granatum
L.
Sinónimos
  • Punica grandiflora hort. ex Steud.
  • Punica nana L.
  • Punica spinosa Lam.[1]

EtimologiaEditar

Existem duas etimologias defendidas para a palavra romã. A primeira, predominante, que normalmente aparece nos dicionários, afirma que romã descende, por via vulgar, do latim mala romana («maçã romana»). Entretanto, questionamentos são feitos quanto à veracidade dessa etimologia, tendo em vista que os romanos referiam-se ao fruto apenas como malum punicum («maçã cartaginesa») ou malum granatum («maçã granulada»). Para esses pesquisadores, romã trata-se, na verdade de um arabismo descendente do termo rummān («romã»), que deriva da raiz protossemita *r-m-(-n) («romã»). Isso tornaria a palavra cognata do hebraico rimmon («romã»)[2][3][4].

FrutoEditar

É uma baláustia. É coberto por uma casca coreácea de cor castanho brilhante e contém suco com coloração de carmesim, em bolsas individuais, contendo cada uma grande semente.[5]

Contém alcalóides como a pelieterina e isopelieterina; e os taninos gálicos.[6]

HistóriaEditar

 
Mosaico do período romano em Tzippori, atual terrítório de Israel

Segundo pesquisadores russos, a romãzeira provém da Grécia, Síria e Chipre e também centro do Oriente Próximo, que inclui o interior da Ásia Menor, a Transcaucásia, o Irã e as terras altas do Turcomenistão, junto com outras plantas frutíferas como a figueira, macieira, pereira, marmeleiro, cerejeira, amendoeira, avelaneira e castanheira.

A importância da romã é milenar, aparece nos textos bíblicos, está associada às paixões e à fecundidade. Os gregos a consideravam como símbolo do amor e da fecundidade. A árvore da romã foi consagrada à deusa Afrodite, pois se acreditava em seus poderes afrodisíacos. Para os judeus, a romã é um símbolo religioso com profundo significado no ritual do ano novo quando sempre acreditam que o ano que chega sempre será melhor do que aquele que vai embora.

Segundo a Bíblia, quando os judeus chegaram à terra prometida, após abandonarem o Egito, os 12 espias que foram enviados para aquele lugar voltaram carregando romãs e outros frutos como amostras da fertilidade da terra que Jeová (Deus) prometera. Ela estaria presente nos jardins do Rei Salomão. Foi cultivada na antiguidade pelos fenícios, gregos e egípcios. Em Roma, a romã era considerada nas cerimônias e nos cultos como símbolo de ordem, riqueza e fecundidade.

Os judeus a chamavam de rimmon (do hebraico רמון); entre os árabes, era conhecida como rumman (do árabe رمان); mais tarde, os portugueses a chamaram de romã ou "roman". Na Idade Média, a romã era, frequentemente, considerada como um fruto cortês e sanguíneo, aparecendo também nos contos e fábulas de muitos países. Os povos árabes salientavam os poderes medicinais dos seus frutos e como alimento. Tanto a planta como o fruto têm sido utilizados em residências ou em banquetes pelo efeito decorativo das suas flores e dos seus frutos, além do seu uso como cerca viva e planta ornamental.

 
Romãzeiro Bonsai
 
Flores de romã

Cultivo e ComércioEditar

São famosas as romãs da Provença, de Malta, da Espanha, da Itália. O seu cultivo é realizado em mais de 100 países do mundo. Dos países do Mediterrâneo, atravessou o Atlântico e acabou aportando no Brasil. Neste país a planta encontrou todas as condições favoráveis para um crescimento vegetativo, florescimento, frutificação e produção de frutos de primeira qualidade. O seu maior interesse no mundo está no seu cultivo para o consumo como fruta fresca. Também tem a sua aplicação em clínicas especializadas no campo da medicina moderna e para receitas especializadas.

A Espanha é um dos mais importantes países produtores do mundo e o maior produtor e exportador do mercado comum europeu. A Turquia, com 60 000 toneladas, e a Tunísia, com 55 000 toneladas, são grandes produtores mundiais, mas, nestes dois países, existe um sistema de cultivo menos intensivo e menos especializado quando comparado com o cultivo na Espanha, e uma rede de comercialização pouco desenvolvida, com apenas 2 a 7% de exportação da sua produção total. Na Espanha romã é granada. A arma granada tem esse nome devido parecer com a polpa e sementes do romã que em espanhol é granada.

Tradicionalmente, o Reino Unido tem sido o principal comprador de romã da Espanha, com os seus frutos destinando-se fundamentalmente ao consumo ao natural e especialmente nas zonas de mineração da Inglaterra, devido às suas propriedades benéficas frente à contaminação de metais pesados.

Entre os principais países importadores, estava, em primeiro lugar, a Inglaterra, que absorvia os frutos de calibres pequenos; em segundo lugar, a França, que queria os frutos de grande calibre; em terceiro lugar a Itália que, nos últimos anos, estava aumentando muito a quantidade importada de romãs da Espanha. Em quarta posição, encontram-se os países árabes, que aceitavam frutos de qualidade um pouco inferior e que representam muito para a Espanha para poder descongestionar o resto dos mercados e evitar uma oferta excessiva de frutos.

Benefícios para a saúdeEditar

Estudos mostraram que a romã pode ajudar a reduzir a pressão arterial e ser utilizada na prevenção de alguns problemas cardiovasculares. Um estudo da Universidade Queen Margaret, na Escócia, mostra que o seu consumo leva a um aumento de testosterona que pode variar entre 16% e 30%. Também é popularmente conhecida por ter como ótimo fruto e semente para ajudar no controle regular do fluxo menstrual.[7]

Referências

  1. «Punica granatum L., The Plant List, Version 1». Royal Botanic Gardens, Kew and Missouri Botanical Garden. 2010 
  2. Costa, João Nogueira da. «Cinco frutos com nomes geográficos». Ciberdúvidas da Língua Portuguesa. Consultado em 3 de abril de 2021 
  3. Silva, Maria Luiza Berwanger da. «A origem da palavra romã» (PDF). Consultado em 3 de abril de 2021 
  4. Romanelli, R. C. «A propósito da etimologia do port. romã». Consultado em 3 de abril de 2021 
  5. Coimbra.R.; Manual de Fitoterapia; Ed. CEJUP, 1994
  6. Balmé, F.; Plantas medicinais, ed. Helmus 1994.
  7. «Estudo revela que romã é viagra natural» 
  • MANICA, I. Frutas Nativas e Exóticas 4. Romã. Porto Alegre, RS, Cinco Continentes. 90p.?, 2007? (no prelo em fase de edição).
  • VASCONCELOS, J. C. V. - Noções sobre a Morfologia Externa das Plantas Superiores. Lisboa: DirecçãoLGeral dos Serviços Agrícolas, 1969

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