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Ruínas lusitano-romanas da Boca do Rio

Ruínas lusitano-romanas da Boca do Rio
Praia da Boca do Rio, em 2019. No centro vêem-se os armazéns da Companhia de Pescarias do Algarve, construídas em cima das ruínas romanas.
Tipo Vila rústica
Início da construção Século II
Proprietário inicial Império Romano
Função inicial Residência privada
Proprietário atual Estado Português
Aberto ao público Sim
Património Nacional
Classificação Logotipo Anta Vilarinho PT.png Imóvel de Interesse Público
(Decreto n.º 129/77, DR n.º 226, de 29-09-1977)
DGPC 73198
SIPA 1222
Estado de conservação Mau
Geografia
País Portugal Portugal
Cidade Vila do Bispo
Coordenadas 37° 3' 57.8" N 8° 48' 36.09" O
Geolocalização no mapa: Faro
Ruínas lusitano-romanas da Boca do Rio está localizado em: Faro
Ruínas lusitano-romanas da Boca do Rio

O conjunto das Ruínas lusitano-romanas da Boca do Rio, também conhecido como Villa Romana da Boca do Rio, é um monumento no concelho de Vila do Bispo, no Distrito de Faro, em Portugal.

Carta Arqueológica do Algarve, publicada em 1878 por Estácio da Veiga. A Boca do Rio está identificada como local de vestígios da idade do ferro.

DescriçãoEditar

As ruínas romanas estão situadas na zona da Boca do Rio, uma baía de pequenas dimensões junto ao Oceano Atlântico, no concelho de Vila do Bispo, no Barlavento Algarvio.[1] Situa-se na foz da Ribeira de Budens, entre as localidades de Salema e Burgau.[carece de fontes?]

O complexo incluía uma villa e várias estruturas produtivas, como tanques de salga para peixe e marisco, onde era fabricado o garum,[2] um molho à base de peixe muito apreciado durante a civilização romana.[1] A parte residencial (pars urbana), onde estava a villa estava situada na zona sul do complexo, mesmo na orla costeira, tendo sido por isso quase totalmente destruída pelo oceano.[1] A parte produtiva situava-se a Norte, e consistia em várias pequenas oficinas, e foi organizada de forma típica para este tipo de estruturas, com as valas em redor de espaços abertos.[1]

Posteriormente, a Companhia de Pescas do Algarve construiu um armazém sobre os antigos balneários romanos.[2]

HistóriaEditar

Ocupação originalEditar

O complexo da Boca do Rio foi ocupado desde o segundo ao quinto século antes de Cristo, durante o domínio romano da Península Ibérica.[1]

Verificou-se que a zona passou por grandes alterações geográficas ao longo dos tempos, devido à acumulação dos sedimentos, que transformou um grande espaço ocupado pelo mar numa zona seca com apenas três pequenas linhas de água, modificação essa que poderá ter tido efeitos drásticos na ocupação romana.[1]

RedescobertaEditar

 
Estatueta de bronze encontrada por Estácio da Veiga na Boca do Rio, e que provavelmente representa a figura mitológica da abundância.

As ruínas da Boca do Rio foram investigadas pelo arqueólogo Estácio da Veiga.[1]

Em 2017, iniciou-se um ciclo de escavações arqueológicas nas ruínas da Boca do Rio, por parte das Universidades de Marburgo, Colónia e Aachen, em colaboração com a Universidade do Algarve.[1] Estas escavações foram feitas no âmbito dum programa sobre a produção de molhos à base de peixe na Hispânia, financiado pela Fundação Alemã de Pesquisa.[1] Este projecto envolveu vários alunos universitários, com o apoio da Associação Arqueológica do Algarve.[1] Em 2017, uma investigação geofísica do local descobriu a existência de um porto, composto por pontão de calcário, com cerca de 40 m de comprimento, com pedras furadas para atracar barcos, uma rampa e degraus de acesso, que estava enterrado por debaixo das dunas.[1] Também foram encontradas valas com dois metros de profundidade, onde era produzido o garum.[1] As várias pesquisas geofísicas, em conjunto com escavações no local, permitiram uma nova visão da organização e da complexidade do conjunto romano da Boca do Rio.[1] Em Abril de de 2019, a Associação Arqueológica do Algarve organizou duas conferências em São Brás de Alportel, sobre os resultados das escavações na Boca do Rio.[1]

Outro motivo de interesse na Boca do Rio é ser um dos melhores sítios para estudar o Sismo de 1755, que devastou a cidade de Lisboa e grande parte da costa algarvia.[1]

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n o ROBERTSON, Jane (30 de Março de 2019). «Algarve Archaelogical Association Talk». The Portugal News (em inglês) (1519). Lagoa: Anglopress Edições e Publicidade. p. 19 
  2. a b Vilas e Aldeias do Algarve Rural, 2003:40
 
O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre as ruínas romanas da Boca do Rio

BibliografiaEditar

  • Vilas e Aldeias do Algarve Rural 2ª ed. Faro: Globalgarve / Alcance / In Loco / Vicentina. 2003. 171 páginas. ISBN 972-8152-27-2 

Ligações externasEditar