Samba-enredo

Samba de enredo
Origens estilísticas Samba
Contexto cultural Meados da década de 1930 Brasil
Instrumentos típicos [1]

Samba-enredo, também chamado de samba de enredo, é um subgênero do samba feito especificamente para o desfile de uma escola de samba. É um estilo de samba que consiste na junção de uma letra e uma melodia criadas a partir de um resumo do tema escolhido como enredo de uma escola de samba para sua respectiva apresentação carnavalesca.[2][3]

Outrora eram de criação livre os primeiros sambas cantados pelas escolas de samba e, geralmente, eles falavam do âmbito e do próprio samba e também da realidade dos sambistas.[2] A partir de meados da década de 1930, a instituição da competição oficial entre as escolas de samba do Rio de Janeiro levou essas agremiações a se comprometer com temas apresentados para os desfiles, que passaram a narrar principalmente episódios e exaltar personagens da historiografia oficial brasileira.[2]

Anualmente, as escolas de samba costumam promover concursos internos, onde várias músicas são apresentadas ao público em suas quadras, onde ao final, normalmente entre os meses de setembro e outubro, uma delas é escolhida como samba-enredo oficial para o Carnaval do ano seguinte. Algumas vezes, opta-se por fundir dois ou mais sambas-enredo que sejam do agrado dos membros da escola.[4] O samba campeão embala a escola durante a fase de preparação, ensaios técnicos até ser apresentado no desfile de carnaval. Para que um samba seja considerado samba-enredo, o mesmo deve retratar o enredo escolhido pela comissão de carnaval da escola (não confundir enredo com tema). O samba-enredo é um dos quesitos utilizados no julgamento dos desfiles das escolas. A evolução da escola em muito depende do andamento do samba e seu desenrolar na avenida: Algumas escolas preferem o samba mais calmo, outras muito agitado, ou ainda mais românticos! Tudo depende de seu estilo de desfile que pode mudar de carnaval para carnaval. Escolas de Samba que tradicionalmente se apresentam com uma quantidade muito grande de componentes, em geral usam uma batida mais rápida para acelerar o movimento dos foliões na avenida e manter a harmonia do conjunto.

HistóriaEditar

Considera-se como primeiro samba-enredo, um samba da Unidos da Tijuca cantado no desfile de 1933,[5] embora haja controvérsias sobre o assunto.[6]

Até 1947 as escolas de samba cantavam durante o desfile, dois ou três sambas que não faziam alusão ao enredo. Composto de um refrão pronto anteriormente e, durante o desfile, eram feitas improvisações. Em 1946, a instituição que, à época, organizava os desfiles das escolas de samba, proibiu a improvisação, exigindo que todas usassem o samba-enredo, que já havia surgido, sendo cantado eventualmente por algumas escolas. Ficou famoso neste ano o caso da escola de samba Prazer da Serrinha, que ensaiou o samba-enredo "Conferência de São Francisco" (de autoria de Silas de oliveira e Mano Décio da Viola), mas no momento do desfile acabou por apresentar um samba de terreiro, o que levou a escola a uma má colocação e precipitou o surgimento da dissidência Império Serrano, no ano seguinte.

O primeiro samba-enredo gravado foi "Exaltação a Tiradentes", de Fernando Barbosa Júnior e Mano Décio da Viola, Estanislau Silva e Penteado, pelo cantor Roberto Silva, com o título reduzido para simplesmente "Tiradentes", para o Carnaval de 1955, mas obteve pouca repercussão. O samba tinha sido apresentado pela Império Serrano, originalmente em 1949.

Em 1967, o samba-enredo da Mangueira "O Mundo Encantado de Monteiro Lobato" fez sucesso por todo o Brasil, em gravação de Eliana Pittman, estimulando o lançamento do primeiro álbum de sambas-enredo, que reunia todos os sambas do ano, em 1968, intitulado "Festival do Samba".

Referências

Fontes consultadasEditar

  • Marcondes, Marcos Antônio, ed. (1977). Enciclopédia da música brasileira - erudita, folclórica e popular. 2 1ª ed. São Paulo: Art Ed 
  • Lopes, Nei; Simas, Luiz Antonio (2015). Dicionário da História Social do Samba 2ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira 

Ligações externasEditar