A sextina é um poema que apresenta um dos sistemas estróficos mais difíceis e raros.[1] [2]

HistóriaEditar

Criada por Arnaut Daniel, no século XII, foi usada por alguns dos grandes poetas, como Dante, Petrarca, Camões, etc. No Brasil dela se utilizaram Jorge de Lima, Américo Jacó, Waldemar Lopes, Edmir Domingues, Dirceu Rabelo, Alvacir Raposo, Geraldino Brasil e outros.

EstruturaEditar

Compõe-se de seis sextetos e um terceto final, a coda. Utilizando versos decassilábicos, tem as palavras (ou as rimas) finais repetidas em todas as estrofes, num esquema pré-determinado.[3] Assim, as palavras (ou rimas) que aparecem na primeira estrofe, na seqüência de versos 1, 2, 3, 4, 5, 6, repetem-se na estrofe seguinte, na seqüência 6, 1, 5, 2, 4, 3. E se faz na estrofe seguinte a seqüência 6, 1, 5, 2, 4, 3 em relação à estrofe anterior. E assim até a sexta estrofe, finalizando os sextetos. O terceto final, ou coda, tem, em cada verso, no meio e no fim, marcando as sílabas tônicas, as palavras (ou rimas) utilizadas no poema todo, na posição em que se apresentaram na primeira estrofe.

ComentáriosEditar

Ezra Pound, referindo-se à sextina, disse:

"A arte de Arnaut Daniel não é literatura. É a arte de combinar palavras e música numa seqüência onde as rimas caem com precisão e os sons se fundem ou se alongam."

Ao que Edmir Domingues objetou, dizendo:[1]

"Mas é este o objetivo de toda a verdadeira poesia, o perfeito encontro entre a forma e o conteúdo, entre a linguagem e a música".

Ver tambémEditar

Para sextinas na música

 Ver artigo principal: quiáltera

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Referências

  1. a b DOMINGUES, EDMIR. Universo Fechado ou O Construtor de Catedrais. Recife: Bagaço, 1996.
  2. Prefeitura municipal de Esteio (6 de março de 2020). «Poema em sextina vence o sexto esteio da poesia gaúcha». Consultado em 21 de julho de 2022 
  3. Vício da Poesia. «Foge-me pouco a pouco a curta vida». Consultado em 21 de julho de 2022 

Ligações externasEditar