Suiabe

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Suiabe (em persa: سوی آب; chinês tradicional: 碎葉, chinês simplificado: 碎叶, pinyin: SuìyèWade-Giles: Sui4-yeh4), também conhecida como Orduquente (Ordukent) ou Aquebexim (Ak-Beshim), foi uma antiga cidade da Rota da Seda, localizada a cerca de cinquenta quilómetros de Bisqueque e a oito quilómetros a sudoeste de Tokmok, no vale do rio Chui, no hodierno Quirguistão.

Suyab
Ordukent
Localização atual
País Quirguistão
Província Chuy
Dados históricos
Abandono século XI
Notas
Escavações 1938–década de 1950
Estado de conservação em ruínas

HistóriaEditar

O assentamento de mercadores soguedianos floresceu ao longo da Rota da Seda nos séculos V e VI. O nome da cidade vem do nome do rio Suiabe,[1] cujo nome é de origem iraniana (em persa suy significa "para" + ab significa "água(s)", tornando-se em "para (em direcção) à(s) água(s)".[2] A primeira notícia que há dela é do peregrino chinês Xuanzang que viajou pela zona em 629.[3][4]

Durante o reinado de Tongue Iabegu Cã, Suiabe foi a principal capital do Grão-Canato Túrquico Ocidental.[5] O grão-cã também tinha uma capital estival em Navecate perto de Tasquente no vale de Talas, sendo consideradas as capitais mais occidentais do grão-canato.[6] Havia uma cooperação entre os soguedianos e os goturcos; os primeiros eram os responsáveis pela prosperidade económica e os segundos encarregados da segurança militar urbana.

Após a queda do grão-canato, Suiabe foi anexada pelo Império Tang, no qual se tornou num posto avançado nas fronteiras occidentais do império entre 648 e 719. Uma fortaleza chinesa foi construída na cidade em 679 e o budismo floresceu. Segundo algumas fontes, o grande poeta Li Bai nasceu em Suiabe.[7] O viajor chinês Du Huan, o qual visitou Suiabe depois de 751 e achou, entre ruínas, um mosteiro budista ativo, onde a princesa Jiaohe, filha de Ahina Huaidao, costumavam morar.[8][9]

Suiabe foi um das quatro guarnições do Protetorado de Anxi até 719, quando foi cedida ao grão-cã Suluque do Grão-Canato Turguexe, que aparece nos documentos da corte chinesa como o "leal e obediente grão-cã".[1][10] Após o assassinato de Sulu em 738, a cidade foi rapidamente tomada de novo pelas forças chinesas, juntamente com Talas.[11] O forte era estrategicamente importante durante as guerras entre a China e o Tibete. Em 766, a cidade caiu para um governante carluco, aliado com o recém-criado Grão-Canato Uigur.

A história da cidade a partir de então é obscura, especialmente após a evacuação chinesa das quatro guarnições em 787. David Nicolle diz que Suiabe muniu com oitenta mil guerreiros o exército carluco e foi governada por um homem conhecido como o "Rei de Heróis".[12] Hudud al-Alam completada em 983, lista Suiabe como uma cidade de vinte mil habitantes. Acha-se que foi substituída por Balasagum no começo do século XI e abandonada pouco depois.

Sítio arqueológicoEditar

No século XIX as ruínas de Ak-Beshim foram erradamente identificadas como Balasagum, a capital de Caraquitai. Wilhelm Barthold, visitou o sítio em 1893-94, apoiou também essa identificação.[13] Embora a escavações começaram em 1938, não foi até à década de 1950 quando foi determinado que o sítio já tinha sido abandonado já no século XI e por conseguinte, não podia ser Balasagum, a qual tinha florescido até o século XIV.[14]

O sítio arqueológico de Suiabe cobre cerca de trinta hectares. Como prova do clima multicultural e vibrante de Suiabe, o sítio aloja ruínas de fortificações chinesas, igrejas cristãs. ossuários zoroastristas e bal-bais túrquicos. O sítio tem várias estátuas do Buda e estelas.[15] Além de vários templos budistas, havia uma igreja e um cemitério nestoriano do século VII e provavelmente um mosteiro do século X com frescos e inscrições nos sistemas de escrita soguediano e uiguire.[16]

Referências

  1. a b Xue (1998), p. 136-140, 212-215.
  2. «TalasChu». www.talaschu.org (em inglês). Consultado em 5 de novembro de 2017. Arquivado do original em 21 de julho de 2011 
  3. Ji (1985), p. 25.
  4. Ye. I. Lubo-Lesnichenko. Svedeniya kitaiskikh pismennykh istochnikov o Suyabe (Gorodishche Ak-Beshim). [Information of Chinese Written Sources about Suyab (Ak-Beshim)]. // Suyab Ak-Beshim. St. Petersburg, 2002. Pages 115-127.
  5. Grande Enciclopédia Soviética, 3.ª ed. Artigo "Grão-Canato Turco".
  6. Xue (1992), p. 284-285
  7. Zhongguo fu li hui, Chung-kuo fu li hui. China Reconstructs. China Welfare Institute, 1989. Page 58.
  8. Forte A. An Ancient Chinese Monastery Excavated in Kirgizia // Central Asiatic Journal, 1994. Volume 38. № 1. Pages 41-57.
  9. Cui (2005), p. 244-246
  10. Zongzheng, Xue (1992), p. 596-597, 669
  11. Zongzheng, Xue (1992), p. 686
  12. Nicolle (1990), p. 32.
  13. Бартольд В.В. Отчет о поездке в Среднюю Азию с археологической целью ("report on an archaeological campaign in Central Asia"), collected writings, vol. 4
  14. Г.Л. Семенов. Ак-Бешим и города Семиречья. // Проблемы политогенза кыргызской государственности. ("Ak-Beshi and the cities of Semirechya - problems of politogenesis in the Kyrgyz statehood") – Бишкек: АРХИ, 2003. – с. 218-222.
  15. Горячева В.Д., Перегудова С.Я. Буддийские памятники Киргизии ("Buddhist monuments of Kyrgyzstan"), pp. 187-188.
  16. Kyzlasov L.R. Arkheologicheskie issledovaniya na gorodishche Ak-Beshim v 1953-54 gg. [Archaeological Exploration of Ak-Beshim in 1953-54.]. // Proceedings of the Kama Archaeological Expedition. Vol. 2. Moscow, 1959. Pages 231-233.
    Semyonov G.I. Monastyrskoe vino Semirechya [The Wine of Semirechye Monasteries]. // Hermitage Readings in Memory of Boris Piotrovsky. St. Petersburg, 1999. Pages 70-74.

BibliografiaEditar

  • Cui, Mingde (2005). The History of Chinese Heqin. Beijing: People's Press. ISBN 7-01-004828-2.
  • Nicolle, David (1990). Attila and the Nomad Hordes. Osprey Publishing. ISBN 0-85045-996-6.
  • Ji, Xianlin(1985). Journey to the West in the Great Tang Dynasty. Xi'an: Shaanxi People's Press.
  • Xue, Zongzheng (1998). Anxi and Beiting Protectorates: A Research on Frontier Policy in Tang Dynasty's Western Boundary. Harbin: Heilongjiang Education Press. ISBN 7-5316-2857-0.
  • Xue, Zongzheng (1992). A History of Turks. Beijing: Chinese Social Sciences Press. ISBN 7-5004-0432-8.