Teodoro de Siceão

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Teodoro de Siceão
Morte 22 de abril de 613 em Constantinopla
Veneração por Igreja Ortodoxa
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Teodoro de Siceão foi um reverenciado asceta bizantino que viveu entre a primeira metade do século VI e o décimo terceiro ano do reinado do imperador Heráclio (ou seja, 613) no começo dos anos 600. Sua hagiografia, escrita após 641, é a principal fonte primária para o reinado do imperador Heráclio (r. 610–641).[1][2]

Durante o reinado do imperador Maurício (r. 582–602), ele predisse a morte do imperador e "grandes tribulações, terríveis flagelos [que] ameaçam o mundo". Ele logo provou-se correto com a eclosão da guerra de 26 anos contra o Império Sassânida provocada pela morte de Maurício.[3] Ele foi um amigo íntimo da família do imperador Focas (r. 602–610). Apesar disso, ele falou de:

O tremor da cruz prevê uma multidão de desgraças e perigos para nós. Sim, ela prevê flutuações em nossa fé, e apostasias, invasões e muitos povos bárbaros, inundações de sangue espalhadas, ruína e cativeiro para todos, a desolação das santas igrejas, a suspensão do serviço divino, a guerra e perturbação do império, embaraços sem número e tempos sérios para o Estado. Em suma, anuncia que a chegada do Inimigo [demônio] é breve.[4]

Além disso, ele só iria rezar por Focas se o último parasse de massacrar pessoas. Ainda, após a rebelião bem sucedida do imperador Heráclio, ele interveio para salvar a vida de Domencíolo, o sobrinho de Focas. Em troca, Teodoro de Siceão foi convocado a "rezar por [Heráclio] e seu reino."[5]

Teodoro de Siceão tinha boas relações com o patriarca Sérgio I de Constantinopla.[6] O historiador Walter Kaegi diz que Heráclio "pode sempre ter sentido alguma restrição em suas relações com" Teodoro.[7] Durante a Quaresma de 613, Heráclio pediu para Teodoro abençoar a luta contra os persas. Teodoro abençoou-o e convidou-o para jantar, mas Heráclio recusou por causa das preocupações do momento. Contudo, o santo alegou que não aceitar os presentes do santo é um "sinal de nossa derrota";[8] na verdade, Heráclio perdeu a batalha de Antioquia. Ele morreu em 22 de abril de 613. Seus restos foram rapidamente trazidos para Constantinopla para protegê-los da guerra persa e para adicionar a proteção divina para a cidade. Uma elaborada cerimônia de recepção dos restos associou São Teodoro com o regime de Heráclio.[2]

Referências

  1. Kaegi 2003, p. 9-10.
  2. a b Kaegi 2003, p. 76.
  3. Kaegi 2003, p. 19.
  4. Kaegi 2003, p. 39.
  5. Kaegi 2003, p. 53.
  6. Kaegi 2003, p. 60.
  7. Kaegi 2003, p. 73.
  8. Kaegi 2003, p. 75-76.

BibliografiaEditar