Tibério Emílio Mamerco

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Tibério Emílio Mamerco (em latim: Tiberius Aemilius Mamercus), chamado também de Tibério Emílio Mamercino, foi um político da gente Emília nos primeiros anos da República Romana eleito cônsul por duas vezes, em 470 e 467 a.C., com Lúcio Valério Potito, cônsul pela segunda vez, e Quinto Fábio Vibulano respectivamente. Caio Emílio Mamercino, tribuno consular em 394 e 391 a.C., era seu neto.[1]

Tibério Emílio Mamerco
Cônsul da República Romana
Consulado 470 a.C.
467 a.C.

BiografiaEditar

Tibério Emílio[a] pertencia ao ramo Mamercino (ou Mamerco)[b] da nobre gente Emília, uma antiga gente patrícia da Roma Antiga. Era filho de Lúcio Emílio Mamerco (ou Mamercino).

Primeiro consulado (470 a.C.)Editar

Foi eleito em 470 a.C. juntamente com Lúcio Valério Potito.[4][2]

Durante seu mandato, os tribunos da plebe novamente trouxeram a questão da reforma agrária perante o Senado Romano, proposta durante o consulado de Espúrio Cássio Vecelino e Próculo Vergínio Tricosto Rutilo (Lex Cassia agraria). Os dois cônsules pareciam favoráveis, mas Tibério ainda nutria uma antiga mágoa contra os senadores, que haviam negado ao seu pai, Lúcio Emílio Mamerco, um triunfo depois de sua vitória contra os veios em 478 a.C. A proposta acabou rejeitada, principalmente por causa dos esforços de Ápio Cláudio, cônsul do ano anterior[5]

Furiosos com o resultado, os tribunos Marco Duílio e Cneu Sício se vingaram acusando Ápio Cláudio de uma variedade de crimes, o suficiente para que ele fosse levado a julgamento; porém, Ápio Cláudio morreu antes, frustrando os tribunos. Segundo Lívio,[2] Ápio ficou gravemente enfermo e morreu antes do processo; segundo Dionísio de Halicarnasso, ele se suicidou, mas seus parentes disfarçaram inventando uma doença.[6]

No mesmo ano, os dois cônsules foram enviados para lutar contra dois povos inimigos de Roma, Tibério contra os sabinos e Lúcio contra os équos. Depois de algumas escaramuças, romanos e sabinos mantiveram suas posições sem entrar em combate direto, retirando-se depois de alguns dias sem um vencedor ou perdedor.[7][8]

Segundo consulado (467 a.C.)Editar

Ele foi eleito novamente em 467 a.C., desta vez com Quinto Fábio Vibulano,[9][10] mais uma vez apoiando a lei agrária.

Novamente houve forte discordância por parte de senadores e dos proprietários de terras, temerosos de perderem suas terras. Quinto Fábio propõs distribuir à plebe apenas as terras conquistadas dos volscos no ano anterior pelo cônsul Tito Quíncio Capitolino Barbato, fundando uma colônia perto de Anzio (em latim: Antium).[10] Esta solução conseguiu manter a paz social na cidade, mas não agradou à população, que se sentiu afastada de casa. Somente uns poucos aderiram e uma parte das terras acabaram distribuídas entre os aliados latinos e hérnicos, e, quando não havia mais pretendentes, uma parte foi devolvida aos habitantes de Anzio.[9]

Ainda durante o seu segundo mandato, Tibério marchou contra os sabinos, mas, sem encontrar nenhum exército para lutar, limitou-se a devastar o território inimigo.[9]

Ver tambémEditar

Cônsul da República Romana
 
Precedido por:
'Ápio Cláudio Sabino Inregilense

com Tito Quíncio Capitolino Barbato

Lúcio Valério Potito II
470 a.C.

com Tibério Emílio Mamerco

Sucedido por:
'Tito Numício Prisco

com Aulo Vergínio Tricosto Celimontano

Precedido por:
'Tito Quíncio Capitolino Barbato II

com Quinto Servílio Prisco

Tibério Emílio Mamerco II
467 a.C.

com Quinto Fábio Vibulano

Sucedido por:
'Quinto Servílio Prisco II

com Espúrio Postúmio Albo Regilense


NotasEditar

  1. Segundo Lívio, seu praenomen era Tito.[2]
  2. A família mais antiga da gente Emília.[3]

Referências

  1. Broughton (1951), p. 90
  2. a b c Lívio, Ab Urbe Condita Libri, II, 61.
  3. Smith, vol. II, p. 910.
  4. Dionísio, Antiguidades Romanas IX, 51.
  5. Dionísio, Antiguidades Romanas IX, 51-54.
  6. Dionísio, Antiguidades Romanas IX, 54.
  7. Dionísio, Antiguidades Romanas IX, 55.
  8. Lívio, Ab Urbe Condita Libri, II, 62.
  9. a b c Dionísio, Antiguidades Romanas IX, 59.
  10. a b Lívio, Ab urbe condita libri III, 1.

BibliografiaEditar

Fontes primáriasEditar

Fontes secundáriasEditar

Ligações externasEditar