Uberização

Uberização é um neologismo que descreve a mercantilização total de uma atividade econômica baseada em serviços. Assenta-se no processo de transformação do trabalho, pelo qual os trabalhadores fazem uso de bens privados — como um carro — para oferecer serviços por meio de uma plataforma digital. Também chamada de economia de compartilhamento, essa modalidade de trabalho é pautada pelo trabalho por demanda.[1]

O nome é derivado do nome da empresa "Uber", que desenvolveu um aplicativo móvel (app) que permite que os consumidores solicitem um carro. Essa solicitação é então direcionada a um motorista do aplicativo que busca o usuário onde ele estiver.[2][3]

Empresas "uberizadas" são caracterizadas pelos seguintes elementos:[4]

  • O uso de uma plataforma digitalizada que permite transações peer-to-peer ou quasi-peer-to-peer.
  • O encurtamento da distância entre o provedor e um consumidor de um serviço.
  • O uso de um sistema de avaliação para a qualidade do serviço prestado.

A uberização foi criticada por facilitar o declínio de indústrias de trabalho intensivo, e assim, ameaçando empregos.[5] Também gerou preocupações relacionadas à regulamentação governamental e à taxação na medida em que gerou discussões sobre a extensão em que o provedor do serviço deveria ser responsável por obedecer a regulamentações e obrigações tributárias.[6] Outra crítica recorrente na sociologia do trabalho diz respeito à precarização do trabalho nesse tipo de profissão. É importante destacar ainda que, no caso do Brasil, onde a desigualdade racial se sobrepõe à desigualdade social, grande parte desses trabalhadores são jovens negros, que trabalham todos os dias com uma carga horária maior que a padrão da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).[7]

PrevalênciaEditar

A uberização tem, até agora, ocorrido em uma quantidade limitada, mas crescente, de indústrias. Por exemplo, com o advento da Airbnb, a indústria hoteleira foi transformada em grande parte, estimada pelos analistas do setor como tendo um valor total anual, apenas em Nova York, de mais de US $ 2,1 bilhões.[8] Enquanto a uberização tem sido criticada como potencialmente catalisadora de uma mudança caótica ao minar os modelos corporativos existentes nos setores de hotelaria e táxi, as empresas existentes em setores como marketing podem usar o fenômeno para reduzir despesas e fornecer serviços mais especializados para os clientes.[9]

Referências

  1. «Bernoulli 1a Série Sociologia». Belo Horizonte: Editora DRP Ltda. 2021. p. 68 
  2. Rusli, Evelyn (6 de junho de 2014). «Uber Dispatches trips». Wall Street Journal. Consultado em 7 de novembro de 2014 
  3. Goode, Lauren (17 de junho de 2011). «Worth It? An App to Get a Cab». The Wall Street Journal. Dow Jones & Company 
  4. Pichère, Pierre (29 de abril de 2016). «Les artisans face au choc de l'ubérisation». Le Moniteur. pp. 12–15. Consultado em 8 de maio de 2016 
  5. «The 'uberisation' of the workplace is a new revolution». EurActiv.com 
  6. «'Uberisation' of economies pinching state tax revenues». Business Insider. 27 de setembro de 2015 
  7. «Entregadores Ciclistas de Aplicativo». Multiplicidade Mobilidade Urbana. 1 de agosto de 2019. Consultado em 1 de setembro de 2021 
  8. «New study confirms Airbnb's negative impact on hotel industry». web.archive.org. 6 de novembro de 2015. Consultado em 4 de setembro de 2021 
  9. "Taking uberization to the Field - Disruption is coming for Field Marketing" - CSO
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