Unified Task Force

A Unified Task Force - UNITAF (Força Tarefa Unificada) foi uma força multinacional conduzida pelos Estados Unidos, sancionada pelas Nações Unidas que operou na República da Somália entre 9 de dezembro de 1992 a 4 de maio de 1993. A iniciativa dos Estados Unidos (de codinome “Operação Restore Hope” ou “Operação Restaurar a Esperança”), a UNITAF foi criada pela Resolução 794 do Conselho de Segurança das Nações Unidas: para criar um ambiente protegido a fim de conduzir operações humanitárias ao sul da Somália.

Operação Restore Hope
Guerra Civil da Somália
Marines of the 15th Marine Expeditionary Unit (MEU) arrive at the airport in an AAVP-7A1 amphibious assault vehicle during the multinational relief effort Operation Restore Hope - DPLA - e376551d4846b013708eed304efbf060.jpeg
15ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais chegam ao aeroporto em um veículo de assalto anfíbio AAVP-7A1 durante o esforço de socorro multinacional em 20 dezembro de 1992. Operação Restore Hope.
Data 9 de dezembro de 1992 - 4 de maio de 1993
Local Somália
Desfecho Sucesso operacional das Nações Unidas
Beligerantes
 Nações Unidas
Somália Congresso Somali Unido e várias facções rebeldes
Comandantes
Estados Unidos George H. W. Bush
Estados Unidos Bill Clinton
Nações Unidas Boutros Boutros-Ghali
Somália Mohamed Farrah Aidid
Baixas
EUA:
43 mortos
153 feridos[1]
Itália:
3 mortos
36 feridos
Austrália:
1 mortos
3 feridos[2]
Malásia:
1 morto
Grécia:
1 morto
não conhecido

Após a morte de 24 soldados das Forças de Manutenção de Paz do Paquistão no início de junho, o Conselho de Segurança mudou o mandato para UNOSOM II, que autoriza os Estados «a utilizarem todos os meios necessários para a instauração […] de condições de segurança para as operações de auxílio humanitário na Somália», em conformidade com o Capítulo VII da Carta das Nações Unidas.[3] A UNITAF foi vista como um sucesso pela coalizão;[4] porém considerada um fracasso pela opinião pública, já que foram atacados em terreno e não puseram fim a guerra civil.[5]

HistóriaEditar

Após a queda do regime de Siad Barre, presidente e ditador de Somália desde 1969, no início de 1991, a Somália, entregue à luta entre facções rivais, afundou-se na anarquia. A população civil foi a primeira a sofrer nessa desagregação dos quadros políticos e econômicos locais.

A intensa violência desencadeada criou uma crise humanitária de grandes proporções ao longo da parte sul da Somália. As ações das Nações Unidas, através da UNOSOM I (estabelecida em 24 de Abril de 1992, pela Resolução 751 do Conselho de Segurança da ONU) baseada no Capítulo VI da Carta da ONU, que incluíram uma pequena força de observadores militares em Mogadíscio e transporte aéreo de comida para as áreas importantes e periféricas a fim de supervisionar o cessar-fogo em Mogadíscio e escoltar as missões de apoio humanitário provaram-se ineficazes. A violência entre os clãs e faixas de milícia armada limitaram os observadores ao Aeroporto de Mogadíscio e impediram os esforços de ajuda humanitária de organizações internacionais.

 
Criança somali segurando um dos folhetos americanos diante da câmera. O folheto representa um homem somali apertando a mão de um membro das Forças Armadas dos Estados Unidos. O desenho transmite ao povo somali a imagem de que os Estados Unidos estão tentando ajudar a acabar com a sua fome e seu sofrimento e estão como seus aliados. Os folhetos foram usados ​​em apoio direto à Operação Restore Hope.

Em dezembro de 1992, os Estados Unidos, junto com vários outros membros da ONU, lançaram a Força Tarefa Unificada (UNITAF) através da Resolução 794, aceitando a oferta dos Estados Unidos de envio de tropas, ao serviço da ONU, sob comando norte-americano, com o objetivo de estabelecer um ambiente seguro para a distribuição de ajuda humanitária e devolver as condições de normalidade à Somália, porém agora no âmbito do Capítulo VII da Carta.

 
Blindados leves dos Estados Unidos e da Itália patrulham as ruas de Mogadíscio em janeiro de 1993.
 
O presidente dos EUA George H.W. Bush (à esquerda) em visita a Somália para testemunhar em primeira mão, os esforços da Força Tarefa

As operações humanitárias evoluíram para uma missão de segurança que resultou em um conflito entre as forças dos Estados Unidos e das Nações Unidas (ONU) com os clãs somalis armados. A UNOSOM II, que foi implementada após a Resolução 814, de 26 de Março de 1993, para prevenir o reacender da violência, controlar as ações de desarmamento, proceder à desminagem, efetuar recolocação de refugiados e proteger pessoal e material da ONU e das ONGs, também com autorização para usar a força, se necessário, de acordo com o referido Capítulo VII.

Os acontecimentos na Somália alcançaram seu auge no dia 3 de outubro de 1993, quando forças especiais do Exército dos Estados Unidos, como parte da operação Serpente Gótica, desencadearam uma incursão militar em Mogadíscio para capturar apoiadores do chefe e senhor da guerra fugitivo Mohammed Farah Aidid. Isolados nas estreitas ruas e ruelas da capital somali, os Rangers do Exército americano e operadores da Força Delta combateram em uma batalha desesperada contra a população e rebeldes armados após a queda de dois helicópteros americanos por parte da milícia hostil, enquanto uma coluna de socorro da ONU tentava reforçar as posições americanas. Quando a batalha terminou, 18 americanos estavam mortos, 77 feridos e 1 havia sido capturado. Esse acontecimento seria dramatizado no filme Black Hawk Down de Ridley Scott. Os homens da milícia de Aidid celebraram profanando o corpo de um americano morto, arrastando-o pelas ruas de Mogadíscio diante das câmeras. Esse choque causado aos americanos decidiu a rápida retirada de suas tropas do país; em março de 1994, grande parte das Forças americanas já haviam deixado a Somália. A ONU retirou-se em 1995.

Depois disso, os Estados Unidos evitaram a Somália e se recusaram a participar de qualquer operação de intervenção ou manutenção da paz no continente africano, inclusive durante o genocídio de Ruanda, em 1994.

Referências

BibliografiaEditar

Ligações externasEditar