Vítor de Tununa (em latim: Victor Tunnunensis; m. c. 569) foi um bispo bizantino da cidade norte africana de Tununa e cronista da Antiguidade Tardia, considerado um mártir por Isidoro de Sevilha.[1]

Vítor
Nascimento século VI
Morte 569
Constantinopla
Nacionalidade Império Bizantino
Ocupação Bispo
Religião Cristianismo
Soldo de Justino II (r. 565–578)
Bráulio de Saragoça e Isidoro de Sevilha numa iluminura medieval

Vida editar

A pouca informação a respeito de sua vida é oriunda de entradas em sua própria crônica. Era acérrimo apoiante dos Três Capítulos condenados pelo édito de Justiniano (r. 527–565) de 544, e por conta disso foi preso pelo metropolita Primoso de Cartago.[2] A sua primeira prisão foi no mosteiro de Mandrácio, perto de Cartago. Depois foi exilado nas Ilhas Baleares e então no Egito, num mosteiro em Canopo.[3] Em 564[4]/565,[3] Vítor e cinco outros bispos africanos foram convocados diante de Justino II (r. 565–578) e o patriarca Eutíquio (577–582) em Constantinopla e ordenados a se submeterem ao édito imperial. Quando se recusaram a fazê-lo, foram presos em mosteiros diferentes por toda Constantinopla. Vitor morreu cerca de 569, muito provavelmente ainda confinado num mosteiro da capital imperial.[4]

Obras editar

Vítor é o quinto autor e continuador da crônica iniciada por Sexto Júlio Africano (c. 160–240), que fora continuada desde o século III por Eusébio de Cesareia (ca. 260/5–339/340), Jerônimo de Estridão (c. 347–420) e Próspero da Aquitânia (ca. 390–455); abrange o período que perpassa da criação do mundo ao ano de 566. Vítor, enquanto em confinamento, escreveu o trecho de 444 a 566.[3] A Crônica tem grande valor histórico, lidando principalmente com a heresia eutiquiana, a controvérsia sobre os Três Capítulos e fornece detalhes a respeito dos arianistas e a invasão dos vândalos. No geral, assuntos da Igreja recebem mais atenção que outros citados na obra. Foi posteriormente continuada até 590 por João de Biclaro, fundador da Abadia de Biclaro no Reino Visigótico, e então por Isidoro de Sevilha, que estendeu-a até 616.[5] Vitor é também provavelmente autor de Sobre a Penitência (em latim: De Poenitentia), um tratado anteriormente atribuído a Ambrósio de Milão e impresso por Migne,[6] embora por vezes atribua-se a autoria deste tratado a outro bispo, Vítor de Cartena.[7]

Referências

  1. Herrin 1989, p. 241.
  2. Burns 2014, p. 80.
  3. a b c Wolf 1999, p. 2, 5, 48, 57.
  4. a b Catholic Encyclopedia Incorporated 1912, p. 412.
  5. «Isidore of Seville, Chronicon (2004). English Translation.» (em inglês). Consultado em 3 de maio de 2015 
  6. «Victor» (em inglês). Consultado em 3 de maio de 2015 
  7. Martyn 2008, p. 580.

Bibliografia editar

  • Burns, J. Patout; M. Jensen, Robin (2014). Christianity in Roman Africa: The Development of Its Practices and Beliefs. Grand Rapids, Michigão: Wm. B. Eerdmans Publishing. ISBN 146744037X 
  • Catholic Encyclopedia Incorporated (1912). The Catholic Encyclopedia: Volume Fifteen: An International Work of Reference On The Constitution, Doctrine, Discipline, And History Of The Catholic Church. Nova Iorque: The Encyclopedia Press, INC 
  • Herrin, Judith (1989). The Formation of Christendom. Princeton, Nova Jérsei: Imprensa da Universidade de Princeton. ISBN 0-691-00831-0 
  • Martyn, John R. C. (2008). «Arians and Vandals of the 4th–6th centuries. Annotated translations of the historical works by bishops Victor of Vita (Historia persecutionis Africanae provinciae) and Victor of Tonnena (Chronicon), and of the religious works by bishop Victor of Cartenna (De paenitentia) and saints Ambrose (De fide orthodoxa contra Arianos), and Athanasius (Expositio fidei)». Imprensa da Universidade de Cambrígia. 61 (3) 
  • Wolf, Kenneth Baxter (1999). Conquerors and Chroniclers of Early Medieval Spain. Liverpul: Imprensa da Universidade de Liverpul. ISBN 0-85323-554-6