Vasco Fernandes de Ataíde

nobre português

Vasco Fernandes de Ataíde (c. 1390 - 21 de Agosto de 1415) foi um cavaleiro português que obrou prodígios de valor na tomada de Ceuta, ali morrendo gloriosamente.[1]

Vasco Fernandes de Ataíde
Vedor da casa do infante D. Henrique
Armas do chefe da linhagem dos Ataídes (Livro do Armeiro-mor, de 1509)
Nascimento c. 1385
Morte Ceuta, 21.08.1415
Pai Martim Gonçalves de Ataíde, Alcaide-mor de Chaves
Mãe Mécia Vasques Coutinho
Ocupação Fidalgo, Militar

BiografiaEditar

Era filho de Martim Gonçalves de Ataíde, Alcaide Mor do Castelo de Chaves, e de sua mulher Mécia Vasques Coutinho e irmão do 1.º Conde de Atouguia.[2]

Foi vedor e governador da casa do infante D. Henrique, de quem era muito próximo.[3]

Na tomada de Ceuta, foi um dos fidalgos que, impacientes por combater, acompanharam o Infante D. Henrique e o príncipe D. Duarte na sortida e desembarque que estes fizeram a 21 de Agosto de 1415, sem ordem do Rei D. João I. Vasco Fernandes de Ataíde foi o cavaleiro que, depois de ter entrado na cidade, correu ao longo dos muros e veio, apesar da resistência dos mouros, abrir uma porta da cidade para dar entrada aos Portugueses noutro ponto da muralha. Pagou com a vida o seu feito de armas e, entre os fidalgos, foi a única vítima portuguesa na conquista da Praça Africana.[1]

Ao seu falecimento se refere uma inscrição em Latim "num penhasco sob uma Torre, parecendo ser aquele letreiro o único vestígio subsistente da permanência dos Portugueses em Ceuta"[2].

Anselmo Braamcamp Freire transcreve assim o texto em Latim: Vascus Ataydes primus dum hanc occupat arcem; Saxum hoc ad limen vitaque, morsque fuit - e traduz desta forma o significado: "Esta pedra fora para Vasco de Ataíde, o primeiro a entrar na fortaleza, ao mesmo tempo a sua vida e a sua morte".[2]

Não deixou geração, passando a sua representação para a casa dos condes de Atouguia, que viria a ser fundada por seu irmão primogênito, D. Álvaro Gonçalves de Ataíde.

Na LiteraturaEditar

A propósito de Vasco Fernandes de Ataíde, Anselmo Braamcamp Freire refere Antoine de La Sale[4], fidalgo e escritor francês, na sua obra Reconfort a Madame de Neufville (ou Madame du Fresne), datada do ano de 1458. Nesse livro, La Sale procura reconfortar o coração da senhora de Neufville, magoada pela recente morte do seu filho primogênito, narrando-lhe dois casos de estoica resignação de que tinham dado exemplo duas mães, vítimas de análoga desgraça; sendo uma delas Mécia Vasques Coutinho, cujo filho Vasco Fernandes de Ataíde morrera na conquista de Ceuta.

La Sale conhecia o sucedido de perto, pois havia estado em Ceuta em 1415, integrado na força portuguesa que conquistou a cidade.[5]

Referências

  1. a b Vários. Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. [S.l.]: Editorial Enciclopédia, L.da. pp. Volume 3. 618 
  2. a b c Freire, Anselmo Braamcamp (1921). Brasões da Sala de Sintra, Livro Primeiro. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra. p. 81, 84, 84. Consultado em 4 de setembro de 2019 
  3. Campos, Nuno Luís de Vila-Santa Braga (2013). A Casa de Atouguia, os Últimos Avis e o Império. Dinâmicas entrecruzadas na carreira de D. Luís de Ataíde (1516-1581. Lisboa: Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa. p. 40. Consultado em 13 de outubro de 2019 
  4. «Antoine de la Sale». Wikipedia (em inglês). 19 de agosto de 2018 
  5. Freire, Anselmo Braamcamp (1913). «Um aventureiro na empresa de Ceuta». Livraria Ferin, Lisboa. p. 30. Consultado em 10 de julho de 2020