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A W3 sul é uma avenida localizada na região sul do Plano Piloto de Brasília, mais precisamente a terceira avenida paralela ao eixo rodoviário, no lado oeste da Asa Sul. Faz parte da área tombada como Patrimônio Cultural da Humanidade, concedido pela UNESCO

Índice

A CriaçãoEditar

Após o concurso nacional para o Plano Piloto de Brasília, em 1957, JK deu início ao seu plano com a ajuda de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer. A arquitetura foi planejada juntamente com o projeto paisagístico. A disposição dos centros político, econômico e social foi detalhada, segundo Lúcio Costa, em escalas: a gregária, a monumental, a residencial .

As ruas e avenidas também foram determinadas, segundo a concepção de Lúcio Costa. Embora as atividades da W3 sul estejam voltadas ao comércio, tal avenida reside na escala residencial. De início, o Relatório do Plano Piloto referia-se à via W3 como uma área destinada ao abastecimento das residências, dispostas ao longo da faixa rodoviária.

O nível de detalhamento do estudo de Lúcio Costa estende-se à organização da área, determinando onde instalaria as garagens, as oficinas, os depósitos do comércio, as floriculturas, as hortas, os pomares, os mercadinhos, as barbearias, enfim, todos os serviços prestados à comunidade.

Mudanças EstruturaisEditar

Porém, em 1958, o próprio Lúcio Costa reconheceu que a proposta inicial não atendia à demanda populacional que Brasília enfrentava, e decidiu por construir, urgentemente, casas geminadas na faixa destinada à floricultura, horta e pomar, para os primeiros técnicos e suas famílias, que vieram em 1958.

(...)Assim sendo, antes de proceder a um estudo do centro urbano propriamente dito, cabe observar grosso-modo o comportamento e a distribuição do comércio e das atividades ao longo dos primeiros 25 anos de Brasília. Como a ocupação residencial começou no meio da Asa Sul (casas geminadas e primeiras Superquadras) e prosseguiu por longo tempo descontínua, na primeira fase a W3 foi o ‘centro’ da cidade pequena que Brasília ainda era... Com o adensamento da ocupação das Superquadras da Asa Sul, os Comércios Locais se desenvolveram, tornando-se verdadeiros comércios de bairro, e de certa forma ‘drenaram’ a W3, que hoje tem características bem mais próximas ao previsto no plano.(Lúcio Costa, 1985 apud IAB p.33)

Além disso, notou-se mudanças na proposta original quanto à posição das lojas. Estas “estariam voltadas para a W2, de frente para os Blocos Residenciais, enquanto a Via W3 seria apenas uma via de serviço, localizada entre essa área comercial e a parte destina às hortas e pomares.” Entretanto, o que aconteceu foi o contrário, o comércio para o atendimento ao público voltou-se para a W3, enquanto que os depósitos e estoques de materiais voltaram-se para a W2. Logo, em 1975, de acordo com o IAB, os objetivos das Quadras 500 Sul foram modificados, permitindo, então (IAB, 2002, p.40):

  • construção de 03 (três) pavimentos em todo lote, para complementação das lojas, ou construção de residências e/ou escritórios;
  • construção abrangendo dois ou mais lotes;
  • acessos independentes para os pavimentos superiores;
  • térreo ocupado exclusivamente com lojas;
  • permissão de construção de subsolos como complementação das lojas;
  • acesso aos lotes extremos dos blocos pela fachada lateral;
  • permissão de edificação de marquises na fachada voltada para a via W2, o que exigiu um afastamento de 3,00m nesta fachada.


Quanto às Quadras 700 Sul, muito das mudanças ocorridas se deram devido à própria W3 Sul, como:

  • alteração do parcelamento na Quadra 714 em 1 de outubro de 1968 pela planta SHIGS PR 6/3;
  • localização de subestações da Companhia Energética de Brasília – CEB em 1986, 1987, 1993 e 1994;
  • implementação de semáforos nos cruzamentos com as vias transversais;
  • remanejamento de semáforos em 1973 e 1974;

Mudanças SociaisEditar

Além das modificações da estrutura física, relatos de moradores, usuários e comerciantes comprovam também as mudanças no que diz respeito às relações sociais. É o caso da alemã Gerda Gumprich que mora em uma casa na quadra 714 há 41 anos. Ela compara o passado e o presente da avenida: “Foi uma fase gostosa. Só tenho saudade mesmo é da segurança que tínhamos, diferente do que é hoje. A violência aumentou muito em Brasília”(apud GÓIS, 2002).

As opiniões vão ao encontro quando o assunto aborda a atual situação da avenida. Percebe-se que alguns prédios estão na iminência de desabamento, há pontos de comércios fechados, calçadas em más condições de uso e banheiros depredados. E para complementar esse quadro, há ainda atos de vandalismo e pichações (QUELEM, 2001).

Os carnavais, os restaurantes, bares e cursos preparatórios também contribuíram para aproximar a população local. É o que afirma Hely Walter Couto (apud AZEVEDO, 2002), proprietário da rede Pioneira da Borracha e prefeito da W3: “essa via já foi o melhor ponto comercial da cidade. O desfile do Carnaval era aqui, os melhores restaurantes eram aqui. Ela era o coração de Brasília.”

A W3 sul hoje e suas perspectivasEditar

Atualmente, apesar dos problemas existentes, a W3 Sul continua proporcionando cultura aos brasilienses. Porém, as deficiências de alguns espaços fazem com que ele perca alguns potenciais de aproveitamento. É o caso do Espaço Cultural Renato Russo, situado na quadra 508, da Biblioteca Demonstrativa, na 506, e do SESC, na 508. O fisioterapeuta Fernando Calixto, morador da 706 sul, opina que:

“a W3 deveria partir para os cursos e área cultural. Já temos um bom exemplo na 508 sul que deu muito certo. Poderíamos abrir mais teatros e até cinemas que atrairiam um bom público” (apud AZEVEDO, 2002).

Assim, o que hoje se vê ao longo da avenida são lojas pouco frequentadas devido à falta de estacionamento e estrutura competitiva com os shoppings, casa que se tornaram pousadas e uma ausência de vida noturna.

Isso demonstra como a avenida pode ser apropriada pela cultura, aproveitando-se do papel de Brasília no cenário cultural nacional. Na área musical, por exemplo, vêm surgindo artistas que contribuem com a construção da identidade e da memória da cidade e de seus habitantes, inclusive na W3 Sul, onde se verifica a existência de estúdios de ensaio e locais que dão oportunidades para a apresentação dos artistas.

Dentro desse dinâmico contexto, pode-se perceber, hoje, que a W3 Sul não mais é cenário da vida social nem econômica dos habitantes de Brasília, como esperava Lúcio Costa. O palco dos carnavais de antigamente é, agora, o abandono de toda uma proposta inovadora.

Com o intuito de reverter esse cenário, já foram elaborados projetos e propostas para que ocorressem melhorias na avenida W3 Sul, entretanto eles ainda não foram concretizados. Desde 1978, havia reivindicações por modificações, quando a Associação de Lojistas da W3 sul pediu para que o trafego de ônibus e táxis trouxesse de volta os consumidores, pois estes passaram a utilizar os shoppings. Em 1997, foi discutida a revitalização urbana da W3 Sul com base em projeto de lei nº 1.780, de 25 de novembro de 1997, de autoria do ex-deputado distrital, Luiz Estevão.

Vários pareceres para mudanças também já foram propostos pelos diversos segmentos representativos da sociedade, como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a Secretaria de Cultura e Esporte do Distrito Federal, o Departamento do Patrimônio Histórico e Artístico (DEPHA), a Gerência de Projetos, Restauro e Conservação (GPRC), a Federação das Indústrias do DF, o Instituto de Planejamento Territorial e Urbano do Distrito Federal (IPDF) e até os comerciantes locais.

Em 1998, empresários e o prefeito da W3 tentaram mudar a situação da avenida com propostas de iluminação e mais vagas. Essas reivindicações foram feitas ao governador da época, que prometeu agir para recuperar o movimento dela e de consumidores.

Como se pode observar, durante mais de uma década fala-se em revitalizar a avenida, mas os projetos não vão adiante. O fato de Brasília ser tombada como patrimônio cultural da humanidade, pela ONU, dificulta o andamento das reformas necessárias.

Em uma verdadeira tentativa de revitalizá-la, o Governo do Distrito Federal assinou um convênio com o Instituto dos Arquitetos do Brasil para a promoção de um concurso nacional de projetos de arquitetura.

Participaram do Concurso Nacional de Idéias e Estudos Preliminares de Arquitetura e Urbanismo para a Revitalização da Via W3, 22 projetos, de todo o País. O coordenador do concurso de projetos, representando o IAB, foi o arquiteto e professor da UnB, Aleixo Anderson Furtado, auxiliado por Evangelos Christakou; o vencedor do Concurso foi o arquiteto (também professor da Universidade de Brasília) Frederico Flósculo P. Barreto, que coordenou uma equipe de 11 (onze psicólogos).

Essa inusitada equipe foi criada a partir dos membros do Laboratório de Psicologia Ambiental, do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (coordenado, por sua vez, pelo psicólogo Hartmut Gunther). Sua proposta é de revitalizar a Avenida W3 através de constituição de um corredor cultural, com participação comunitária - principalmente das Prefeituras das quadras.

Foram ainda classificados mais cinco projetos de urbanismo, que, conforme o edital do Concurso, devem ter aspectos de suas propostas integrados aos investimentos e obras públicas nessa fração do Plano Piloto de Brasília. Estes subsidiarão as discussões entre governo e diversos segmentos representativos da sociedade, como o IAB e o IPHAN, para a formulação de um projeto final e definitivo de revitalização (VIEIRA, 2002).

O projeto ganhador do arquiteto Frederico Flósculo P. Barreto e sua equipe de psicólogos ambientais é centrada na participação comunitária e em pressupostos de ecologia social. Envolve variedades de medidas que consideram atividades comerciais, culturais, lazer, segurança que induzem as mudanças para os aspectos físicos e funcionais do sistema viário, do mobiliário e dos equipamentos urbanos, bem como os aspectos audiovisuais de informação e comunicação.

A partir de 2007, o Governador do DF José R. Arruda, decidiu contratar o renomado urbanista Jaime Lerner, ex-prefeito de Curitiba e ex-governador do Paraná, para traçar o projeto de revitalização da W3.

Referências BibliográficasEditar

AZEVEDO, Fabrício. W3 está perto do renascimento. In: Jornal da Comunidade, 5 de setembro de 2002.

GÓIS, Fabíola. Orgulho de pioneiro. In: Correio Braziliense, 21 de abril de 2003. Disponível em: <<http://www.correioweb.com.br/hotsites/minhacasa/5.htm>> Acesso em: 21 de novembro de 2003.

IAB. Dossiê do concurso. Brasília: 2002.

QUELEM, Naiobe. W3 Sul: pichada e abandonada. In: Correio Braziliense, 23 de dezembro de 2001.

VIEIRA, Marcelo. Arquitetos querem criar vagas subterrâneas na W3. In: Grande Brasília, 5 de setembro de 2002.