Ícone cultural

Um ícone cultural é um artefato identificado por membros de uma cultura como representante da mesma. O processo de identificação é subjetivo, e os "ícones" são julgados pela extensão em que podem ser vistos como representantes autênticos dessa cultura. Quando os indivíduos percebem um ícone cultural, eles o relacionam com suas percepções gerais da identidade cultural representada.[1] Ícones culturais também podem ser identificados como uma representação autêntica das práticas de uma cultura por outra.[2]

Torta de maçã, beisebol e a bandeira dos Estados Unidos são três ícones culturais americanos.

Na mídia, muitos itens e pessoas da cultura popular foram chamados de "icônicos", apesar de sua falta de durabilidade, e o termo "ícone pop" agora é frequentemente usado como sinônimo. Alguns comentaristas acreditam que a palavra é usada de modo excessivo ou ruim.[3]

Os valores, normas e ideais representados por um ícone cultural variam tanto entre as pessoas que o subscrevem e, mais amplamente, entre outras pessoas que podem interpretar os ícones culturais como simbolizando valores bastante diferentes. Assim, uma torta de maçã é um ícone cultural dos Estados Unidos, mas seu significado varia entre os americanos.

Ícones nacionais podem se tornar alvos para aqueles que se opõem ou criticam um regime, por exemplo, multidões destruindo estátuas de Vladimir Lenin na Europa Oriental após as Revoluções de 1989[4] ou queimando a bandeira americana para protestar contra as ações americanas no exterior.[5]

Ícones religiosos também podem se tornar ícones culturais em sociedades onde religião e cultura estão profundamente entrelaçadas, como as representações da Madona em sociedades com uma forte tradição católica.[6]

ExemplosEditar

Uma pesquisa baseada na web foi criada em 2006, permitindo ao público indicar suas ideias para ícones nacionais da Inglaterra,[7] e os resultados refletem a gama de diferentes tipos de ícones associados a uma visão inglesa da cultura inglesa. Um exemplo é o ônibus vermelho de dois andares AEC Routemaster London.[8][9][10][11]

A boneca matriosca é vista internacionalmente como ícone cultural da Rússia.[12] Na ex-União Soviética, o símbolo da foice e do martelo e as estátuas de Vladimir Lenin representavam os ícones culturais mais proeminentes do país.

RepercussãoEditar

Descrever algo como icônico ou como um ícone se tornou muito comum na mídia popular. Isso atraiu críticas de alguns. Por exemplo, um escritor do Liverpool Daily Post chama de "icônico" "uma palavra que faz minha carne arrepiar", uma palavra "pressionada a servir para descrever quase tudo".[13] Mark Larson, do Christian Examiner, rotulou "icônico" como uma palavra usada em demasia, encontrando mais de dezoito mil usos de "icônico" apenas nas notícias, com outros trinta mil para "ícone".[14]

Referências

  1. Grayson, Kent; Martinec, Radan (1 de setembro de 2004). «Consumer Perceptions of Iconicity and Indexicality and Their Influence on Assessments of Authentic Market Offerings». Journal of Consumer Research. 31 (2): 296–312. ISSN 0093-5301. doi:10.1086/422109 
  2. Motley, Carol M.; Henderson, Geraldine Rosa (1 de março de 2008). «The global hip-hop Diaspora: Understanding the culture». Journal of Business Research. Cross-Cultural Business Research. 61 (3): 243–253. doi:10.1016/j.jbusres.2007.06.020 
  3. «Heard about the famous icon? We have – far too often». The Independent. London. 27 de janeiro de 2007. Arquivado do original em 26 de outubro de 2012 
  4. Jones, Jonathan (9 de dezembro de 2013). «Why smashing statues can be the sweetest revenge». Guardian 
  5. Laessing, ulf (14 de setembro de 2012). «Anti-American fury sweeps Middle East over film». Reuters 
  6. Anthony B Pinn; Benjamin Valentin, eds. (2009). Creating Ourselves, African Americans and Hispanic Americans on popular culture and religious expression. [S.l.]: Duke University Press 
  7. «Our Collection». icons.org.uk. Consultado em 16 de agosto de 2014. Arquivado do original em 19 de agosto de 2014 
  8. Jenkins, Simon (outubro de 2005). Godson, Dean, ed. «Replacing the Routemaster» (PDF). 7 páginas. Consultado em 15 de dezembro de 2012. Arquivado do original (PDF) em 27 de fevereiro de 2013 
  9. British Postal Museum & Archive: Icons of England Arquivado 2014-12-05 no Wayback Machine. Retrieved 15 December 2012.
  10. Culture24: Icons of England. Retrieved 15 December 2012.
  11. Parker, Mike (2012). Cultural Icons: A Case Study Analysis of their Formation and Reception (PhD Thesis). Chapter 5: The Spitfire Aircraft. [S.l.]: University of Central Lancashire. pp. 123–167 
  12. Bobo, Suzanna (25 de dezembro de 2012). «Scuttlebutt: Wooden toy tells a story of love and industry». Kodiak Daily Mirror. Consultado em 9 de abril de 2013 
  13. Let's hear it for the Queen's English, Liverpool Daily Post
  14. Modern word usage amazingly leaves us yearning for gay, old times Arquivado 2010-12-25 no Wayback Machine, Christian Examiner

BibliografiaEditar

  • Biedermann, Hans (1994). Dictionary of Symbolism: Cultural Icons and the Meanings Behind Them. [S.l.]: Meridan 
  • Brooker, Will (2001). Batman Unmasked: Analysing a Cultural Icon. [S.l.]: Continuum 
  • Edwards, Peter; Enenkel, Karl; Graham, Elspeth, eds. (2011). The Horse as Cultural Icon: The Real and the Symbolic Horse in the Early Modern World. [S.l.]: Brill 
  • Foudy, Julie; Leslie Heywood; Shari L Dworkin (2003). Built to Win: The Female Athlete as Cultural Icon. [S.l.]: University of Minnesota Press 
  • Gilbert, Erik (2008). The Dhow as Cultural Icon. [S.l.]: Boston University * Heyer, Paul (2012). Titanic Century: Media, Myth, and the Making of a Cultural Icon. [S.l.]: Praeger 
  • Heyer, Paul (2012). Titanic Century: Media, Myth, and the Making of a Cultural Icon. [S.l.]: Praeger 
  • Meyer, Denis C. (2010). Cles Pour la France en 80 Icones Culturelles. [S.l.]: Hachette 
  • Nelkin, Dorothy; M Susan Lindee (2004). The DNA Mystique: The Gene as a Cultural Icon. [S.l.]: University of Michigan Press 
  • Reydams-Schils, Gretchen J (2003). Plato's Timaeus as Cultural Icon. [S.l.]: University of Notre Dame Press 

Ligações externasEditar