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Abedim

freguesia de Monção, Portugal
Disambig grey.svg Nota: Para a aldeia de Gondomil, concelho de Valença, veja Abedim (Valença).
Portugal Portugal Abedim 
  Freguesia  
Abedim, Monçao.JPG
Localização no concelho de Monção
Localização no concelho de Monção
Abedim está localizado em: Portugal Continental
Abedim
Localização de Abedim em Portugal
Coordenadas 41° 59' 13" N 8° 30' 20" O
País Portugal Portugal
Concelho MNC.png Monção
Administração
- Tipo Junta de freguesia
- Presidente José António Nogueira Rodrigues (PPD/PSD)
Área
- Total 8,89 km²
População (2011)
 - Total 205
    • Densidade 23,1 hab./km²
Website www.jf-abedim.com

Abedim é uma freguesia portuguesa do concelho de Monção, distrito de Viana do Castelo, com 8,89 km² de área e 205 habitantes (2011)[1]. A sua densidade populacional é 23,1 h/km². Dista 22 km da sede do concelho.

Sobre os montes circundantes desta localidade existem vestígios de uma torre antiquíssima, a cuja edificação presidem várias lendas, esta torre foi mandada demolir no século XV. Era o Castelo de São Martinho da Penha.

HistóriaEditar

Abedim era, em 1747, uma freguesia do termo de Monção. No secular obedecia à Comarca de Viana, e no eclesiástico à de Valença. Pertencia ao Arcebispado de Braga, e à Província do Minho. Tinha 156 fogos, e o seu donatário era Gastão José da Câmara Coutinho, como donatário da Casa de Pico de Regalados.

A situação desta freguesia era nas faldas de um monte, do qual se viam muitas terras e freguesias, como eram, entre outras, as seguintes: São Miguel da Barroca, Santa Maria de Moreira, São João de Longos-Vales, e Santa Eulália de Lara.

A igreja paroquial estava fora do povoado, com suas casas de residência junto a ela, e o seu orago era Nossa Senhora da Conceição. Tinha quatro altares, a saber: o altar-mor, o de Nossa Senhora do Rosário, o de São Sebastião, e outro das Almas, com sua Irmandade. O pároco era abade, o qual além dos frutos da freguesia, tinha a metade dos frutos da igreja de Santo André das Faias, que era sua anexa; e a outra metade ficava para um benefício simples, que havia na igreja, e renderia trinta mil reis. Havia mais outro benefício simples, que tinha alguns dízimos próprios, e além dos quais comia a sexta parte da Igreja, o qual poderia render trinta mil reis; e tirado tudo isto, poderia a Igreja render trezentos mil reis.

Havia nesta freguesia duas ermidas: Uma de São Mamede, e outra de São Martinho. Os frutos que colhia eram centeio, milho grosso e vinho verde.

Nesta paróquia havia um monte não muito grande, que ficava entre Coura e os moradores de Monção, no qual havia uma coisa digna de admiração; e era que, a pouca distância desta Igreja para a parte do monte, perto de um castanhal, se viam assim que anoitecia duas luzes, que permaneciam até sair a aurora. Eram muito celebradas neste Reino, e no de Galiza, e se divisavam de muitas léguas; e quanto mais ao longe eram vistas, mais claras e resplandecentes se manifestavam. Porém, querendo algumas pessoas indagar de perto a causa e origem destas luzes, era constante que nunca o puderam conseguir; porque ao mesmo tempo que se iam avizinhando ao sítio em que apareciam, pouco a pouco se diminuíam, até desaparecerem totalmente. E era tradição antiga que sempre apareceram.[2]

Também nesta freguesia, em um sítio fronteiro a este da parte do Norte, havia dois pináculos quase sobre si: Em um deles esteve uma torre muito larga de pedra lavrada, segundo dela se vê, e dos alicerces, que ainda existem, a qual mandou deitar abaixo um abade desta freguesia. No princípio deste pináculo estava uma caverna de pedras naturais, capaz de receber dez homens, coberta por cima pela natureza, e com uma fonte dentro, que corria todo o ano; mais acima tinha outra concavidade pelo mesmo modo com água nativa, capaz de receber dentro duzentos homens, à qual se iam seguindo outras concavidades mais pequenas e sem água. Na parte mais elevada estava a torre, fora da qual se achavam uns caixões de tijolo enterrados na superfície da terra; e junto deles uma pedra rasa, que tinha no meio uma como sepultura, e nela havia água todo o ano; na qual lavando-se os que padeciam chagas, ou feridas, se achavam logo sãos, e livres de toda a moléstia. Era muito custoso subir ao monte aonde a fonte estava; e para se ir acima se ia por umas escadinhas, que estavam feitas na mesma penha; na qual de uma e outra parte se divisavam umas rasgaduras nas pedras, que pareciam ter servido para descanso de algumas traves; do que, e de muitos telhões grossos, que por aquele sítio apareciam, se infere houve em tempo antigo algum edifício nele.

Na falda do mesmo monte para a parte do Poente está a Ermida de São Martinho da Penha, assim chamada por estar encostada a um grande penedo. O altar era sagrado, e toda a casa, como se vê das cruzes que nela se descobriam.

A torre, de que se faz menção, diziam a mandara fazer uma Rainha chamada Isabel, a qual vivendo com seu marido, que era gentio, enfadada disto se veio meter nestas terras; o que vendo seu marido, a veio sitiar na mesma torre em que estava, para a fazer render por falta de mantimento. E neste tempo, querendo o Rei pescar, o não permitiam os mares pela fúria com que andavam; e quanto mais crescia a fúria das ondas, tanto mais nele crescia o desejo de algum peixe. Neste tempo, a Santa Rainha, estando em oração na sua torre, passou uma águia e lhe deitou duas trutas no regaço; e sabendo, por revelação de Céu, o desejo que tinha o Rei de comer peixe, lhas mandou ambas; o qual vendo que a Rainha não podia sair, e por outra parte, que ainda que saísse, as não podia pescar, conheceu que aquilo só podia proceder da Lei em que ela vivia, e por esta causa se converteu. Com a Rainha assistiam treze bispos, que dizem foram os que sagraram a Ermida de São Martinho da Penha; e por esta razão se chama São Martinho da Penha da Rainha. Tudo isto era bem sabido e vulgar nesta freguesia e nos vizinhos, como afirmava a tradição comum de pais a filhos. Fique a fé com seus autores.[3]

PopulaçãoEditar

População da freguesia de Abedim [4]
1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
536 545 545 548 563 574 484 563 537 524 465 352 311 260 205
Distribuição da População por Grupos Etários
Ano 0-14 Anos 15-24 Anos 25-64 Anos > 65 Anos 0-14 Anos 15-24 Anos 25-64 Anos > 65 Anos
2001 19 36 125 80 7,3% 13,8% 48,1% 30,8%
2011 17 11 106 71 8,3% 5,4% 51,7% 34,6%

Referências