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Acidente com o Douglas C-47 prefixo PP-LPG

acidente aéreo ocorrido em 12 de julho de 1951
Desastre aéreo no rio do Sal, região do povoado Sobrado, do município de N. Sra. do Socorro, proximidades de Aracaju, capital do estado de Sergipe
Acidente aéreo
Douglas C-47A da Cruzeiro do Sul, similar ao avião acidentado. A Cruzeiro do Sul foi uma das últimas companhias aéreas a aposentar o C-47, utilizando essas aeronaves até 1974.
Sumário
Data 8:40 da manhã de Quinta-feira, 12 de julho de 1951
Causa Indefinida.
Local Brasil, Rio do Sal, Aracaju, Sergipe
Origem Brasil Aeroporto de Natal
Escala Natal Recife, Maceió, Aracaju, [[Rio de Janeiro (cidade)|
Destino Rio de Janeiro
Passageiros 28
Tripulantes 4
Mortos 32 (28 passageiros e 4 tripulantes)
Feridos 0
Sobreviventes 0
Aeronave
Modelo Estados Unidos [[Douglas DC-3 prefixo PP-LPG das Linhas Aéreas Paulistas LAP
Operador Brasil [[Linhas Aéreas Paulistas (L.A.P)
Prefixo PP-LPG
Primeiro voo 1944

O Desastre aéreo de Aracaju foi um acidente aéreo ocorrido em 12 de julho de 1951. Durante a execução dos procedimentos de pouso por instrumentos, um Douglas C-47 Skytrain da empresa Linhas Aéreas Paulistas se chocou com uma árvore localizada a 3 km da pista do aeroporto de Aracaju. No choque morreram todos os 33 ocupantes da aeronave.[1]

AeronaveEditar

O Douglas C-47 Skytrain era uma das versões militares do Douglas DC-3. Durante a Segunda Guerra Mundial, mais de 10 mil aeronaves desse modelo foram fabricadas. Após o fim do conflito, tornaram-se inúteis para o exército americano, sendo assim vendidas como material excedente de guerra para serem convertidas em aeronaves de uso civil por centenas de empresas aéreas do mundo. Após receber autorização para operar em território nacional, as Linhas Aéreas Paulistas acabaram adquirindo 5 aeronaves Douglas C-47 Skytrain que foram entregues em 1946. A aeronave acidentada foi fabricada em 1944, tendo o número de série 14822/26267 e recebeu o prefixo PP-LPG.[2]

AcidenteEditar

O Douglas C-47 decolou no início da manhã no aeroporto de Natal. Após fazer breves escalas em Recife e Maceió, preparava-se para a próxima escala em Aracaju. Chovia forte na capital sergipana, o que dificultava a aterrissagem. Por conta das condições meteorológicas desfavoráveis, a tripulação optou por efetuar um pouso guiado por instrumentos e NDB. Contam os moradores do povoado Sobrado, onde caiu o avião, que, por volta das 9 h, a aeronave passou sobre a região muito baixo e adernando para o lado, quando logo depois ouviu-se o estrondo; o avião tocou uma das asas na ponte ferroviária sobre o pequeno riacho Calumbi, um braço do rio do Sal, e caiu, espatifando-se na parte lamosa e de mangue deste rio, que é um dos afluentes do rio Sergipe, a apenas de 3 km da cabeceira da pista do campo de aviação. Os quatro tripulantes e os vinte e oito passageiros tiveram morte instantânea.[3]. Entre os passageiros mortos estavam o governador do Rio Grande do Norte Jerônimo Dix-sept Rosado Maia. Por conta da chuva forte e de a área da queda ser de difícil acesso, as equipes de resgate alcançaram a região dos destroços apenas 11 horas depois da queda.[4]Morreram no acidente as seguintes pessoas: Dix-Sept Rosado Maia, Governador do Rio Grande do Norte, e os doutores José Gonçalves e Felipe Pegado, respectivamente, diretores da Imprensa Oficial e da Agricultura, Sr. Jose Borges de Oliveira, senhora e filho Fernando Tavares Medeiros, Dr. Jacob Wolfson, Agenor Rodrigues, Pedro Santos, Sandoval Borges de Oliveira, Sra. Inácia do Carmo Silva, Osmarina Alves de Melo, Maria Sampaio de Melo, Sr. José Ivaldo Coutinho, Sr. Arnaldo Alves Diniz, Sra. Maria Aurea Diniz, Arnaldo Diniz Junior, Marcilio Sampaio de Melo, Joao da SILVA Sardinha, Sra. Tereza Maria Sampaio, Sra. Francisco Melo Sardinha, Sr. Valter Alves, Srs. Raimundo Soares e José Bento Sobrinho.


ConsequênciasEditar

 
Monumento erguido em homenagem a Dix-Sept Rosado, localizado na cidade de Mossoró, Rio Grande do Norte.

A morte do governador Dix-Sept Rosado causou grande comoção no Rio Grande do Norte, tendo o mesmo sido sepultado com honras de chefe de estado[6]. Sua viagem ao Rio era oficial e tinha como objetivo firmar um convênio com o Banco do Brasil para a execução de obras de melhoria do saneamento de Natal. [7]Passados treze dias de sua morte, o distrito mossoroense de Sebastianópolis recebeu o nome de Governador Dix-Sept Rosado. Anos depois o distrito seria elevado à categoria de município.[8]

Após a Segunda Guerra Mundial, a aviação nacional cresceu de forma vertiginosa, sendo que os investimentos em equipamentos modernos de navegação e treinamento de pessoal técnico não acompanharam esse crescimento. Com a navegação aérea baseada em equipamentos obsoletos e na fragilidade do NDB (que era suscetível a falhas por conta de interferências eletromagnéticas causadas por raios, antenas de rádio etc.) e cartas aéreas obsoletas, além de tripulações mal treinadas e pressionadas a cumprir horários cada vez mais apertados, os acidentes se tornaram frequentes. Isso, porém, não impediu o crescimento da aviação nacional.

 
A neutralidade deste artigo ou se(c)ção foi questionada, conforme razões apontadas na página de discussão deste artigo.

[carece de fontes?]

Essa foi a quinta aeronave perdida em acidente pelas Linhas Aéreas Paulistas nos seus 7 anos de operação, atestando a precariedade de suas operações.[9] Com isso restaram apenas duas aeronaves, o que impedia o cumprimento de sua concessão. Dessa forma, o desastre aéreo de Aracaju causou a falência da empresa, cujas aeronaves restantes foram adquiridas pelo Lóide Aéreo Nacional.

BibliografiaEditar

  • SILVA, Carlos Ari Cesar Germano da; O rastro da bruxa: história da aviação comercial brasileira no século XX através dos seus acidentes; Porto Alegre Editora EDIPUCRS, 2008, pp 108-111.

Referências

  1. Jornal do Brasil (13 de julho de 1951). «Espatifou-se contra o solo um avião da LAP». Ano LXI, número 160, páginas 1 e 7. Consultado em 2 de julho de 2012 
  2. Aviation Safety Network. «Accident description». Consultado em 2 de julho de 2012 
  3. SILVA, Carlos Ari Cesar Germano da (2008). O rastro da bruxa: história da aviação comercial brasileira no século XX através dos seus acidentes. [S.l.]: Editora EDIPUCRS, Porto Alegre. pp. 108–111. ISBN 978-85-7430-760-2 
  4. Raimundo Nonato Araújo da Rocha (2011). «Trágico acidente aéreo matou o governador e comoveu a população: narrativas sobre a morte de Dix-Sept Rosado». Camila Aparecida Braga Oliveira; Helena Miranda Mollo; Virgínia Albuquerque de Castro Buarque (orgs). Caderno de resumos & Anais do 5º. Seminário Nacional de História da Historiografia: biografia & história intelectual. Ouro Preto: EdUFOP,2011.(ISBN: 978-85-288-0275-7). Consultado em 2 de julho de 2012. Arquivado do original em 6 de novembro de 2013 
  5. Comte. Miranda - chefe da Base aérea de Natal (12 de janeiro de 1959). «TELEGRAMA». Camila Aparecida Braga Oliveira; Helena Miranda Mollo; Virgínia Albuquerque de Castro Buarque (orgs). Caderno de resumos & Anais do 5º. Seminário Nacional de História da Historiografia: biografia & história intelectual. Ouro Preto: EdUFOP,2011.(ISBN: 978-85-288-0275-7). Consultado em 2 de julho de 2012. Arquivado do original em 6 de novembro de 2013 
  6. Jornal do Brasil (14 de julho de 1951). «O desastre com o avião da Linhas Aéreas Paulistas». Ano LXI, número 161, páginas 1 e 6. Consultado em 2 de julho de 2012 
  7. Raimundo Nonato Araújo da Rocha (2011). «Trágico acidente aéreo matou o governador e comoveu a população: narrativas sobre a morte de Dix-Sept Rosado». Camila Aparecida Braga Oliveira; Helena Miranda Mollo; Virgínia Albuquerque de Castro Buarque (orgs). Caderno de resumos & Anais do 5º. Seminário Nacional de História da Historiografia: biografia & história intelectual. Ouro Preto: EdUFOP,2011.(ISBN: 978-85-288-0275-7). Consultado em 2 de julho de 2012. Arquivado do original em 6 de novembro de 2013 
  8. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). «Governador Dix-Sept Rosado Rio Grande do Norte - RN - Histórico» (PDF). Consultado em 2 de julho de 2012 
  9. SILVA, Carlos Ari Cesar Germano da (2008). O rastro da bruxa: história da aviação comercial brasileira no século XX através dos seus acidentes. [S.l.]: Editora EDIPUCRS, Porto Alegre. pp. 108–111. ISBN 978-85-7430-760-2 

Ligações externasEditar