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Afshar (em persa: افشار; também transliterado como Afşar,Avşar, Awshar ou Afschar; plural: Afşari ou Afşarlari) é um grupo étnico iraniano originário da Ásia Central. Integra o ramo Oguz dos povos túrquicos.[1] Os Afshar constituem uma das sete tribos

Índice

OrigemEditar

Segundo a tradição, Afshar é o filho mais velho de Jidiz , o terceiro filho do legendário Oguz Cã.[2] Em português, Afshar significa "caçador hábil" ou "aquele que liquida um negócio prontamente".

A origem dos Afshar remonta a um grupo de tribos oguzes - turcos que se deslocaram dos planaltos do Qibtshag para o Turquestão, em direção ao Irã. Muitos deles chegaram à Síria e mesmo à Ásia Menor. A maior parte, entretanto, permaneceu no sudoeste do Irã. Sob a direção de seu líder Xumla (1148–1174), pouco a pouco o clã aumentou sua influência política.

Forçados pelos mongóis a deixar seu lugar de origem, os Afshar instalaram-se na Pérsia e no Azerbaidjão, no final do século XII.

Ascensão políticaEditar

A ascensão dos Safávidas ao poder no Irã, no início do século XVI corresponde a um aumento do poder do clã. Com efeito, uma parte de suas elites será parte do exército dos Qizilbash - uma coalizão de clãs xiitas do Azerbaidjão, predominantemente de língua turca.[3]

Os Qizilbash, unidos pela crença na doutrina safávida do xiismo, conduzirão Ismail Xá Safavi (1499–1529) ao trono, dando início à dinastia dos safávidas. Posteriormente o designou os chefes das tribos integrantes da coalizão de apoio como seus representantes nas diferentes províncias iranianas. Por determinação do soberano, que pretendia deter os uzbeques, os Afshar se transferiram do Azerbaidjão para o Coração.

Já no século XVIII, a fraqueza dos Safávidas diante dos afegãos terá como consequência um dos períodos mais sangrentos da história do Irã, convertido em alvo de pilhagens e massacres.

Nesses anos turbulentos, um dos chefes Afshar, Nader Coli Bei Afxar, destaca-se como líder militar, ao expulsar os afegãos e restaurar o trono do safávida Tamaspe II, que será, no entanto, deposto pouco depois. Nader assumirá então a regência do Império Safávida, passando posteriormente a ocupar o trono ele próprio, como Nader Xá, dando assim início à dinastia dos Afsharidas.

Os Afshar são ainda muito numerosos no Azerbaidjão, Coração, Carmânia, Cuzestão, Veramin, Zanjian, Hamadã e Mazandarão e dentre eles, ainda existem grupos nômades.

Falam uma língua túrquica - afshar ou afshari, por muitos considerada como um dialeto azerbaidjano. Todavia, assim como no caso de muitas outras línguas túrquicas, a contiguidade de múltiplos dialetos torna difícil a distinção de limites entre línguas e dialetos. O afshari se distingue do azeri por um grande número de palavras de empréstimo do dari e pequenas diferenças fonéticas na pronúncia de vogais.

Referências

  1. OBERLING, P. "AFŠĀR". Encyclopædia Iranica.
  2. KHANAM, R. Khanam (ed.) Encyclopaedic ethnography of Middle-East and Central Asia: A-I, Volume 1.
  3. BRILLS, E. J. "Kizil-bash" First Encyclopaedia of Islam 1913-1936. Edited Mt Th. Houtsma, A. J. Wensinck, T. W. Arnold, W. Heffening e E. Levi-Provençal (editores), p. 1053-1054.]

Ver tambémEditar

Ligações externasEditar


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