Alexey Arakcheev

Conde Alexei Andreyevich Arakcheev ou Arakcheyev (em russo: граф Алексе́й Андре́евич Аракче́ев) (Novgorod, 4 de outubro de 1769 — Novgorod, 3 de maio de 1834) foi um general russo e estadista no reinado de Alexandre I.

Alexey Arakcheev
Retrato de Alexei Arakcheev, uma obra do pintor George Dawe, Museu da Guerra do Palácio de Inverno, Museu Hermitage, de São Petersburgo.
Dados pessoais
Nascimento 4 de outubro de 1769 Novgorod
Morte 3 de maio de 1834 (64 anos) Novgorod
Vida militar
Força Rússia Exército Imperial Russo
Anos de serviço 1787 – 1834
Hierarquia General
Comandos Batalhão de Artilharia da Guarda
Batalhas Guerra da Terceira Coligação, Guerra Finlandesa de 1808-1809
Honrarias

Serviu durante os reinados de Paulo I e Alexandre I como líder do exército e inspetor de artilharia, respectivamente. Tinha um temperamento violento, mas era em artilheiro competente, e reconhecido por sua eficiente reforma realizada na artilharia tzarista, conhecida por "Sistema de 1805".[1] Após a morte do tzar e a coroação de Nicolau I, Arakcheev perdeu todos os seus cargos e propriedades.

JuventudeEditar

Arakcheev nasceu na propriedade de seu pai, na guberniya de Novgorod. Descendente de uma antiga família de nobres, herdou de sua mãe, Isabel Vitlitsaya, a maioria de suas características, um amor insaciável pelo trabalho, um amor quase pedante por ordem e um sentimento ainda mais rigoroso de dever. Em 1788 entrou para o corpo de cadetes da nobreza do departamento de artilharia e engenharia, onde a sua capacidade, especialmente em matemática, logo chamou a atenção de seus superiores. Em julho de 1791 foi promovido a ajudante na equipe do Conde Nikolay Saltykov, que em setembro de 1792 recomendou-o para o tsarevich Paulo Petrovich como o oficial de artilharia mais capaz de reorganizar o corpo de exército mantido pelo príncipe no Palácio de Gatchina. Arakcheev rapidamente ganhou a confiança de Paulo pelo seu zelo escrupuloso e capacidade técnica inegável. Sua disciplina inexorável (considerada crueldade por lendas posteriores) logo fez do corpo de exército de Gatchina um modelo para o resto do exército russo.[2]

Reinado de Paulo IEditar

 Ver artigo principal: Paulo I da Rússia

Quando Paulo assumiu o trono russo, Arakcheev foi prontamente convocado para servir em São Petersburgo, nomeado comandante militar da capital, e major-general do batalhão de granadeiros da Guarda Preobrazhenskoye. Em 12 de dezembro de 1796, recebeu a fita da Ordem de Santa Ana e uma propriedade rica em Gruzina, na guberniya de Novgorod, o único presente substancial que aceitou durante toda a sua carreira militar.

Na coroação de Paulo (5 de abril de 1797) recebeu o título de Barão, e foi posteriormente promovido a intendente-geral e coronel de toda a Guarda Preobrazhenskoye. Foi a Arakcheev que Paulo confiou a reorganização do exército, que durante os últimos dias do reinado de Catarina, a Grande havia caído em um estado de desordem e desmoralização. Arakcheev impiedosamente aplicou a disciplina de Gatchina para o conjunto das forças imperiais, começando com as Guardas. Logo se tornou detestado por todo o exército, mas seguiu seu objetivo de modo persistente e introduziu muitas reformas de higiene indispensáveis. "Quartéis limpos são quartéis saudáveis", era seu lema.

Entretanto, a oposição dos oficiais provou ser demasiada forte para ele, e em 18 de março de 1798 foi exonerado de todos os seus postos de comando. A primeira desgraça de Arakcheev durou apenas seis meses. No dia 11 de agosto, retomou a confiança de Paulo I, e rapidamente lhe foi restituído todos os seus postos anteriores, e em 5 maio de 1799 recebeu o título de Conde, o próprio imperador escolheu seu lema: "Dedicado, mas não servil". Cinco meses mais tarde, caiu novamente em desgraça, e o imperador demitiu-o sob a força de uma denúncia que posteriormente provou ser falsa. Foi um passo fatal por parte de Paulo, que certamente não seria assassinado caso Arakcheev continuasse a seu lado.[2]

Reinado de Alexandre IEditar

 Ver artigo principal: Alexandre I da Rússia

Durante os primeiros anos do reinado de Alexandre I, Arakcheev foi completamente ignorado. Somente em 27 de abril de 1803, foi o conde chamado para São Petersburgo, e empregado como inspetor-geral da artilharia. Sua reorganização sábia e profunda de todo o departamento contribuiu essencialmente para as vitórias dos russos durante as Guerras Napoleônicas. Todos os críticos concordam, de fato, que a administração de Arakcheev foi a era de ouro da artilharia russa.[2] A atividade do inspetor inesgotável não conhecia limites, e ele não mediu esforços que pudessem melhorar seu exército. Suas principais reformas foram: a subdivisão das divisões de artilharia em unidades independentes; a formação de brigadas de artilharia; a criação de uma comissão de instrução (1808); e a publicação de uma "Jornal de Artilharia".

Em Austerlitz Arakcheev teve a satisfação de testemunhar os resultados reais de suas reformas na artilharia.[3] Os escândalos que vieram à tona após a Paz de Tilsit envolvendo oficiais da intendência convenceram o imperador de que nada menos do que a energia severa e incorruptível de Arakcheev poderia acabar com a corrupção nesse meio, e em janeiro de 1808 Arakcheev foi nomeado inspetor-geral e Ministro da Guerra. Quando, no início da Guerra Finlandesa de 1809, o imperador ordenou que o exército tirasse proveito de uma geada de intensidade incomum e atravessasse o gelo do Golfo da Finlândia, foi apenas a presença de Arakcheev que fez com que um general desmotivado e um exército semi-rebelde a iniciar uma campanha que culminou com a conquista da Finlândia.

Por ocasião da instituição do "Conselho Imperial" (1 de janeiro de 1810), Arakcheev foi nomeado membro do conselho de ministros e senador, mantendo ainda o posto de guerra. Posteriormente, Alexandre influenciado por intrigas dos inimigos do Conde, que o odiavam por sua severidade, o considerou um reacionário perigoso. A desconfiança, porém, não durou muito tempo. É verdade que Arakcheev não tomou parte ativa na guerra de 1812, mas toda a correspondência e despachos relativos a ela passaram por suas mãos, e foi companheiro inseparável do imperador durante todo o curso da mesma. Em Paris (31 de março de 1814) Alexandre, com sua própria mão, escreveu o ukaz nomeando-o marechal-de-campo, mas ele recusou a dignidade, aceitando, ao invés, um retrato de seu mestre. A partir deste momento a confiança de Alexandre em Arakcheev aumentou cada vez mais, e o imperador lhe confidenciava, antes de tudo, seus muitos projetos de reforma, especialmente do seu projeto de colônias militares, cujos detalhes de execução foram deixados a cargo de Arakcheev (1824). O fracasso do sistema deveu-se não a qualquer falha do Conde, mas à ineficiência e à insubordinação dos oficiais do distrito. Nos últimos anos do reinado de Alexandre, Arakcheev não foi apenas seu conselheiro-chefe, mas seu melhor amigo, a quem ele apresentava todos os seus projetos para análise e revisão. O mais interessante desses projetos foi o plano para a emancipação dos camponeses (1818).

Últimos anosEditar

Quando Nicolau I subiu ao trono da Rússia, Arakcheev, com a saúde precária, gradualmente restringiu sua imensa esfera de atividades, e no dia 26 de abril de 1826, entregou todos os seus cargos e se retirou para Karlovy Vary. Os 50 mil rublos dados a ele pelo imperador como um presente de despedida, foram doados por ele ao Instituto Pavlovsk para a educação das filhas de senhores pobres. Seus últimos dias passou em sua propriedade em Gruzina, cuidadosamente reunindo todos as suas recordações de Alexandre. Reservou também 25 mil rublos para o autor da melhor biografia de seu amigo imperial. Arakcheev morreu no dia 3 de maio de 1834, com os olhos fixos no último retrato do imperador falecido. "Eu já fiz tudo", disse ele, "agora posso partir e entregar o meu relatório ao imperador Alexandre". Em 1806 ele se casou com Natália Khomutova, mas viveram separados, e não tiveram filhos.[2]

Notas

  1. Jeff Kinard (2007). Artillery: An Illustrated History of Its Impact. Oxford: ABC-CLIO. pp. 159–160. ISBN 978-1-85109-556-8 
  2. a b c d «ARAKCHEEV, ALEKSEY ANDREEVICH». Krugosvet. Consultado em 7 de novembro de 2012. Arquivado do original em 24 de junho de 2006 
  3. Gunther Erich Rothenberg (1980). The art of warfare in the age of Napoleon. [S.l.]: Indiana University Press. pp. 201–202. ISBN 978-0-253-20260-4 

Referências

  • Este artigo incorpora texto (em inglês) da Encyclopædia Britannica (11.ª edição), publicação em domínio público.
  •   Vários autores (1911). «Arakcheev, Aleksyei Andreevich». In: Chisholm, Hugh. Encyclopædia Britannica. A Dictionary of Arts, Sciences, Literature, and General information (em inglês) 11.ª ed. Encyclopædia Britannica, Inc. (atualmente em domínio público) 
  • Dukes, Paul (1974) A History of Russia, McGraw-Hill Book Company. ISBN 0-07-018032-6
  • Jenkins, Michael (1969) Arakcheev: Grand Vizier of the Russian Empire, The Dial Press, Inc. ISBN 0-571-08222-X
  • Vasily Ratch, Memorials of Count Arakcheev (Rus.) (São Petersburgo, 1864)
  • Mikhail Ivanovich Semevsky, Count Arakcheev and the Military Colonies (Rus.) (São Petersburgo, 1871)
  • Theodor Schiemann, Gesch. Russland’s unter Kaiser Nikolaus I., vol. i., Alexander I., &c. (Berlim, 1904).

Ligações externasEditar


Precedido por
Sergey Vyazmitinov
Ministro das Forças Terrestres
1808 – 1810
Sucedido por
Mikhail Barclay de Tolly