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André de Almada
André de Almada, desenho de A. Augusto Gonçalves
Nascimento 1570
Pombalinho
Morte 29 de novembro de 1642 (72 anos)
Coimbra
Cidadania Portugal
Alma mater Universidade de Coimbra
Ocupação padre católico
Prêmios Cavaleiro da Ordem de Cristo

André de Almada (Pombalinho, 1570 - Coimbra, 29 de Novembro de 1642), cavaleiro da Ordem de Cristo (14.11.1633),[1] foi um padre da Companhia de Jesus, lente jubilar de Vespera com igualações a Prima na Universidade de Coimbra,[2] Reitor[3] então chamado Governador ou Prelado[4] da mesma, e também, porcionista do Colégio de S. Paulo da mesma cidade, ao qual legou a sua livraria.[5]

Tirou o doutoramento na referida universidade coimbrã, que esteve matriculado de 10 de Julho 1589 a 2 de Novembro de 1604.[6]

Nomeado Governador e também Reformador dessa Universidade a 27 de Janeiro de 1638 e por juramento em 13 de Março do mesmo ano, por Filipe III de Portugal, dirigiu algum tempo como Orelado estas escolas e gozou sempre o respeito e estima de toda a corporação. Tanto pela sua personalidade amável como pela sapiência cultural e até cientifica. Ficando neste último campo, por curiosidade, que chegou até nós o conhecimento que aí um montou um observatório astronómico, com um moderno e exímio telescópio, que vários pesquisadores de nomeada, inclusive estrangeiros, se serviram dele para importantes estudos.[7]

Durou sua governação até 3 de Fevereiro de 1639, mas continuou mais tempo com reformador dos estatutos e sempre conservou a direcção das aulas da cadeira até à sua morte, nessa cidade.[8]

No testamento de seu sobrinho, Antão d'Almada (o Restaurador), é por este nomeado um dos seus testamenteiros (existe no arquivo da Casa Almada o testamento).

Deve ter existido uma enorme ligação entre ambos que muito terá contribuído para que tenha crescido um sentimento patriótico comum, que privilegiava a separação de poderes entre a Espanha e Portugal de novo. Esse debate devia ser constante e alargado, intervindo o próprio meio intelectual e académico do qual o tio estava tão evolvido, não só o jesuíta que é conhecido por ter vários que o defendiam. Assim se compreende que o famoso matemático cisterciense Juan Caramuel y Lobkowitz, que criou uma importante tabela astronómica, escrevesse um impresso político contrário abordando-o e depois António de Sousa de Macedo tenha dedicado a sua resposta ao "Almada" mais novo, herói do 1 de Dezembro de 1640.[9]

Era um altíssimo espírito um dos homens mais cultos do seus tempo; e como se isso não fosse bastante para o rodear de venerações e simpatias dotara-o a natureza de um génio "festival e urbano" e com uma generosidade sem limites.[10]

O Pe. João Bautista de Castro no tomo II do «Mapa de Portugal Antigo e Moderno» diz: "D. André de Almada, filho egrégio de Lisboa, e tão venerado por sua literatura, juízo, e capacidade, que entre todos os Catedráticos da Universidade de Coimbra, foi ele nomeado para escrever ao Papa, suplicando-lhe a definição da imaculada pureza da Senhora. Foi lente de Vésperas de Teologia, duas vezes jubilado, e sócio no magistério do exímio Soares granatense. Escreveu um doutíssimo tratado de Incarnatione, e mereceu as estimações dos homens mais eruditos da Europa. Acabou a vida no ano de 1642 em Coimbra".

Extracto do livro intitulado "Francisco Suárez (Doutor Eximius) - Colecção de Documentos publicados por deliberação da Faculdade de Teologia da Universidade de Coimbra, para comemorar o terceiro centenário da incorporação do Grande Mestre e Príncipe da Ciência Teológica no professorado da mesma Universidade" - Coimbra 8 de Maio de 1897, pelo Dr. António Garcia Ribeiro de Vasconcellos, pg.LXXXI e seguintes: "André d'Almada, o ilustre e simpático professor, a quem os colegas respeitavam, e a quem os estudantes amavam com admiração e reverencia filial".

Quando o professor padre Suárez veio para Coimbra (em 1597), para dirigir a faculdade, já André era chamado a reger como simples bacharel, formando várias cadeiras, na falta dos Catedráticos. No ano de 1607 - 1608 foi promovido definitivamente na Catedrilha de Gabtiel, doutorou-se no ano imediato, e depois ascendeu gradualmente às diversas cadeiras, até a de Véspera, de que tomou a posse no principio de Abril de 1615.

O seu talento e saber eram tão conhecidos e incontestáveis, que, em se apresentando como opositor a uma cadeira vaga, todos os restantes pretendentes desistiam, não aparecendo quem se atrevesse a medir-se com ele. A isto se referem os versos latinos de José Barbosa, que acompanham o retrato aqui junto do notável teólogo. Também nele se faz alusão aos seus conhecimentos de geografia e cosmografia, que eram celebrados.

A fama dos seus talentos, ultrapassando as raias de Portugal e da península hispânica, percorrem a Europa, e o seu nome foi conhecido e memorado nos países estrangeiros.

Era tal o respeito, que os estudantes da Universidade de Coimbra lhe tributavam, que, ainda muitos anos depois da sua morte era sempre tratado por Senhor D. André, quando nele se falava.

Foi um dos mais entusiásticos admiradores de Suárez , a quem amava com submissa veneração de humilde discípulo. O Doutor Eximios também dedicou a este seu colega particular afeição, que por seus excelentes dotes bem merecia. Escolheu-o para seu predilecto entre todos os colegas para o substituir em seus longos impedimentos, como adiante se verá. Ao terminar a carreira gloriosa de professor, o Dr. Suárez esforçou-se quanto pode por obter que André d'Almada lhe sucedesse na cadeira de Prima; a ninguém achava na Universidade tão capaz e tão digno de reger a primeira e mais importante das cadeiras da Faculdade.

"Em letras ninguém lhe vai adiante, que eu conheça, e na qualidade de sua pessoa, excede a todos."

Estas palavras escritas a respeito de André pelo grande mestre, em carta (esta carta de 1615, em que se refere a André, é dirigida a Rodrigo da Cunha, inquisidor de Lisboa e Bispo de Portalegre, primo de André e seu padrinho de doutoramento).

"A propósito de livros" reproduzimos uma anedota editada aqui há tempos num jornal: "André d'Almada, que foi lente de teologia na Universidade de Coimbra, na primeira metade do século XVII, e o governador e reformador dela, vendo um dia certo estudante nobre, da porta de um livreiro, lhe perguntou que fazia? Ao que o estudante lhe respondeu: estava comprando livros para passar o tempo. Então André d'Almada lhe tornou: vossa mercê compra livros para passar o tempo; e eu tomara poder comprar tempo para passar livros".

No «Portugal diccionario historico, chorographico, heraldico, biographico, bibliographico, numismatico e artistico», e na "Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira", diz que: "Escreveu dois tratados latinos, De «Incarnation», cuja impressão ficou interrompida em virtude da sua morte, e «De Triplice Scientia Animae Chisti».

Diz o padre António Carvalho da Costa, em 1708, que ele tinha a quinta "para recreação" em Ançã[11]".

Tem pelo menos um livro a ele dedicado que tem por título «Pronostico Geral e Lunário Perpectuo, assi da luas novas e cheias, como quartos crescentes e minguantes», escrito por Gaspar Cardoso de Siqueira, editado por Nicolau Carvalho, em Lisboa, no ano de 1614.[12] Assim como a ele se refere D. Francisco de Meneses, doutor em teologia, deputado dos Três Estados, filho de D. Fradique de Meneses, numa sua curiosa obra que deu o título «Dialogo entre D. Andre de Almada e D. Diogo de Lima seu sobrinho acerca do modo com que se deve haver em Coimbra com Freiras».[13]

Dados genealógicosEditar

Filho de: Antão Soares de Almada e de: Vicência de Castro

Nasceu em 1570, em Pombalinho. Morreu a 29 de Novembro de 1642, em Coimbra, no Colégio de S. Paulo.

Jaz sepultado na Igreja do Convento de S. Marcus, em São Silvestre (Coimbra), numa campa rasa, mas, no panteão dos seus parentes Silvas pela sua mãe, Morgados de Monchique.[14]

Referências

  1. Diligência de habilitação para a Ordem de Cristo de D. André de Almada, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, PT/TT/MCO/A-C/002-001/0054/00017
  2. De Prima não chegou a ter propriedade por no seu tempo essa mercê ter sido entregue à Ordem de S. Domingos Jornal de Coimbra, vol. LXXVI, parte II, pág. 129
  3. «Reitores dos séculos XVII a XIX (da Universidade de Coimbra)». Consultado em 5 de maio de 2010. Arquivado do original em 5 de dezembro de 2010 
  4. prelado, infopédia, Porto Editora
  5. Neles poderia constar os livros do matemático Pedro Nunes que seu neto tinha-lhe cedido por troca, «Defensão do Tratado da Rumação do Globo para a arte de navegar», joaquimdecarvalho.org
  6. André de Almada (dom), Referência PT/AUC/ELU/UC-AUC/B/001-001/A/002041, Arquivo d Universidade de Coimbra
  7. CARVALHO, Joaquim de — Galileu e a cultura portuguesa. Biblos. Vol. XIX. 1943. p. 407.
  8. Jornal de Coimbra, vol. LXXVI, parte II, pág. 129
  9. repuesta al manifiesto del reyno de Portugal, impressa en este ano 1642: dedicado a Don Anton d'Almada embaxador extraordinario del serenissimo principe Don Juan rey de Portugal, al serenissimo principe Carlos rey de la Gran Bretana / por el doctor António de Sousa de Macedo, impressa em Antuérpia
  10. O P.e Francisco Suarez em Coimbra, Revista da Universidade de Coimbra, volume sexto, Coimbra, 1917
  11. António Carvalho da Costa, «Corografia portugueza e descripçam topografica do famoso reyno de Portugal», na Off. de Valentim da Costa Deslandes, 1708, pág. 54
  12. Bibliotheca Lusitana Historica, Diogo Barbosa Machado, 1747, pág. 339
  13. Bibliotheca Lusitana Historica, Diogo Barbosa Machado, 1747, pág. 207
  14. Conde de Almada, Relação dos Feitos de Antão Dalmada, 1940