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Disambig grey.svg Nota: Para outras pessoas de mesmo nome, veja Areobindo.
Areobindo
Areobindo em suas vestes consulares de seu díptico consular de marfim.
Nacionalidade Império Bizantino
Progenitores Mãe: Godisteia
Pai: Dagalaifo
Cônjuge Anícia Juliana
Filho(s) Dagalaifo
Ocupação General
Religião Catolicismo

Flávio Areobindo Dagalaifo Areobindo, comumente simplesmente Areobindo ou Ariovindo (em grego: Ἀρεόβινδος; fl. 460-512) foi um general e político bizantino. Descendente de uma linhagem distinta, liderou tropas na Guerra Anastácia, e serviu como cônsul em 506. Durante uma revolta urbana em 512, foi proclamado imperador pela multidão, mas ele escondeu-se. Morreu logo depois.

BiografiaEditar

FamíliaEditar

Areobindo nasceu em uma família extremamente distinta, que combinou herança romana e bárbara:[1] seu pai foi Dagalaifo (c. 430 - após 461), cônsul em 461, que por sua vez era filho de Areobindo, cônsul em 434, ambos de origem gótica. Sua mãe foi Godisteia (n. c. 445), filha de Ardabúrio, general e cônsul em 447, e neta de Áspar, o poderoso general alano e cônsul em 434.[2] Pouco depois de 478, Areobindo casou-se com Anícia Juliana (após 461 - 527/528), filha do imperador romano do Ocidente Olíbrio (r. 472) e sua esposa Placídia. Juntos tiveram um filho, Flávio Anício Olíbrio Júnior (c. 480 - após 524/527), cônsul em 491. Outro possível descendente é Dagalaifo (talvez com uma mulher anterior).[3]

CarreiraEditar

 
Semisse de Anastácio I (r. 491–518)

Em seus dípticos consulares, é listado como ocupante do posto de conde do estábulo imperial, e como tendo recebido o título de cônsul honorário. Como a eclosão da Guerra Anastácia, foi enviado para o oriente como mestre dos soldados do Oriente (magister militum per Orientem) junto com os mestres dos soldados na presença (magistri militum praesentalis) Hipácio e Patrício.[2] Em maio de 503, na chefia de 12 000 homens, estabeleceu-se em Dara para manter guarda à fortaleza persa de Nísibis e o exército do xá sassânida Cavades I (r. 488–496; 498–531), enquanto Patrício e Hipácio, com o grosso do exército, sitiou Amida. Lá, ele repeliu um ataque de um exército persa proveniente de Singara e empurrou-o para Nísibis.[4]

Finalmente, contudo, foi obrigado a retirar-se quando os persas receberam reforços de seus aliados árabes e heftalitas, e retirou-se para Constantina e então para Edessa. Foi sitiado por Cavades em setembro, mas o início do inverno e a aproximação de reforços romanos forçou o xá a se retirar.[5] No verão de 504, lançou grande raide em Arzanena, na Armênia, encontrando pouca oposição e devastando grandes áreas envolta de Amida. Com as posições romanas estabilizadas e a guerra quase sendo transferida para o território persa, o xá concordou com uma trégua e as hostilidades cessaram no inverno.[6] Em 505, foi para Constantinopla, onde foi recompensado com o consulado em 506, com Flávio Enódio Messala como seu colega.[7]

Em 512, estava vivendo em Constantinopla na aposentadoria. Na época, o apoio aberto das doutrinas monofisistas por Anastácio causou uma grande revolta entre a maioria da população calcedônia da cidade. Em certo ponto, de acordo com os cronistas, a população da cidade assumiu o grito "Areobindo para imperador" e marchou à casa de sua esposa, Anícia Juliana, para proclamá-lo. Areobindo, contudo, indisposto a tomar parte de uma usurpação, fugiu de casa e se escondeu. Nada mais se sabe sobre ele, embora por conta de sua idade, deve ter morrido pouco tempo depois.[7]

DípticosEditar

Cinco exemplos de seus dípticos consulares sobreviveram:[1] dois completos e três pela metade. Os primeiros dois estão em Luca (CIL XI, 8137) e Zurique (CIL XIII, 5245); duas metades com apenas o nome estão localizadas em Paris e Besançon, e uma outra metade com seus títulos está preservada em Dijon (CIL XIII, 10032), exemplares 3b, 3d e 3c respectivamente).[2]

Ver tambémEditar

Cônsul posterior ao Império Romano
 
Precedido por:
Sabiniano
com Teodoro
Areobindo
506
com Enódio Messala
Sucedido por:
Anastácio III
com Venâncio


Referências

  1. a b Kazhdan 1991, p. 162.
  2. a b c Martindale 1980, p. 143.
  3. Martindale 1980, p. 143, 635–636, 795.
  4. Greatrex 2002, p. 68.
  5. Greatrex 2002, p. 69.
  6. Greatrex 2002, p. 72.
  7. a b Martindale 1980, p. 144.

BibliografiaEditar

  • Kazhdan, Alexander Petrovich (1991). The Oxford Dictionary of Byzantium. Nova Iorque e Oxford: Oxford University Press. ISBN 0-19-504652-8 
  • Greatrex,, Geoffrey; Lieu, Samuel N. C. (2002). The Roman Eastern Frontier and the Persian Wars (Part II, 363–630 AD). Londres: Routledge. ISBN 0-415-14687-9 
  • Martindale, J. R.; Jones, Arnold Hugh Martin; Morris, John (1980). «Areobindus 2». The prosopography of the later Roman Empire - Volume 2. A. D. 395 - 527. Cambridge e Nova Iorque: Cambridge University Press 
 
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