Arvo Pärt

compositor estoniano

Arvo Pärt (Paide, 11 de Setembro de 1935) é um compositor erudito estoniano. Pärt trabalha com um estilo minimalista que emprega a técnica de tintinnabuli (do latim, 'pequenos sinos') e repetições hipnóticas.

Arvo Pärt
Nascimento 11 de setembro de 1935
Paide
Cidadania Estónia, União Soviética, Estónia, Áustria
Cônjuge Nora Pärt
Filho(s) Michael Pärt
Alma mater
  • Estonian Academy of Music and Theatre
Ocupação compositor de música clássica, músico, compositor
Prêmios
  • Cavaleiro da Legião de Honra (2011)
  • Prêmio Herder (2000)
  • Praemium Imperiale (2014)
  • Prêmio de Música Léonie Sonning (2008)
  • Recebedor da Ordem do Brasão Nacional, 1.ª Classe (2006)
  • Honorary doctor of the University of Liège (2009)
  • Prêmio Ratzinger (2017)
  • Doutor Honoris Causa da Universidade de Durham (2003)
  • Honorary doctor of the University of Fribourg (2007)
  • Doutor Honoris Causa da Universidade de St Andrews (2010)
  • Tallin Medal (2011)
  • Condecoração Austríaca de Ciência e Arte (2015)
  • honorary doctor of the University of Sydney
  • Medalha de Ouro por Mérito à Cultura
Obras destacadas Für Lennart in memoriam, Adam's Lament, Spiegel im Spiegel, In principio, Für Alina, Fratres, Ukuaru waltz
Página oficial
https://www.arvopart.ee

TrajetóriaEditar

Em 1944, Arvo Pärt presencia a ocupação da Estônia pela União Soviética, ocupação que duraria 50 anos, deixando profundas impressões sobre ele.

Em 1954 ingressa na escola secundária de música de Tallinn, a capital do país. No ano seguinte, deve fazer seu serviço militar, durante o qual faz parte da banda, onde toca oboé e caixa.

Ingressa no conservatório de Tallinn em 1957, onde estuda com Heino Eller. Paralelamente, trabalha em uma emissora de rádio, como engenheiro de som, posto que deverá ocupar de 1958 a 1967. Em 1962, uma das suas composições escrita para coro infantil e orquestra, Nosso jardim (escrita em 1959), lhe rende o primeiro prêmio dos jovens compositores da URSS. Em 1963, é diplomado pelo conservatório de Tallinn. Nessa época, compõe também para o cinema[1]

 
Tallinn, cidade onde Arvo Pärt fez seus estudos.

Ainda no início dos anos 1960, inicia-se na composição serial, com suas duas primeiras sinfonias. Isto vai provocar inimizades, dado que a música serial era considerada como um avatar da decadência burguesa ocidental. Também incorretas politicamente, no contexto soviético, eram as suas composições de inspiração religiosa e a técnica de colagem que adotou por algum tempo. Nessas circunstâncias, sua obra será severamente limitada.

No final da década de 1960, em meio a uma crise pessoal que bloqueia a sua criatividade, Arvo Pärt renuncia ao serialismo e, mais amplamente, à composição. Durante vários anos, dedica-se ao estudo do cantochão gregoriano e dos compositores renascentistas franco-flamengos, como Josquin des Prés, Machaut, Obrecht e Ockeghem. Esses estudos e reflexões resultaram na elaboração de uma peça de transição, a Sinfonia n° 3 (1971).

 
Arvo Pärt, Nora Pärt (2012)

Sua evolução estilística é particularmente notável em 1976, com a composição de uma peça para piano que se tornou célebre, Für Alina, que marca uma ruptura com as suas primeiras obras e prepara o terreno para seu novo estilo, qualificado por ele mesmo de "estilo tintinnabulum" [1]. O compositor explica: "Eu trabalho com bem poucos elementos - somente uma ou duas vozes. Construo a partir de um material primitivo - com o acorde perfeito, com uma tonalidade específica. As três notas de um acorde perfeito são como sinos. Por isso eu o chamei tintinnabulação". No ano seguinte, Pärt escreverá, nesse novo estilo, três das suas peças mais importantes e reconhecidas: Fratres, Cantus in Memoriam Benjamin Britten e Tabula rasa.

Os problemas constantes com a censura soviética[1] o levam a finalmente emigrar em 1980, com sua esposa e os dois filhos. Inicialmente vai para Viena, onde obtém a cidadania austríaca. No ano seguinte, parte para Berlim Ocidental e frequentemente passa temporadas perto de Colchester, Essex. Por volta dos anos 2000, volta à Estônia e hoje vive em Talinn.[2]

Seu sucesso no Ocidente e particularmente nos EUA teve por inconveniente a sua inclusão na categoria dos compositores "minimalistas místicos" ou "minimalistas sagrados", juntamente com Alan Hovhaness, Henryk Górecki, John Tavener, Pēteris Vasks e outros[3]. Em 1996, ele se torna membro da American Academy of Arts and Letters.

Criador de uma música apurada, de inspiração profundamente religiosa, associada por alguns à música pós-moderna, Arvo Pärt atualmente aprofunda seu estilo tintinnabulum. Suas obras foram executadas em todo o mundo e foram objeto de mais de 80 gravações, além de terem sido muito usadas em trilhas sonoras de filmes e em espetáculos de dança. É dele, por exemplo, a composição que Jean-Luc Godard utilizou no curta Dans le noir du temps, episódio do filme Ten Minutes Older: The Cello (2002). A obra foi também usada em inúmeras produções cinematográficas e televisivas. Sua obra Spiegel im Spiegel, de 1978, integrou em 2014 a trilha sonora do premiado filme brasileiro Hoje Eu Quero Voltar Sozinho[4]. Em 10 de dezembro de 2011 foi indicado pelo Papa Bento XVI[5][6] como membro do Pontifício Conselho para a Cultura,

Prêmios e homenagensEditar

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  1. a b c Centre Pompidou. Institut de recherche et coordination acoustique/musique (Ircam). Base de documentation sur la musique contemporaine. Arvo Pärt.
  2. Notas no programa em Playbill do New York City Ballet, janeiro de 2008.
  3. http://www.curatormagazine.com/sorinahiggins/mystical-minimalism/
  4. http://revistacinetica.com.br/home/hoje-eu-quero-voltar-sozinho-de-daniel-ribeiro-brasil-2014-2/
  5. «Cópia arquivada». Consultado em 14 de janeiro de 2013. Arquivado do original em 7 de novembro de 2012 
  6. «Cópia arquivada». Consultado em 23 de outubro de 2016. Arquivado do original em 23 de outubro de 2016 
  7. http://sydney.edu.au/arms/archives/history/HonPart.shtml
  8. http://www.ut.ee/en/news/arvo-part-new-professor-fine-arts-university-tartu
  9. Universidade de Durham
  10. «Cópia arquivada». Consultado em 24 de outubro de 2016. Arquivado do original em 24 de outubro de 2016