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Astronauta Caído
Fallen Astronaut.jpg
Autor Paul Van Hoeydonck
Data 1971
Técnica alumínio
Altura 8,5 cm 
Localização Lua

Astronauta caído (em inglês: Fallen Astronaut) é uma escultura de alumínio de 8,5 cm de altura, representando um astronauta com seu traje espacial, que homenageia astronautas e cosmonautas que morreram no avanço da exploração espacial. A obra é do artista belga Paul Van Hoeydonck, está na região lunar de Hadley Rille, na Lua, e foi colocada lá pela tripulação da Apollo 15 em 1 de agosto de 1971,[1] juntamente com uma placa contendo os nomes de 8 astronautas e 6 cosmonautas que morreram em missões ou durante treinamentos.

Índice

HistóriaEditar

Paul Van Hoeydonck conheceu o astronauta David Scott num jantar e o astronauta pediu ao artista para criar uma estatueta para homenagear os astronautas e cosmonautas que morreram na exploração espacial. Foram impostas algumas restrições de design: a escultura teria que ser ao mesmo tempo leve e firme, capaz de suportar as temperaturas extremas da Lua, não poderia ser identificável nem como uma figura feminina nem masculina, nem como algum grupo étnico. De acordo com o desejo de Scott de evitar a comercialização do espaço, o nome do artista não seria publicado na escultura.

Nomes na PlacaEditar

Nome Data Causa
Theodore Freeman 31 de outubro de 1964 Acidente aéreo
Charles Bassett 28 de fevereiro de 1966 Acidente aéreo
Elliot See
Roger Chaffee 27 de janeiro de 1967 Incêndio da Apollo 1
Gus Grissom
Edward White
Vladimir Komarov 24 de abril de 1967 Falha de paraquedas da Soyuz 1
Edward Givens 6 de junho de 1967 Acidente automobilístico
Clifton Williams 5 de outubro de 1967 Acidente aéreo
Iuri Gagarin 27 de março de 1968 Acidente aéreo
Pavel Belyayev 10 de janeiro de 1970 Doença
Georgi Dobrovolski 30 de junho de 1971 Falha de pressurização da Soyuz 11
Viktor Patsaiev
Vladislav Volkov

Anos depois, já na década de 1990, David Scott, o comandante da missão Apollo 15, observou que faltavam dois nomes na placa: Valentin Bondarenko e Grigori Nelyubov. Ele explicou que, devido ao sigilo que cercava o programa espacial soviético na época, não estavam oficialmente cientes destas mortes (embora informações extra-oficiais já deixassem claro que os soviéticos tinham perdido mais cosmonautas do que realmente divulgavam). Também não constava na placa o nome de Robert Henry Lawrence, o primeiro astronauta negro da História, que havia morrido num acidente aéreo.[2] Chegaram a surgir comentários denunciando racismo por parte da NASA, mas a agência espacial rebateu afirmando que o nome de Lawrence não tinha sido incluído simplesmente porque ele ainda não havia completado seu treinamento como astronauta, não podendo, portanto, ser apresentado como tal.[3]

ResultadoEditar

Depois que a tripulação mencionou a estatueta numa conferência pós-voo, o Museu do Ar e do Espaço pediu que fosse feita uma réplica para exibição pública. A tripulação concordou, sob a condição de que fosse exibida com bom gosto e sem publicidade. A réplica foi doada ao Instituto Smithsoniano em 17 de abril de 1972, um dia após o jornalista da CBS Walter Cronkite ter revelado, durante a transmissão do lançamento da Apollo 16, a existência do "Astronauta Caído" e da placa como a primeira instalação de arte na Lua.

Em maio de 1972, Scott descobriu que Van Hoeydonck planeava fazer mais réplicas e vendê-las. Acreditando que seria uma violação do acordo feito, ele tentou convencê-lo do contrário. Em julho de 1972 foi publicado um anúncio numa página inteira da revista "Art in America"[4][5] indicando que 950 réplicas assinadas pelo autor seriam vendidas pela Waddell Gallery of New York por US$750 cada[6], uma segunda edição a um preço mais baixo mas não especificado e uma edição de catálogo a $5.[7] Após comentários negativos da NASA sobre a venda pretendida, Van Hoeydonck desistiu da venda e nenhuma réplica foi vendida.

Numa carta datada de setembro de 2007, Van Hoeydonck disse que foram feitas 50 réplicas não assinadas e que a maioria delas ainda estava na sua posse. Ele disse que nunca recebeu dinheiro por nenhuma das réplicas (exceto uma), apesar das muitas ofertas recebidas.[8]

CuriosidadeEditar

Embora David Scott tenha, obstinadamente, se posicionado contra o que ele chamou de comercialização do espaço, impedindo até mesmo que Van Hoeydonck recebesse dinheiro por réplicas posteriormente construídas, o próprio astronauta recebeu dinheiro pela venda de selos levados secretamente à Lua, durante a missão da Apollo 15. Tão logo a NASA tomou conhecimento da comercialização dos selos, Scott e os demais astronautas que haviam participado da missão Apollo 15 foram afastados de suas atividades, não sendo escalados para missões posteriores.[9][10] Somente muitos anos depois, os astronautas conseguiram reverter a decisão da NASA. Como todos os envolvidos já haviam se retirado do programa espacial, a decisão foi meramente simbólica.[11]

Ver tambémEditar

Referências

  1. «images.jsc.nasa.gov». images.jsc.nasa.gov. 1 de agosto de 1971. Consultado em 29 de abril de 2013 
  2. Collins, Michael (1989). Carrying the Fire: An Astronaut's Journey's. Nova Iorque: Farrar, Straus, and Giroux 
  3. RODRIGUES, José Sinésio. A Utilização de Programas Espaciais no Âmbito do Cenário Geopolítico. Universidade Estadual de Londrina (UEL). – CCE – Centro de Ciências Exatas; Departamento de Geografia. Trabalho Acadêmico, Londrina, 2011
  4. Associated Press (21 de julho de 1972), «Commercialism Taints Another Apollo Memento», Modesto Bee: 7 
  5. Check-Six.com - 'Fallen Astronaut' - includes copy of July 1972 "Art in America" ad
  6. «NASA News Release 72-189». Collectspace.com. Consultado em 29 de abril de 2013 
  7. Wieck, Paul (25 de julho de 1972), «Anderson Will Probe Unauthorized Sales», Albuquerque Journal: 16 
  8. Letter by Paul Van Hoeydonck explaining the number of copies made
  9. CARNEIRO, Hélio. Sem Guerra Fria em Órbita. Revista Manchete. Rio de Janeiro: Bloch Editora, nº 2.183, 05 de fevereiro de 1994, p. 94 – 95.
  10. RODRIGUES, José Sinésio. A Utilização de Programas Espaciais no Âmbito do Cenário Geopolítico. Universidade Estadual de Londrina (UEL). – CCE – Centro de Ciências Exatas; Departamento de Geografia. Trabalho Acadêmico, Londrina, 2011
  11. RODRIGUES, José Sinésio. A Utilização de Programas Espaciais no Âmbito do Cenário Geopolítico. Universidade Estadual de Londrina (UEL). – CCE – Centro de Ciências Exatas; Departamento de Geografia. Trabalho Acadêmico, Londrina, 2011

Ligações externasEditar