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Aurélio de Figueiredo
Figueiredo pintando o Último baile da ilha Fiscal
Nascimento 3 de agosto de 1856
Areia, Paraíba
Morte 9 de abril de 1916 (59 anos)
Rio de Janeiro
Nacionalidade Brasil Brasileiro
Cidadania Brasil
Parentesco irmão de Pedro Américo
Ocupação escultor, pintor, desenhista, caricaturista e escritor

Francisco Aurélio de Figueiredo e Mello (Areia, Paraíba, 3 de agosto de 1856Rio de Janeiro, 9 de abril de 1916) foi um escultor, pintor, ensaísta,[1] desenhista, caricaturista e escritor brasileiro. O artista pintou retratos, paisagens, cenas de gênero e também temas históricos. Ficou conhecido por suas obras deste último gênero, como o quadro de Francesca da Rimini, feito em 1883, e Último Baile da Ilha Fiscal, de 1905.[2]

Frequentou, quando adolescente, a Academia Imperial de Belas Artes (Aiba), no Rio de Janeiro. Local considerado o centro da arte nacional no período, Aurélio de Figueiredo participou de aulas sob orientação de seu irmão mais velho Pedro Américo (Areia, Paraíba, 1843 - Florença, Itália, 1905) e também do pintor Jules Le Chevrel (França, 1810 - Rio de Janeiro, 1872).

Fez parte do movimento romântico na pintura. Suas obras foram expostas como mostras individuais em dois momentos: Em 1912, ainda vivo, no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo e em 1956, após seus falecimento, no Museu Nacional de Belas Artes (MNBA) do Rio de Janeiro para comemorar o centenário de seu nascimento.[3]


Índice

BiografiaEditar

Filho de Daniel Eduardo de Figueiredo e Feliciana Cirne, Aurélio de Figueiredo nasceu em 3 de agosto de 1856, na cidade de Areia. Era irmão mais jovem do pintor Pedro Américo, conhecido por pinturas como Independência ou Morte e Tiradentes Esquartejado. Frequentou a Academia Imperial de Belas Artes (AIBA), assim como seu irmão Aurélio. Após estudar ali, aperfeiçoou seu trabalho artístico em Paris. Na volta ao Brasil, deu aulas na Academia. Seu estilo de pintura misturava elementos do neoclassicismo, romantismo e realismo, o que torna a sua produção uma das grandes expressões do momento de ápice do Academismo no Brasil.

A trajetória de Aurélio Figueiredo possui pontos de encontro com a de seu irmão Pedro. Em 1871, ele publicou caricaturas no periódico semanal carioca A Comédia Social, que se auto intitulava um “Hebdomadário Popular Satírico”.[4][5] Ele também colaborou com outras caricaturas para o jornal Semana Ilustrada, de 1873 a 1875. Esse periódico carioca surgiu em 1860 e chegou todos os domingos nas mãos de seus leitores por 15 anos. Aurélio ilustrou séries temáticas, como foi o caso de “Os Mistérios de Todos os Dias na Corte”.

De 1876 a 1878, viajou para a Europa. Residindo em Florença, Itália, Aurélio trabalhou no ateliê do irmão que já morava no país e estudou com Antonio Ciseri (1821 - 1891), Nicolò Barabino (1832 - 1891) e Stefano Ussi (1822 - 1901), artistas com produções que abarcavam as pinturas históricas, de gênero e retratos.

No seu ano de retorno ao Brasil, em 1878, o pintor colaborou por um ano com o jornal de humor Diabo Coxo, do Recife. Nos anos 1880, Aurélio de Figueiredo participou de algumas edições da Exposição Geral de Belas Artes, mostra anual de obras de arte organizada pela AIBA, com iniciativa em 1840 do pintor francês Félix Émile Taunay.

Entre o final dos anos 1890 e início dos anos 1900, produziu duas de suas obras mais conhecidas: Francesca da Rimini (1893) e Último Baile da Ilha Fiscal (1905), este último que representa o último grande evento do Império do Brasil.[6]

Também foi o autor da letra do hino da Paraíba. A musicalização foi feita por Abdon Felinto Milanês e o hino foi apresentado pela primeira vez em 1905.

Aurélio de Figueiredo morreu aos 59 anos em 9 de abril de 1916, no Rio de Janeiro. Uma de suas últimas obras foi Praia de Fortaleza (1910), exposta na Pinacoteca do Estado de São Paulo.

 
Último Baile da Ilha Fiscal (1905). Pintura de Aurélio de Figueiredo que ilustra o Baile da Ilha Fiscal.

ObrasEditar

Aurélio de Figueiredo produziu pinturas de paisagens, retratos, naturezas-mortas e cenas de gênero. As obras O copo d'água (1893) e Francesca da Rimini (1893) se tornaram de grande conhecimento geral. Além disso, as obras de caráter histórico possui destaque em sua carreira. Foram diversas as encomendas: Abdicação de Dom Pedro I, Tiradentes no Patíbulo, Derradeira Sinfonia e Redenção do Amazonas. Parte delas foram solicitadas por governos provinciais.[7]

O pintor faz parte da era romântica na pintura brasileira. Principal expressão das artes plásticas no Brasil da segunda metade do século XIX, ela se desenvolveu na mesma época do Segundo Reinado no país. Como característica, se apropriou do nacionalismo dirigido pelo imperador Dom Pedro II para retratar o Brasil por outra construção visual - com o intuito de retratar um país em progresso e civilizado - e a formação de uma identidade. No campo das artes plásticas, o romantismo trouxe consigo elementos neoclássicos e se misturou ao realismo, ao simbolismo e a outras escolas, tornando-se uma síntese diversificada.

Na época das publicações de A Comédia Social e Semana Ilustrada, as caricaturas feitas por Aurélio apresentam, segundo do historiador Herman Lima, traços vigorosos e elegantes por conta do desenho limpo e pela composição harmônica.

Apesar do artista ser conhecido principalmente por suas obras de história, como Último Baile da Ilha Fiscal que registra o baile que marca a queda do Império, seus quadros de gênero e paisagem chamam a atenção. O crítico Gonzaga Duque (1863 - 1911) acredita que essas pinturas são o ponto de inovação de Aurélio de Figueiredo: traços simples e leves, um trabalho rápido e também espontâneo.[8]

Além das pinturas, Aurélio de Figueiredo também escreveu poemas e romances.[7] Uma das publicações é o livro "Missionário", romance anticlerical quase homônimo ao livro de ficção naturalista do escritor, jornalista e político brasileiro Inglês de Sousa (1853 - 1918).[9]

AnáliseEditar

 
Moça na Janela (1891). Pintura de Aurélio Figueiredo. Óleo sobre Madeira.

Por pertencer ao romantismo na pintura, Aurélio Figueredo e seu irmão Pedro Américo contribuíram no processo de formação do "herói da pátria". Os quadros Martírio de Tiradentes (1893), de Aurélio, e Tiradentes Esquartejado (1893), de Pedro, criam uma imagem de Tiradentes como herói nacional e reforça a ideia da época de construção e, ao mesmo tempo, reconstrução de uma memória nacional e identidade.[10]

Apesar de ser considerado um artista romântico, Aurélio de Figueiredo possui momentos diferentes em seu fazer artístico. Em março de 1906, o pintor participou de uma mostra de 66 telas no Theatro da Paz, em Belém. Ele fez uma retrospectiva de sua carreira, mostrando duas fases distintas de seu trabalho. As obras mais antigas, assinadas como Aurelio de Figueiredo, remetiam á escola francesa do último quartel do século XIX. Já as obras mais recentes, assinadas como Francisco Aurelio, se pareciam mais com o estilo dos artistas impressionistas.[11]

A aproximação do movimento romântico no Brasil com os realistas foi notada na obra de Figueiredo. No ensaio publicado pelo crítico Alexandre Eulálio, intitulado De um capítulo do Esaú e Jacó ao painel dO último Baile, o escritor aproxima o livro de Machado de Assis chamado Esaú e Jacó da tela pintada por Aurélio de Figueiredo, o Último Baile da Ilha Fiscal. Na comparação, Eulálio supõe que o pintor - também escritor de ficção - leu o livro e produziu a tela em uma tentativa de[12][13]

 
Compromisso Institucional (1896)Pintura em que Aurélio de Figueredo incluiu sua mulher e as três filhas no balcão nobre, no canto.


CuriosidadesEditar

Em dois quadros pintados por Aurélio de Figueiredo, o artista colocou a sua própria figura ou a de parentes no resultado final da obra. O primeiro caso é de 1896, na pintura Compromisso Constitucional, sobre a promulgação da Constituição de 1891. Ele colocou o irmão Pedro Américo e a si próprio junto dos políticos. Além disso, a mulher e as três filhas aparecem no balcão nobre do Parlamento. Essa última alteração ficou por mais de um século sem ser notada. Até que a descoberta foi feita pelo pesquisador do Museu da República, Mário Chagas, desmistificando a ideia de que aquelas mulheres eram esposas ou parentes dos parlamentares.

Em sua obra famosa Último Baile da Ilha Fiscal, Aurélio pinta a si próprio ao lado da esposa. Nesse caso, os dois realmente participaram do baile. No entanto, o pintor acrescentou as três filhas que não estavam no local. Prática comum entre os artistas brasileiros do século XIX e do século XX, Aurélio conta sobre o processo em um carta que foi localizada também por Mário Chagas.[14]


Ver tambémEditar

Referências

  1. «FIGUEIREDO e MELO, Francisco Aurélio de». brasilartesenciclopedias.com.br. Consultado em 28 de novembro de 2018 
  2. «Aurélio de Figueiredo». Enciclopédia Itaú Cultural. 23 de fevereiro de 2017. Consultado em 4 de fevereiro de 2018 
  3. «FIGUEIREDO e MELO, Francisco Aurélio de». brasilartesenciclopedias.com.br. Consultado em 29 de novembro de 2018 
  4. «A Comédia Social - Francisco Aurélio de Figueiredo e Melo, Pedro Américo, Décio Villares». www.literaturabrasileira.ufsc.br. Consultado em 29 de novembro de 2018 
  5. Literatura Digital (1871). «A Comédia Social». Consultado em 29 de outubro de 2018 
  6. «Baile da Ilha Fiscal». Rio de Janeiro Aqui. Consultado em 4 de fevereiro de 2018 
  7. a b «FIGUEIREDO e MELO, Francisco Aurélio de». brasilartesenciclopedias.com.br. Consultado em 30 de novembro de 2018 
  8. DUQUE, Gonzaga (1995). A arte brasileira. Campinas: Mercado de Letras 
  9. EULÁLIO, Alexandre (2012). Tempo Reencontrado:ensaios sobre arte e literatura. [S.l.]: Editora 24 
  10. Venâncio, Giselle Martins (2008). «PINTANDO O BRASIL: artes plásticas e construção da identidade nacional (1816-1922)». Revista Eletrônica História em Reflexão. 2 (4). ISSN 1981-2434 
  11. FIGUEIREDO, Aldrin Moura de. «QUIMERA AMAZÔNICA: ARTE, MECENATO E COLECIONISMO EM BELÉM DO PARÁ, 1890-1910». Revista CLIO - UFPE 
  12. «A figura caleidoscópica de Alexandre Eulalio - Blog do IMS». Blog do IMS. 22 de junho de 2012 
  13. EULÁLIO, Alexandre (2012). Tempo Reencontrado: ensaios sobre arte e literatura. [S.l.]: Editora 34 
  14. «O nepotismo em forma de arte». epoca.globo.com