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Auzenda de Oliveira

Auzenda de Oliveira
Nascimento 20 de março de 1888
Pocariça
Morte 1960 (72 anos)
Cidadania Portugal
Ocupação atriz de teatro

Auzenda de Oliveira (Pocariça, Cantanhede, 20 de março de 18881960) foi uma popular e notável actriz do teatro musicado. A sua estreia realizou-se na cidade de Beja, em 1902, em condições interessantes.

BiografiaEditar

Acompanhava, nessa altura, sua mãe, a actriz Isabel de Oliveira, numa "tournée" que o empresário Eduardo Raposo organizara pela província. Chegando a companhia a Beja, a artista que fazia o papel de "Serafina", no Moleiro de Alcalá, deixou-se raptar por um apaixonado.

Em junho de 1904, Auzenda fazia a sua estreia oficial no Teatro Avenida, na Companhia Sousa Bastos, com a opereta A Boneca, seguindo-se outras peças. Com a junção da Companhia Sousa Bastos com a do D. Amélia (S. Luís Braga), surgiu um grande reportório de operetas em que Auzenda trabalhou.

Passou depois para o Teatro Avenida (Companhia José Ricardo), entrando nas revistas ABC, Favas Contadas e outras. Contratada pelo empresário Luís Galhardo, seguiu para o Porto tendo desempenhado papéis importantes nas operetas: Viúva Alegre, Sonho de Valsa, Princesa dos Dólares, Conde de Luxemburgo, Casta Susana, Vendedor de Pássaros, Bocáccio, O Rei Danado, O Rei dos Sovietes, Paganini, O Soldado de Chocolate, Enfim, Sós!, Gueisha e nas revistas: Dia de Juízo, Ovo de Colombo e Verdades e Mentiras.

Na Companhia Armando de Vasconcelos era a estrela, tendo criado papéis nas peças A Leiteira de Entre-Arroios, O Príncipe Orlof, O Milagre da Aldeia, Baiadeira, Benamor, Moreninha e Prima Inglesa. Todo este repertório representou-o no Brasil durante quatro épocas. Regressando a Portugal, foi contratada pelo empresário Taveira, tendo feito: Amores de Príncipe, O Rei das Montanhas, Eva, Dama Roxa, Sibill, A Lenda das Tarlatanas, J.P.C., Frasquita, Rainha do Cinema, Os Sinos de Corneville, Os Maridos Alegres, Duquesa de Bal Tabarin, As Meninas do Music-Hall, O Posto na Rua e A Rapioca. E assim cantou as óperas Cavalaria Rusticana e Boémia.

No Teatro Politeama (empresa Luís Pereira) trabalhou, com Palmira Bastos e Maria Matos, em numerosas peças, entre as quais se destacaram A Rainha de Biarritz e Mamã.

Motivos de saúde e a desaparição do género opereta dos palcos portugueses, causaram o brusco eclipse total da actriz."[1]

Isabel Tainha (mãe)Editar

A mãe de Auzenda de Oliveira foi uma popular actriz, nascida na Pocariça (Cantanhede) em 5 de abril de 1867, e morta em Lisboa, em 6 de abril de 1915. O seu nome completo era Maria Isabel da Costa Oliveira, mas o público conhecia-a por Isabel Tainha, visto ser este o apelido dos seus avós, também artistas.

Do seu casamento com o actor Henrique de Oliveira, nasceram as actrizes Auzenda, Carmen e Egídia de Oliveira e o violinista Raul de Oliveira. Foram agregados o actor José Vítor, e a cunhada Carmen de Oliveira que, além do teatro, se dedicara a trabalhos de acrobacia.

Trabalhou nos Teatros Príncipe Real e Rua dos Condes, nas peças Pera de Satanás e João José. Passando para o Teatro Avenida, contratada por Salvador Marques, trabalhou em revistas, seguindo em várias digressões pela província. Afastando-se do teatro durante um longo período, reapareceu no palco do Teatro S. Luís, com a revista ABC, onde se encontrava, sua filha Auzenda. Convidada pelo actor Artur Duarte, foi à Alemanha gravar discos, mas tendo eclodido a Grande Guerra, viu-se forçada a regressar a Portugal.[2]

Henrique de Oliveira (pai)Editar

O pai de Auzenda de Oliveira, Henrique de Oliveira foi actor e empresário, nascido a 30-IV-1865 e morto a 4-II-1935. Era filho do empresário Joaquim de Oliveira, palhaço e director de um circo ambulante. Estreou-se na companhia infantil do "Dallot", como acrobata, e depois como actor num teatro de Cantanhede, na Companhia Tainha, representando um papel pequeno na peça O Bombeiro Municipal.

Esteve muito tempo na companhia do actor Domingos e foi casado com a actriz Isabel de Oliveira, a "Isabel Tainha". Foi também empresário e esteve treze anos na Companhia Satanela-Amarante.[3]

Referências

  1. In Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Ilustrada com cerca de 15.000 Gravura e 400 Estampas a Cores, vol. XIX, Editorial Enciclopédia, Limitada, Lisboa-Rio de Janeiro, [s.d.], p. 357
  2. In Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Ilustrada com cerca de 15.000 Gravura e 400 Estampas a Cores, vol. XIX, Editorial Enciclopédia, Limitada, Lisboa-Rio de Janeiro, [s.d.], p. 370.
  3. In Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Ilustrada com cerca de 15.000 Gravura e 400 Estampas a Cores, vol. XIX, Editorial Enciclopédia, Limitada, Lisboa-Rio de Janeiro, [s.d.], p. 369.