A Avenida Rebouças é uma movimentada via pública do município de São Paulo, responsável pela ligação da Avenida Paulista com a Marginal Pinheiros e desta com o Centro, por meio da Rua da Consolação. A Avenida Rebouças caracteriza-se como um dos principais eixos rodoviários e de transporte público da cidade e é classificada como via arterial.[2] Devido à grande importância de centro financeiro e comercial, a avenida apresenta tráfego intenso de veículos durante quase todo o dia.

Avenida Rebouças
São Paulo, Brasil
Avenida Rebouças
Avenida Rebouças vista a partir da esquina com a Avenida Pedroso de Moraes, em direção ao Centro
Avenida Rebouças
Tipo Avenida
Inauguração 1916[1]
Extensão 4 100
Início Rua da Consolação, 2 608 ou Complexo Viário Rebouças
Cruzamentos Avenida Paulista, Avenida Doutor Arnaldo, Avenida Brasil, Rua Oscar Freire, Avenida Pedroso de Morais, Avenida Brigadeiro Faria Lima
Subprefeitura(s) Pinheiros
Distrito(s) Jardim Paulista e Pinheiros
Bairro(s) Cerqueira César, Jardins, Jardim América, Jardim Paulistano e Pinheiros
Fim Avenida Nações Unidas ou Marginal Pinheiros
Avenida Rebouças, na altura do túnel de acesso à Avenida Doutor Arnaldo

A avenida é atendida pela Linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo por meio da Estação Oscar Freire, localizada no cruzamento com a Rua Oscar Freire.

História editar

Originalmente chamada Rua Doutor Rebouças, a via homenageia Antônio Rebouças,[3] Contratado em 1873 pela Companhia Paulista de Estrada de Ferro Jundiahy a Campinas para ser o Engenheiro em Chefe do prolongamento da Estrada de Ferro até São João do Río Claro, porém vitimado por febre tifóide veio a óbito na Cidade de São Paulo em 1874. Ela foi aberta em 1916[1], e seu traçado remonta a trecho do antigo Caminho do Peabiru.[4] Nos anos 1930, passou a ser uma das principais ligações listadas no "Plano de Avenidas" do então prefeito Francisco Prestes Maia.[5]

A avenida tem seu início na Rua da Consolação, na altura do número 2 608, no Complexo Viário Rebouças, e estende-se até a Marginal Pinheiros. Seu trecho principal é duplicado e tem extensão de 3,3 quilômetros, terminando na Avenida Brigadeiro Faria Lima, no cruzamento onde se localiza o Túnel Jornalista Fernando Vieira de Mello, inaugurado em 2004. O outro trecho, menos conhecido, é uma rua de mão dupla, paralela à Avenida Eusébio Matoso, que termina na Avenida Nações Unidas (Marginal Pinheiros), em frente ao Shopping Eldorado.

Trânsito editar

Em 2006, o cruzamento da avenida Rebouças com a avenida Brigadeiro Faria Lima foi classificado pelo Jornal da Tarde como "o pior endereço de São Paulo para quem anda de ônibus", devido à fila de ônibus diária no corredor exclusivo, que chegava a ser de quarenta veículos.[6] Segundo o jornal, a situação "caótica" em setembro já se arrastava havia um ano, e, diariamente, a SPTrans tinha de mandar um grupo de fiscais ao local para tentar organizar o trânsito.[6] Com isso, o corredor, que fora construído em 2004 para agilizar a ligação por meio de transporte público entre o centro e a zona sul, estava tendo o efeito contrário ao originalmente pensado, afastando usuários dos ônibus.[6]

Em julho daquele ano, a Prefeitura tinha tentado implantar a "Faixa Cidadã" na avenida, dando prioridade a motos em uma das duas faixas fora do corredor de ônibus.[7] O projeto era experimental e previa que a faixa seria colocada, com um losango verde-limão de bordas brancas pintado a cada duzentos metros, nas avenidas Rebouças e Eusébio Matoso, além de na Rua da Consolação.[7] "Tenho convicção de que essa medida, em um dos trechos mais importantes de São Paulo, servirá de referência para que possamos, o mais breve possível, implantar o projeto nos demais corredores", disse Gilberto Kassab, prefeito da cidade à época.[7] A Faixa Cidadã era apenas preferencial, ou seja, automóveis não seriam punidos por trafegar nela.[7] A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) acreditava que a medida ajudaria a disciplinar a relação entre motoristas e motociclistas, reduzindo o número de acidentes.[8]

Na estreia, em 24 de julho, uma segunda-feira, houve dois acidentes na faixa, incluindo o atropelamento de uma funcionária da CET que divulgava o projeto, mas a CET classificou a experiência como "um sucesso".[8] Um motoboy ouvido pelo JT criticou a faixa, porque aos carros era permitido trafegar nela: "Se a gente ficar atrás deles, nosso serviço fica comprometido; as entregas vão atrasar sempre".[8] Motoristas também duvidavam que a experiência fosse dar certo.[8] Dois dias depois de aberta, a Faixa Cidadã foi chamada pelo JT de "faixa do perigo", pois nela "tudo [trafegava], menos motos", apesar da determinação da CET para que elas usassem a faixa e não trafegassem entre os carros.[9]

Apesar da má experiência, em setembro a CET criou uma nova faixa para motocicletas na Avenida Sumaré, desta vez exclusiva para esses veículos.[10] Segundo o presidente da CET, Roberto Scaringella, era impossível tornar a faixa da Avenida Rebouças exclusiva por causa do alto movimento e das faixas estreitas.[11] Técnicos ouvidos pela Folha de S. Paulo classificavam a faixa "preferencial" da Rebouças como um erro: "Os motoristas simplesmente ignoraram, porque, caso ficassem na [única] faixa que lhes foi destinada, a velocidade cairia muito."[11] Em editorial publicado dois meses após a abertura, a Folha chamou a faixa da Rebouças de "completa inutilidade".[12]

Topônimo editar

A avenida (originalmente chamada rua Doutor Rebouças) foi nomeada em homenagem ao abolicionista e engenheiro baiano André Rebouças, nascido negro e de família livre,[13] que, juntamente com seu irmão, o também engenheiro Antônio Pereira Rebouças Filho, projetou e construiu a estrada de ferro entre Curitiba e Paranaguá.[1]

Cultura popular editar

O logradouro é uma das cartas do jogo de tabuleiro Banco Imobiliário.[14]

Referências

  1. a b c Silvia Costa Rosa (2003). 1001 Ruas de São Paulo. Guia sobre a História dos Homenageados nas Placas da Cidade. [S.l.]: Panda Books. 186 páginas 
  2. http://www.cetsp.com.br/media/20647/nt162.pdf
  3. Prefeitura municipal de São Paulo. «Dicionário de Ruas de São Paulo». Dicionário de Ruas de São Paulo. Consultado em 20 de agosto de 2023 
  4. BUENO, Eduardo (novembro de 2003). Onde Nasceu o Brasil?. Aventuras na História. São Paulo: Editora Abril. 58 páginas 
  5. Gilberto Amendola (25 de janeiro de 2007). «O início da metrópole». São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo. Jornal da Tarde (13 303): 2F. ISSN 1516-294X 
  6. a b c Cinthia Rodrigues (22 de setembro de 2006). «O ponto que empata a fila». São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo. Jornal da Tarde: 3A. ISSN 1516-294X 
  7. a b c d Fernanda Aranda (24 de julho de 2006). «Pista própria para motos». São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo. Jornal da Tarde (13 118): 6A. ISSN 1516-294X 
  8. a b c d Camilla Haddad e Juliano Machado (25 de julho de 2006). «Faixa cidadã estréia com 2 acidentes». São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo. Jornal da Tarde (13 119): 4A. ISSN 1516-294X 
  9. Marc Tawil (26 de julho de 2006). «Faixa Cidadã agora é 'faixa do perigo'». São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo. Jornal da Tarde (13 120): 5A. ISSN 1516-294X 
  10. Vinicius Abbate (13 de setembro de 2006). «Sumaré terá faixa para motos na segunda». São Paulo: Empresa Folha da Manhã S.A. Folha de S. Paulo: C5. ISSN 1414-5723 
  11. a b Ricardo Gallo e Afra Balazina (18 de setembro de 2006). «Inédita, faixa exclusiva para motos começa sob polêmica». São Paulo: Empresa Folha da Manhã S.A. Folha de S. Paulo: C1. ISSN 1414-5723 
  12. «Só para motos». São Paulo: Empresa Folha da Manhã S.A. Folha de S. Paulo: A2 20 de setembro de 2006. ISSN 1414-5723 
  13. Avenida Rebouças. Bairro de Vila América, SP. Início: rua da Consolação. Final: avenida Nações Unidas
  14. Masp e 25 de Março são novos endereços do Banco Imobiliário, acessado em 26 de fevereiro de 2011