Barisão II de Arborea

Juíz-Rei de Arbórea
(Redirecionado de Barisão II de Arbórea)

Barisão II de Arborea (em italiano: Barisone II di Arborea) ou Barisão II de Lacon Serra (ou I, segundo outras fontes;[1][2] m. 1186) foi juiz-rei de Arborea de 1146 até à sua morte. Barisão destacou-se na história sarda pois foi o primeiro a receber a investidura imperial e nomeado rei pelo sacro-imperador Frederico I, embora fosse somente uma questão de título. Foi também no seu reinado que começaram a acontecer as primeiras investidas catalãs na ilha.

Barisão II de Arborea
Juíz/ Rei
Moeda de Barisão, provavelmente de 1164-65, príodo em que se intitula oficialmente rex.
Juíz-Rei de Arborea
Reinado 1146-1186
Predecessor Cosme II
Sucessor Pedro I
Rei de Sardenha, de jure
(doação e confiscação imperial)
Reinado 1164-1165
Predecessor criação do título
Sucessor vacante
Próximo titular:Enzo de Hohenstaufen
Nascimento ?
  Julgado de Arborea
Morte 1186
  Julgado de Arborea
Cônjuge Pelegrina de Lacon
Agalbursa de Bas
Descendência Pedro I, Juíz-Rei de Arborea
Sinispela, Viscondessa de Bas
Barisão de Arborea
Susana de Arborea
Casa Lacon-Serra
Pai Cosme II de Arborea
Mãe Helena de Orrubu
Religião Catolicismo romano

BiografiaEditar

Primeiros anosEditar

Barisão nasceu, em data desconhecida, possivelmente nos inícios do século XII, como filho do juiz Cosme II de Arborea e da sua esposa Helena de Orrubu, pertencendo à Casa sarda de Lacon-Serra, governante do julgado de Arborea. Pouco se sabe na realidade sobre os seus primeiros anos. Aquando da morte do pai, em 1146, sucedeu automaticamente sem qualquer problema sucessório.

ReinadoEditar

Nos seus primeiros anos, manteve boas relações com a República de Pisa e a Igreja. Assistiu à cerimónia de consagração da Igreja de Santa Maria de Bonarcado, realizada na presença do Arcebispo de Pisa e do clero arborense, doando inclusive diversas terras.

Dono de um considerável legado, tanto a nível insular como peninsular, Barisão, possivelmente para evitar perdê-lo, reuniu uma conferência com vários nobres e restantes julgados sardos para propor uma paz geral. O acordo foi aceite por todas as partes e durou por quinze anos. Seria na realidade o próprio Barisão a quebrá-lo, em 1157, quando repudiou a sua esposa Pelegrina de Lacon, para se casar com a catalã Agalbursa de Bas, da Casa de Cervera, filha do visconde Hugo I de Bas e da sua esposa Almodis de Barcelona, irmã do então conde de Barcelona Raimundo Berengário IV.

Este matrimónio foi o primeiro de uma sequência que acabaria por criar ligações dinásticas e políticas entre o julgado arborense e várias famílias nobres provenientes dos Condados catalães. Esta ligação é comprovada pela correspondência diplomática do juizː Barisão esteve presente na guerra catalã contra os sarracenos almorávidas nas ilhas Baleares, e obteve do conde de Barcelona apoio nos seus planos para unificar toda a ilha.

A 19 de junho de 1162, o já fraco equilíbrio político entre as duas potências presentes na ilha, Pisa e Génova decaiu subitamente. Explodiu então uma nova guerra que teve a ilha da Sardenha como principal palco. Nesse mesmo ano Barisão aliou-se a Génova e declarou guerra a Pisa. Simultaneamente, como descendente direto de Constantino II de Cagliari, combateu as pretensões de Pedro Torquitório III de Cagliari, da família de Logudoro-Torres (os Lacon-Gunale), que sucedera somente através dos direitos da mulher. Barisão invade Cagliari e toma o trono a Pedro, que é obrigado a fugir para a corte do irmão, o juiz Barisão II de Torres. No ano seguinte, na primavera de 1164, Pedro, aliado ao irmão e aos pisanos atacou Cagliari e retomou o trono para si. Invadiu ainda a própria Arborea, assediando o castelo de Cabras, mas não foi mais além.

Rei da SardenhaEditar

Barisão segue a política antipisana do pai e alia-se várias vezes à República de Génova e é através desta que consegue o apoio do Imperador Frederico Barba Ruiva para a sua causa. Deste modo, a 10 de agosto de 1164 Frederico proclama Barisão como Rei da Sardenha, numa cerimónia que teve lugar na Catedral de S. Siro, em Pavia. Em troca Barisão declarava-se vassalo imperial e assegurava o pagamento anual de quatro mil marcos de prata. Negociou ainda com Génova ajuda militar, em troca de livre comércio no porto de Oristano e garantias de pagamento pelos castelos de Marmilla e Arculentu, que já somavam uma boa quantia de dinheiro.

Em 1165 Barisão estava novamente em Génova, na presença do cônsul Pizzamiglio, mas não foi autorizado a regressar a Arborea, porque se havia endividado e não pagara a quantia exigida pelo Imperador. Assim, em abril, com uma reviravolta, Frederico retirou o título a Barisão e proclamou a Arqudiocese de Pisa como soberana de toda a ilha. Barisão esteve cativo em Génova até que em 1168, acompanhado do diplomata Nuvolone Alberici, regressou a Arborea. Nesse ano a guerra com Pisa chegou ao fim. Enquanto Barisão recolhia o montante necessário para pagar as suas dívidas, a esposa Agalbursa e o cunhado (o visconde de Bas) foram mantidos reféns em Génova, até 1171, quando as dívidas foram por fim pagas.

Últimos anosEditar

Não tendo auxílio político nem de Pisa nem de Génova (que se encontravam no momento num período de paz), Barisão voltou-se para a velha aliada catalã. Assim, em 1177 deu a mão da sua filha Sinispela ao visconde Hugo Pôncio de Bas, irmão da sua segunda esposa Agalbursa.

Em 1180 reiniciou a sua guerra com Cagliari, mas apesar de alguns sucessos iniciais, as suas tropas foram repelidas e Barisão foi capturado e forçado a chegar a um acordo de paz.

Em 1182, doou a Igreja de S. Nicolau de Gurgo à Abadia do Monte Cassino. Fundou também um hospital e um mosteiro em Oristano. Nos últimos anos Barisão dedicou-se ao avanço cultural e religioso do seu julgado.

Faleceu em 1186, sendo sucedido pelo seu filho Pedro.

Casamento e descendênciaEditar

Barisão desposou primeiramente a nobre sarda Pelegrina de Lacon, de quem teveː

Barisão repudiou Pelegrina em 1157 e casou pouco depois com a catalã Agalbursa de Bas, neta materna de Raimundo Berengário IV de Barcelona de quem teria uma filhaː Susana.

Referências

  1. Francesco C. Casula (1994). Delfino, ed. La storia di Sardegna: L'evo moderno e contemporaneo. [S.l.: s.n.] p. 1410. ISBN 88-7138-063-0 
  2. Galizzi, ed. (1988). Studi Sardi. 28. [S.l.]: Università di Cagliari. Istituto per gli Studi Sardi. Consultado em 9 de outubro de 2009 

BibliografiaEditar

  • Alberto M. Ghisalberti, ed. (1964). «Sèrra, Barisone I di». Dizionario Biografico degli Italiani. vol. VI (Baratteri – Bartolozzi). [S.l.]: Istituto della Enciclopedia Italiana 
  • Dionigi Scano (1939). Serie cronologica dei giudici sardi. Archivio Storico Sardo. 21. [S.l.: s.n.] pp. 1–114 
  • Besta, Enrico; Arrigo Solmi (1937). A. Giuffrè, ed. I condaghi di San Nicolas di Trullas e di Santa Maria di Bonarcado. [S.l.: s.n.] 


Precedido por
Cosme II
 
Juiz-rei de Arborea

1146-1186
Sucedido por
Pedro I
Precedido por
Constantino II
 
Juiz-rei de Cagliari

1163-1164
em oposição a Pedro Torquitório III
Sucedido por
Pedro Torquitório III
Precedido por
Gonário II de Torres
autoproclamado
 
Rei da Sardenha
a título nominal

1164-1165
apoiado pelo sacro-imperador Frederico I
Sucedido por
Enzio da Sardenha
a título nominal
apoiado pelo sacro-imperador Frederico I