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Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre a batalha travada em 1122. Para a ocorrida em 1208, veja Batalha de Beroia (1208).
Batalha de Beroia
Restauração Comnena
John II Komnenos.jpg
Imperador João II Comneno, comandante das forças bizantinas na batalha.
Data 1122
Local Beroia (atual Stara Zagora), Bulgária
Desfecho Vitória decisiva do Império Bizantino
Beligerantes
Império Bizantino Pechenegues
Comandantes
João II Comneno desconhecido
Forças
desconhecido desconhecido
Baixas
desconhecido desconhecido
Beroia está localizado em: Bulgária
Beroia
Localização de Beroia (Stara Zagora) no que é hoje a Bulgária

A Batalha de Beroia (atual Stara Zagora) foi um conflito entre os pechenegues e o imperador João II Comneno (r. 1118–1143), do Império Bizantino em 1122, no que é hoje a Bulgária, e resultou no desaparecimento definitivo dos pechenegues enquanto força independente.

AntecedentesEditar

Em 1091 , os pechenegues invadiram o Império Bizantino, porém foram derrotados por Aleixo I Comneno na batalha de Levúnio. Esta derrota teve como consequência a quase total extinção de todos os pechenegues que participaram na invasão, contando com a sobrevivência de um a apenas pequeno número de gentes. Em 1094 os cumanos atacaram o império, e vários pechenegues foram mortos ou aprisionados. Apesar de tudo, este povo não teria ainda sido completamente derrotado pelas aldeias vizinhas.

Em 1122, os pechenegues das estepes russas invadiram novamente o Império Bizantino, atravessando a fronteira do rio Danúbio em território bizantino.[1] De acordo com Michael Angold, é possível que a invasão tivesse ocorrido com o apoio de Vladimir II Monômaco (r. 1113–1125), governante de Quieve, considerando o facto de que os pechenegues haviam outrora auxiliado o príncipe.[1][2] Esta invasão representou uma séria ameaça ao controle bizantino sobre o norte da Península Balcânica. O imperador João II Comneno de Bizâncio (1118 - 1143) decidido a enfrentar os invasores, transferiu o seu exercito desde a fronteira da Ásia Menor (onde tinha combatido contra os turcos seljúcidas) para a Europa, preparando-se para confrontar os pechenegues a norte.

BatalhaEditar

 
Arqueiro a cavalo em ação. Ilustração do norte de Itália, do século X.

O imperador bizantino reuniu suas forças perto de Constantinopla, seguindo-se ao ataque contra o exército pechenegue o mais rápido possível. Enquanto isso, os pechenegues haviam cruzado a Cordilheira dos Bálcãs e acamparam perto da cidade de Beroia na Trácia. No encontro, o imperador propôs um tratado de paz com condições favoráveis aos seus interesses, contudo, enganados, os pechenegues foram atacados de surpresa pelos bizantinos, que lançaram um ataque furtivo ao acampamento. A resistente e poderosa resposta a que os bizantinos se sujeitaram.[3] forçou o imperador a ordenar a intervenção da sua guarda varegue (guarda de elite militar pessoal do imperador bizantino) na batalha, o que obrigou os pechenegues a recuar. A intervenção dos varegues, armados com as suas distintas hachas danese, foi decisiva, uma vez que conseguiram rodear o exército inimigo e derrotá-lo. A vitória foi alcançada e os sobreviventes pechenegues foram detidos ou alistados no exército bizantino.[4]

ConsequênciasEditar

A vitória bizantina exauriu por completo a ameaça dos pechenegues enquanto força independente. Durante algum tempo, as comunidades significativas de pechenegues ainda permaneceram na Hungria, porém deixaram de se afirmar enquanto grupo comunitário individual e foram gradualmente assimilados aos povos vizinhos, como os búlgaros e magiares. Para os bizantinos, esta vitória não conquistou a paz de imediato. Em 1128, os bizantinos foram atacados pelos húngaros, e só em 1130 é que os bizantinos foram capazes de recuperar a sua fronteira do Danúbio.[5] Com isto, a vitória sobre os pechenegues e, posteriormente, sobre os húngaros, garantiu a continuidade da restauração comnena do Império Bizantino e assegurou que grande parte da península balcânica permanecesse bizantina. Isto, por sua vez, abriu espaço a que João II concentrasse os seus esforços no conflito contra os turcos seljúcidas na Ásia Menor e na Palestina.

Referências

  1. a b Angold 1997, p. 184.
  2. Curta 2006, p. 312.
  3. Birkenmeier 2002, p. 90.
  4. Cinnamus 1976, p. 16; Choniates & Magoulias 1984, p. 11.
  5. Angold 1984, p. 154.

BibliografiaEditar