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Pechenegues e seus vizinhos ca. 1030

Os Pechenegues, Pechenegos,[1] patzínacos, petsenecos, patzinaquitas ou pacínacas (em húngaro besenyők; em armênio: badzinag; em búlgaro/russo:Печенеги, translit. pechenegi; em grego: Πατζινάκοι/Πετσενέγοι ou Πατζινακίται, translit. Patzinaki/Petsenegi; em latim: Расinасае; em turco antigo: Beçenek; em turco: Peçenekler) eram um povo semi-nômade das estepes da Ásia Central, de língua turca.

HistóriaEditar

Acredita-se que os pechenegues sejam originários do povo usun (烏孫). Nos séculos VIII e IX, habitavam a área compreendida entre o baixo Volga, o Don, e os Montes Urais. Eles controlaram a maior parte das estepes do sudoeste da Eurásia e da península da Crimeia, durante o século IX. Nessa época, o Império Bizantino aliou-se aos pechenegues, usando-os como escudo para defesa própria contra outras tribos mais perigosas como os varegues e os magiares. Esta era uma antiga prática bastante utilizada pelos bizantinos - jogar uma tribo inimiga contra outra potencial inimiga.

Os oguzes, outro povo turco das estepes, expulsaram os pechenegues de sua terra natal. No processo, também tomaram dos pechenegues seus rebanhos e outra possessões. Uma aliança dos oguzes, quimeques e carlucos pressionava os pechenegues, mas o Império Samânida derrotou aquela aliança. Guiados mais para oeste pelos cazares e cumanos, em 889, os pechenegues seguiram após os magiares para oeste do rio Dniepre em 892.

Em 894, os búlgaros entraram em guerra contra o Império Bizantino. No começo de 895, o imperador Leão VI, o Sábio pediu a ajuda dos magiares, que enviaram um exército, sob o comando de Levente, para a Bulgária. Levente conduziu uma brilhante campanha invadindo grande parte do território búlgaro, enquanto o exército bizantino entrava na Bulgária pelo sul. Surpreendido pelas forças bizantinas e magiares, o czar Simeão I entendeu que não poderia lutar em duas frentes de batalha e rapidamente firmou um armistício. Apesar disso, Simeão I logo empregou a ajuda dos pechenegues para se defender dos magiares. Os pechenegues foram tão bem sucedidos que expulsaram os magiares restantes em Etelköz e nas estepes pônticas, forçando-os a se deslocar para oeste do baixo Danúbio, Transdanúbia e em direção à planície da Panônia, onde mais tarde fundariam o Reino da Hungria.

De acordo com o Sobre a Administração Imperial do imperador Constantino VII Porfirogênito (r. 913–959), a Patzináquia, o território dos pechenegues, se alongou para leste até o rio Siret (ou até mesmo até os Cárpatos orientais) durante os séculos X e XI, e "havia uma distância de quatro dias até a "Turquia" (i.e., Hungria)".

"O todo da Patzináquia é dividido em oito províncias com o mesmo número de grandes príncipes. A primeira província é Irtim; a segunda, Tzur; a terceira, Gila; a quarta, Culpes; a quinta, Carabos; a sexta, Talmate; a sétima, Copon; a oitava, Tzopon. Na época em que os pechenegues foram expulsos de seu país, seus príncipes eram, na província de Irtim, Baitzas; em Tzur, Conel; em Gila, Curcutas; em Culpes, Ipaos; em Carabos, Caidum; na província de Talmat, Costas; em Chopon, Giazis; na província de Tzopon, Batas."[2]

Uma ameaça de longa data aos rutenos de Quieve, os guerreiros pechenegues atacaram de emboscada e mataram Esvetoslau I em 972. De acordo com a Crônica dos Anos Passados, o clã pechenegue fez um cálice do crânio de Esvetoslau (um costume antigo das culturas das estepes).

DesaparecimentoEditar

Após séculos de guerras nos Bálcãs, envolvendo Império Bizantino, búlgaros, varangianos e magiares, os pechenegues foram derrotados na Livônia por um exército combinado bizantino e cumano em 1061. Atacados novamente em 1064 pelos cumanos, muitos pechenegues foram assassinados ou absorvidos. Após o cerco a Constantinopla em 1091, os pechenegues foram na prática aniquilados pelo imperador Aleixo I Comneno. Por algum tempo, comunidades significantes de pechenegues ainda permaneceram na Hungria, mas finalmente os pechenegues deixaram de existir como um povo distinto e foram assimilados pelos povos vizinhos - búlgaros, magiares e gagaúzes.

Referências

  1. Segunda a Enciclopédia do Estudante, edição brasileira de 2008
  2. «Constantine Porphyrogenitus, De Administrando Imperio, c. 950, trad. de R. J. H. Jenkins». Consultado em 13 de maio de 2019. Arquivado do original em 11 de janeiro de 2006