Biblia Hebraica de Kittel

Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre as edições de Rudolf Kittel da Biblia Hebraica (BHK). Para a 4ª edição (BHS), veja Biblia Hebraica Stuttgartensia. Para a nova ou 5ª edição, veja Biblia Hebraica Quinta. Para Para outras versões e significados, veja Bíblia hebraica.

A Biblia Hebraica de Kittel (abreviação BHK)[nota 1] é uma edição crítica do cânon judaico da Bíblia Hebraica (ou Antigo Testamento, para os cristãos), editada pelo hebraísta Rudolf Kittel em 3 edições. A BHK foi sucedida pela 4ª edição com o aparato crítico completamente refeito, que recebeu o nome de Biblia Hebraica Stuttgartensia (BHS), para distingui-la das edições anteriores da BHK.[1]

HistóriaEditar

O hebraísta Rudolf Kittel publicou na Alemanha, duas edições de Bíblia Hebraica, sendo a primeira em 1906 e a segunda com pequenas revisões em 1913.

A segunda edição tem sido reimpressa diversas vezes. Ambas as edições reproduziram o texto hebraico, editado por Mikraot Gedolot e publicado por Daniel Bomberg em Veneza, no ano de 1524.

Características das ediçõesEditar

Estas edições não incluíram as notas massoréticas, embora a edição do Bomberg as tivessem. Sua característica principal são suas notas de rodapé que gravam correções possíveis ao texto hebraico.

São também baseadas no Pentateuco Samaritano e em traduções conceituadas da Bíblia, como a Septuaginta, Vulgata e Peshitta. Assim, usou-se o texto geralmente aceito e preparado por Jacob ben Chayyim como base.

Mais tarde, quando tornaram-se disponíveis os textos massoréticos de Ben Asher, como o do Códice de Leningrado, textos que são bem mais antigos e superiores, sendo padronizados por volta do século XX, Kittel passou produzir uma terceira edição da Bíblia Hebraica, que teve um texto hebraico ligeiramente diferente e algumas notas de rodapé completamente revisadas. Esta obra foi concluída por seus associados, após a sua morte. Foi a primeira vez que uma Bíblia reproduziu o texto do Códice de Leningrado. Os créditos pela ideia de usar o códice, cabem a Paul Kahle.[2]

Esta revisão apareceu nas edições, de 1929 a 1937, sendo que a primeira edição em um só volume foi em 1937. Depois disso foi reimpresso muitas vezes, incluindo as mais antigas edições que gravam variantes no livro de Isaías e do livro de Habacuque nos Pergaminhos do Mar Morto. Reproduz exatamente as notas massoréticas do códice, sem as editar. Quanto à referência, a Bíblia Hebraica de Kittel é geralmente abreviado BH, ou BHK (K para Kittel). Quanto a edições específicas para consultas, usa-se BH1, BH2 e BH3.

Ver tambémEditar

Notas

  1. Quando a edição de Kittel era a única, era comum ser chamada simplesmente de "Bíblia Hebraica" ou "BH". Com a 4ª edição, houve a necessidade de uma distinção entre a BHS e a BHK, dai os nomes e siglas atualmente usadas. (Prefácio da Bíblia Hebraica Stuttgartensia, in BIBLIA SACRA, 1997, p. XII. Ou in: FRANCISCO, 2008, p. 3)

Referências

  1. FRANCISCO, Edson de Faria. Manual da Bíblia Hebraica: Introdução ao Texto Massorético - Guia Introdutório para a Bíblia Hebreica Stuttgartensia. 3ª edição revisada e ampliada. São Paulo: Vida Nova, 2008. 760 p. Esta obra complementada pelo site do autor: <www.bibliahebraica.com.br>.
  2. Sumário por Mark Hamilton, recomendação da Sociedade para Literatura Biblica, Patrick H. 1999, página 17, seção 4.3

Bibliografia de referênciaEditar

  • FISCHER, Alexander A. O Texto do Antigo Testamento – Edição Reformulada da Introdução à Bíblia Hebraica de Ernst Würthwein. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2013.
  • FRANCISCO, Edson de Faria. Manual da Bíblia Hebraica: Introdução ao Texto Massorético - Guia Introdutório para a Bíblia Hebreica Stuttgartensia. 3ª edição revisada e ampliada. São Paulo: Vida Nova, 2008. 760 p. Esta obra é complementada pelo site do autor: <www.bibliahebraica.com.br>.
  • ____. Tetragrama, Teônimos e Nomina Sacra: Os Nomes de Deus na Bíblia. Santo André: Kapenke, 2018, 240 p.. ISBN 978-85-93894-12-1.
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