Bonecas de massa

Brasão de armas da freguesia do Caniço, município de Santa Cruz, em cujo escudo figuram as bonecas de massa típicas da zona

As bonecas de massa, ou figuras de maçapão,[1] são figuras comestíveis amarelas, enfeitadas com papel de seda encarnado e azul, que são uma tradição centenária do arquipélago da Madeira, em Portugal. O costume é encontrarem-se nos arraiais e romarias, sendo utilizadas mais como enfeite do que como alimento.[1][2][3][4][5]

As bonecas podem apresentar feitios e dimensões diferentes. As formas comuns são o casal, com uma imagem feminina e outra masculina, símbolo de fertilidade e fecundidade, o galo, que simboliza a vigilância e o trabalho e relaciona-se com cultos ancestrais de proteção na doença, as pulseiras ou argolas, símbolos do eterno retorno e da eternidade, e os cestinhos encanastrados.[1]

As figuras humanas são acompanhadas por pequenos pormenores de pássaros, nas mãos, nos braços ou na roda da saia das figuras, que, segundo consta, são pombas que simbolizam a paz, o Espírito Santo ou a família.[2][3]

ConfeçãoEditar

A massa é confecionada utilizando farinha, água, fermento, corante de ovo ou de tangerina e um pouco de sal fino, sendo, depois de cozida por cerca de 20 minutos, ornamentada com o característico papel de seda vermelho e azul, e sementes de bananeira ou cebolinho que servem para fazer de olhos. Os bonecos podem ser considerados “ricos” ou “pobres” de acordo com a quantidade de pormenores de massa com que são enfeitados.[2][3][4]

Ver tambémEditar

Ligações externasEditar

Referências

  1. a b c «Arraiais/romarias - Aprender Madeira». Aprender Madeira. Consultado em 18 de janeiro de 2016. As figuras de maçapão ou bonecas de massa, como eram designadas pelo povo, faziam parte deste leque de doces. Presenças obrigatórias nos arraiais, estas figuras eram exibidas pelos romeiros, sendo colocadas nos chapéus, penduradas nos colares de rebuçados ou transportadas na mão por crianças e adultos.
    O uso de figuras rituais modeladas em massa de pão remonta à Antiguidade. Usualmente associadas a rituais de fertilidade, ao culto dos mortos ou a rituais agrícolas, relacionados com a regeneração e proteção das sementeiras, estes “bonecos comestíveis” ocupam um lugar muito específico entre a doçaria e os pães figurativos, tendo sido o seu fabrico muito comum na Idade Média.
    Em Portugal a par da doçaria conventual, amplamente difundida a partir do século XVI, surgiu também uma outra, de caráter profano, comercializada nas romarias pelos vendedores ambulantes, na qual se incluía vários tipos de doces e pão, cuja morfologia variava de região para região. As suas formas iam desde figuras antropomórficas, a figuras relacionadas com a flora e a fauna ou inspiradas em motivos populares, nomeadamente o coração, símbolo muito enraizado na cultura popular portuguesa.
    Desconhece-se ao certo a origem deste figurado de maçapão vendido no nosso arquipélago, por altura das Romarias, nos chamados arraiais. É no entanto provável que tenha sido introduzido pelos primeiros colonos e se tenha transformado, ao longo do tempo, pelas mãos e criatividade das nossas artífices, distinguindo-se pelas suas originais formas e cores.
    As figuras produzidas são morfologicamente variadas e possuem diferentes dimensões: o casal, inspirado na figura humana feminina e masculina, símbolo de fertilidade e fecundidade, o galo, que simboliza a vigilância e o trabalho e relaciona-se com cultos ancestrais de proteção na doença, as pulseiras ou argolas, símbolos do eterno retorno e da eternidade e os cestinhos encanastrados.
    [...] Todas as fases de fabrico exigiam muita habilidade, adquirida ao longo de muitos anos de aprendizagem no seio familiar: havia que preparar a massa, tendê-la, modelar as figuras, ornamentá-las e cozê-las. As matérias-primas utilizadas nestes artefactos eram farinha, água e fermento para fazer a massa, corante de ovo para lhes dar cor, papel de seda azul e vermelho para ornamentar as figuras e sementes de bananeira de jardim e de cebolinho para colocar nos olhos dos bonecos e passarinhos.
    Estes elementos permaneceram até os dias de hoje, afirmando-se quase como um “símbolo” destas festividades e ocupando um lugar de destaque no nosso artesanato tradicional, podendo esta ser considerada uma das utilizações mais interessantes dos cereais na produção artesanal madeirense.
     
  2. a b c «Ceramista venezuelana não deixa morrer tradição madeirense dos bonecos de massa | DNOTICIAS.PT». www.dnoticias.pt. Consultado em 18 de janeiro de 2016. Presenças marcantes nas festas populares madeirenses, os coloridos bonecos de massa são uma tradição centenária do arquipélago [...]
    A massa é confecionada utilizando farinha, corante de ovo e sal fino, sendo depois ornamentada com o característico papel de seda vermelho e azul, sementes de bananeira ou cebolinho que servem para fazer os olhos. Os bonecos podem ser considerados "ricos" ou "pobres" de acordo com a quantidade de pormenores de massa com que são enfeitados.
    Não faltam também pequenas pombas - uma em cada mão das figuras e outras seis na roda da saia das bonecas - que a ceramista afirma serem símbolos da paz, do Espírito Santo ou da família.
    [...] A artista conta que antigamente as mulheres pobres aproveitavam as sobras da massa do pão e faziam este tipo de bonecas para as crianças se entreterem, um brinquedo que não desperdiçavam porque depois podiam comer.
     
  3. a b c «Ceramista venezuelana não deixa morrer tradição madeirense dos bonecos de massa». SAPO. Consultado em 18 de janeiro de 2016. Presenças marcantes nas festas populares madeirenses, os coloridos bonecos de massa são uma tradição centenária do arquipélago [...]
    A massa é confecionada utilizando farinha, corante de ovo e sal fino, sendo depois ornamentada com o característico papel de seda vermelho e azul, sementes de bananeira ou cebolinho que servem para fazer os olhos. Os bonecos podem ser considerados "ricos" ou "pobres" de acordo com a quantidade de pormenores de massa com que são enfeitados.
    Não faltam também pequenas pombas - uma em cada mão das figuras e outras seis na roda da saia das bonecas - que a ceramista afirma serem símbolos da paz, do Espírito Santo ou da família.
    [...] A artista conta que antigamente as mulheres pobres aproveitavam as sobras da massa do pão e faziam este tipo de bonecas para as crianças se entreterem, um brinquedo que não desperdiçavam porque depois podiam comer.
     
  4. a b «Tradições culturais da Madeira». www.visitmadeira.pt. Consultado em 18 de janeiro de 2016 
  5. «Descrição da imagem «Argola, boneca de massa, 2004»». www.arquipelagos.pt. Consultado em 18 de janeiro de 2016