Braveheart (Brasil: Coração Valente / Portugal: Braveheart - O Desafio do Guerreiro) é um filme norte-americano de 1995, estrelado e realizado por Mel Gibson. Estreou no Brasil em 14 de Julho de 1995 e nos cinemas portugueses em 15 de Dezembro daquele ano. Braveheart recebeu dez indicações ao Oscar, ganhou em cinco categorias, incluindo Melhor Filme e Melhor Direção (para Mel Gibson).

Braveheart
Braveheart - O Desafio do Guerreiro (PRT)
Coração Valente (BRA)
Braveheart
 Estados Unidos
1995 •  cor •  177 min 
Género épico
drama
biografia
guerra
Direção Mel Gibson
Produção Mel Gibson
Alan Ladd, Jr.
Bruce Davey
Stephen McEveety
Roteiro Randall Wallace
Elenco Mel Gibson
Angus Macfadyen
James Robinson
Sean Lawlor
Sandy Nelson
Patrick McGoohan
James Cosmo
Sophie Marceau
Brendan Gleeson
David O'Hara
Brian Cox
Peter Hanly
Catherine McCormack
Alun Armstrong
Sean Lawlor
John Kavanagh
Música James Horner
Diretor de fotografia John Toll
Edição Steven Rosenblum
Distribuição CanadáEstados UnidosParamount
Mundial 20th Century Fox
Idioma inglês
Orçamento US$ 65–70 milhões[1][2]
Receita US$ 210,4 milhões[1]

Sinopse editar

 
Estátua de William Wallace na Escócia.

O filme retrata a figura histórica de William Wallace, guerreiro, patriota escocês e herói medieval. O realizador tenta conferir ao protagonista uma faceta mais romântica e idealista e menos sanguinária.

A ação situa-se em finais do século XIII, tempo em que os rebeldes escoceses lutavam contra o domínio do rei inglês Eduardo I.

Depois de, ainda criança, ter assistido à morte de seu pai às mãos do exército inglês, Wallace é acolhido por um tio que lhe dá uma educação esmerada e erudita. Depois de percorrer o mundo, volta à sua Escócia natal e apaixona-se por uma jovem camponesa. Para escapar à deliberação real de que um senhor feudal inglês tinha direito a dormir com uma noiva no dia do seu casamento (direito de prima nocte), contraem matrimónio secretamente. Contudo, a sua mulher é morta por um nobre inglês e, no decorrer da vingança, Wallace assume o comando de um pequeno exército de camponeses com o intuito de lutar pela soberania da Escócia. Chega mesmo a derrotar o poderoso exército inglês na Batalha de Stirling Bridge, mas fracassa em conseguir o apoio dos nobres líderes dos clãs escoceses mais interessados em manter as suas regalias junto da coroa inglesa.

Apesar da ajuda da Princesa Isabel, nora do rei inglês, Wallace é traído pelos nobres escoceses e é aprisionado pelos ingleses. É torturado e executado em praça pública sem nunca renegar a legitimidade da sua luta.

Elenco editar

Prémios e nomeações editar

Oscar 1996

Ano Categoria Resultado
1996 Melhor filme Venceu
1996 Melhor direção - Mel Gibson Venceu
1996 Melhor roteiro original Indicado
1996 Melhor edição Indicado
1996 Melhor edição de som Venceu
1996 Melhor mixagem de som Indicado
1996 Melhor trilha sonora Indicado
1996 Melhor fotografia Venceu
1996 Melhor figurino Indicado
1996 Melhor maquiagem Venceu

Globo de Ouro 1996

Ano Categoria Resultado
1996 Melhor filme (Drama) Indicado
1996 Melhor direção - Mel Gibson Venceu
1996 Melhor roteiro Indicado
1996 Melhor trilha sonora Indicado

BAFTA 1996

Ano Categoria Resultado
1996 Melhor direção Indicado
1996 Melhor fotografia Venceu
1996 Melhor produção de arte Indicado
1996 Melhor maquiagem Indicado
1996 Melhor som Venceu
1996 Melhor vestuário Venceu
1996 Prêmio Anthony Asquith Indicado

MTV Movie Awards 1996

Ano Categoria Resultado
1996 Melhor sequência Venceu

Prêmio Saturno 1996

Ano Categoria Resultado
1996 Melhor filme ação/aventura Indicado
1996 Melhor música Indicado
1996 Melhor figurino Indicado

Trilha sonora editar

Veja o artigo principal: Braveheart (trilha sonora)

Imprecisões editar

Embora bem recebido pelos críticos de cinema, que elogiaram principalmente as cenas de ação (como a batalha de Stirling),[3] o filme acabou sendo extensamente criticado por acadêmicos e historiadores por ser pouco fiel a real história da rebelião da Escócia contra a Inglaterra e a biografia de William Wallace. O diretor (e ator principal) Mel Gibson foi também acusado de anglofobia. Algumas das principais diferenças listada são:[4]

  • O direito de primae noctis é um mito medieval e nunca foi implementado, em qualquer região da idade antiga.[5][6]
  • O filme sugere que a Escócia esteve sob ocupação inglesa por algum tempo, pelo menos durante a infância de Wallace e no período que antecedeu a Batalha de Falkirk. Wallace chega a dizer ao personagem de Bruce no filme: "Nós teremos o que nenhum de nós jamais teve antes, um país só nosso", antes da luta em Falkirk. Na verdade, a Escócia havia sido invadida pela Inglaterra apenas um ano antes da rebelião de Wallace; antes da morte do rei Alexandre III, era um reino totalmente separado.[7]
  • O autor Colin McArthur escreveu que Braveheart constrói Wallace como uma espécie de "líder guerrilheiro nacionalista moderno em um período de meio milênio antes do aparecimento do nacionalismo no cenário histórico como um conceito sob o qual classes e interesses díspares podem ser mobilizados dentro de um estado-nação".[8] Já Christa Canitz postula que retratar "tal falta de solidariedade de classe" como os recrutamentos e enforcamentos relacionados "contaminaria a imagem do filme de Wallace como o moralmente irrepreensível primus inter pares entre seus lutadores camponeses" (o fato de Wallace ser um homem de nascimento nobre é ocultado do filme).[9]
  • A Batalha de Stirling Bridge é mostrada no filme sem citar ou mostrar a ponte, que era o objetivo estratégico e cuja posse garantiu a vitória dos escoceses na batalha. As táticas mostradas se assemelham mais à Batalha de Falkirk.[10]
  • Robert the Bruce de fato mudou de lado algumas vezes, flertando tanto com os escoceses pró-independência quanto aqueles favoráveis aos ingleses durante a guerra, mas ele sempre teve o objetivo maior de conquistar o trono para si. De qualquer forma, não existe evidências concretas de que ele estava no lado inglês durante a Batalha de Falkirk (embora esta afirmação apareça em algumas fontes medievais).[11] Mais tarde, a Batalha de Bannockburn (que encerra o filme) também é mostrada de forma errada, pois não foi uma luta espontânea; a essa altura, Bruce já vinha travando uma campanha de guerrilha contra os ingleses há oito anos.[12] Seu título antes de se tornar rei era de Conde de Carrick e não "Conde de Bruce".[13][14] O pai de Bruce é retratado como um leproso enfermo, embora tenha sido o próprio Bruce quem supostamente sofreu de lepra mais tarde na vida. As maquinações reais de Bruce em torno de Wallace, em vez do idealista manso do filme, sugerem que a relação pai-filho representa diferentes aspectos do personagem histórico de Bruce.[15][16] No filme, o pai de Bruce trai Wallace para desgosto de seu filho, reconhecendo isso como o preço de sua coroa, embora na vida real Wallace tenha sido traído pelo nobre John de Menteith e entregue aos ingleses por ele.[17]
  • Durante o filme, em algumas cenas, aparecem gaitas de foles escocesas (Great Highland Bagpipes), porém o som que é escutado é o som da gaita de fole irlandesa (Uilleann Pipes). Toda a trilha sonora também é produzida com a Uilleann Pipe, embora o filme se passe na Escócia.
  • Há a insinuação de que Wallace e a Princesa Isabelle tiveram um relacionamento amoroso, e que o filho dela (que futuramente seria o Rei Eduardo III) seria filho de Wallace, e não do Príncipe de Gales. No entanto, seria impossível que isso tivesse acontecido, pois Isabelle só entrou na família real britânica em 1308, três anos depois de Wallace ter sido morto, em 1305, de modo que os dois jamais se conheceram.
  • O real Eduardo I de fato foi um rei cruel e temperamental, mas o filme exagera seus aspectos negativos para efeito dramático. Eduardo gostava de poesia e música de harpa, era um marido dedicado e amoroso com sua esposa Leonor de Castela e, como homem religioso, doava generosamente para a caridade. De fato, para muitos, Eduardo I era considerado um dos fundadores da democracia na Grã-Bretanha, tendo ficado ao lado do povo comum contra a maioria da nobreza durante a guerra civil inglesa. A cena do filme em que ele zomba cinicamente de Isabella por distribuir ouro aos pobres depois que Wallace o recusa como um suborno seria improvável. Além disso, Eduardo I morreu em campanha dois anos após a execução de Wallace, não na cama em sua casa.[18] A representação do futuro rei Eduardo II como um homossexual afeminado atraiu acusações de homofobia contra Mel Gibson. De fato, Eduardo II recebeu acusações de não ser muito másculo, pois não tinha gosto por tradições militares e era um apreciador das artes, porém nunca teve um amante homem e seu casamento com Isabella rendeu quatro filhos.[19] Gibson afirmou que a razão pela qual Longshanks mata o amante de seu filho no filme é que o rei era um "psicopata".[20]
  • No filme, os escoceses usam tipos de saias chamadas de kilt, mas o que se sabe é que os kilts só foram popularizados no século XVII na Escócia, sendo assim, Willian Wallace nunca usou tal vestimenta na vida real. Na época o que se usava era somente uma manta jogada acima do ombro se estendendo até o joelho aparentemente formando uma saia, típica dos povos das terras altas, enquanto os militares escoceses se vestiam de forma parecida aos ingleses.[21]

O roteirista do filme, Randall Wallace, confirmou que o filme é fortemente inspirado pelo poema The Acts and Deeds of Sir William Wallace, Knight of Elderslie, de Blind Harry, escrito no século XV. O poema de Blind Harry não é considerado historicamente preciso e, embora alguns incidentes do filme que não são historicamente acurados sejam retirados de Blind Harry (por exemplo, o enforcamento de nobres escoceses no início), há grandes partes que não são baseadas nem na história real nem no poema de Harry (por exemplo, o caso de Wallace com a princesa Isabella).[22]

Referências

  1. a b «Braveheart (1995)». Box Office Mojo. Consultado em 7 de fevereiro de 2013 
  2. THR Staff (18 de abril de 2017). «Mel Gibson Once Threw an Ashtray Through a Wall During 'Braveheart' Budget Talks». The Hollywood Reporter. Consultado em 23 de março de 2018 
  3. «The best – and worst – movie battle scenes». CNN. 30 de março de 2007. Consultado em 1 de abril de 2007. Arquivado do original em 8 de abril de 2007 
  4. Anderson, Lin (2005). Braveheart: From Hollywood to Holyrood. [S.l.]: Luath Press Ltd. p. 27 
  5. Classen, Albrecht (2007). The medieval chastity belt: a myth-making process. London: Macmillan. p. 151. ISBN 9781403975584. Cópia arquivada em 9 de junho de 2013 
  6. «Urban legends website». Snopes.com. 6 de julho de 2008. Consultado em 20 de junho de 2013 
  7. Traquair, Peter (1998). Freedom's Sword. [S.l.]: HarperCollins  p. 15
  8. McArthur, Colin (1998). «Braveheart and the Scottish Aesthetic Dementia». In: Barta, Tony. Screening the Past: Film and the Representation of History. [S.l.]: Praeger. pp. 167–187. ISBN 978-0-275-95402-4 
  9. Canitz, A.E. Christa (2005). «'Historians ... Will Say I Am a liar': The Ideology of False Truth Claims in Mel Gibson's Braveheart and Luc Besson's The Messenger». In: Utz, Richard J.; Swan, Jesse G. Studies in Medievalism XIII: Postmodern Medievalisms. Suffolk, United Kingdom: D.S. Brewer. pp. 127–142. ISBN 978-1-84384-012-1 
  10. Traquair pp. 77-79
  11. Penman, Michael (2014). Robert the Bruce: King of the Scots. New Haven: Yale University Press. ISBN 978-0300148725  pp. 58-59
  12. Traquair pp. 128-176
  13. Traquair p. 58
  14. «BraveHeart – the 10 historical inaccuracies you need to know before watching the movie». 5 de dezembro de 2011. Consultado em 13 de fevereiro de 2020. Cópia arquivada em 13 de fevereiro de 2020 
  15. Traquair p. 254
  16. Penman pp. 302-304
  17. Traquair p. 123
  18. Traquair p. 147
  19. Della Cava, Marco R. (24 de maio de 1995). «Gibson has faith in family and freedom». USA Today 
  20. Matt Zoller Seitz (25 de maio de 1995). «Icon: Mel Gibson talks about Braveheart, movie stardom, and media treachery». Dallas Observer. Consultado em 19 de agosto de 2013. Cópia arquivada em 22 de setembro de 2007 
  21. Carlin, Martha. «Clothing, Armor, and Weapons of a Mid Thirteenth-Century English Knight» 
  22. Unmapping the Territory: Blind Hary's Wallace, Felicity Riddy's chapter in Edward Cowan's The Wallace Book (2007, ISBN 978-0-85976-652-4)

Ligações externas editar

 
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