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Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Carrapato (desambiguação).

Um carrapato ou carraça é um artrópode da ordem dos ácaros, classificado nas famílias Ixodidae ou Argasidae. São ectoparasitas hematófagos, responsáveis pela transmissão de inúmeras doenças. Registros fósseis sugerem sua existência há pelo menos 90 milhões de anos, com mais de 800 tipos.[1]

Como ler uma infocaixa de taxonomiaIxodidae e Argasidae
carrapatos, carraças
Carrapato macho

Carrapato macho
Classificação científica
Domínio: Eukariota
Reino: Animalia
Subreino: Metazoa
Filo: Arthropoda
Subfilo: Chelicerata
Classe: Arachnida
Subclasse: Acarina
Ordem: Ixodida
Família: Ixodidae
Argasidae
Géneros e espécies
Ver texto.

Índice

LocalizaçãoEditar

Encontra-se difundido por toda a Terra tanto no campo como na cidade, pois o principal motivo de sua ação é o ser humano ou animal de cujo sangue se alimenta, sendo por isso considerado hematófago e um dos principais vetores de muitas doenças causadas por vírus, bactérias, protozoários e riquétsias, que transmitem doenças ao homem e animais.

Existem espécies a partir de 0,25 mm de diâmetro. Vivem em touceiras, capim, no chão, entre as madeiras em climas úmidos ou secos.

Os carrapatos geralmente têm a forma oval e quando em jejum são planos no sentido dorso-ventral, porém após se alimentarem ficam convexos e até esféricos.

Sua carapaça é composta por quitina, na forma de um exoesqueleto, bem resistente e firme em relação a sua pouca espessura.

Tipos de parasitismoEditar

Carrapatos da família Argasidae normalmente não permanecem aderidos ao hospedeiro por períodos prolongados; passam a maior parte do tempo no ambiente (escondidos em frestas em abrigos de animais, por exemplo) e procuram o hospedeiro apenas para se alimentar, normalmente quando estes dormem. Esses carrapatos são notáveis por poderem permanecer em jejum por períodos prolongados, frequentemente mais de um ano, esperando pela oportunidade de se alimentar. Já os carrapatos da família Ixodidae permanecem longos períodos sobre seus hospedeiros. Aqui, há dois principais tipos de parasitismo:

  • Carrapatos de um hospedeiro, como o carrapato do boi Boophilus microplus, aderem ao hospedeiro quando ainda na fase de larva, alguns dias após eclodirem dos ovos; após iniciarem o parasitismo, crescem ficando com aspecto "ingurgitado", realizam mudas chegando à fase adulta. Após as fêmeas estarem alimentadas (ingurgitadas) com o sangue, as fêmeas caem no solo e procuram um local protegido para realizar a postura de ovos. As fêmeas produzem milhares de ovos morrendo em seguida.
  • Carrapatos de dois hospedeiros, em que os estágios de larva e ninfa ocorrem no mesmo hospedeiro, mas o estágio de adulto num hospedeiro diferente
  • Carrapatos de três hospedeiros, como o carrapato do cavalo Amblyomma cajennense: esses carrapatos caem ao solo para realizar as mudas, subindo em um novo hospedeiro em seguida.

Desenvolvimento em bovinosEditar

Duas famílias Ixodidae e a argasidae, são conhecidas como carrapatos. A mais importante é a Ixodidae, cujos membros são frequentemente denominados carrapatos duros, por causa da presença de um rígido escudo quitinoso eu cobre toda a superfície dorsal do macho adulto; na fêmea adulta, na larva e na ninfa, eles se estende apenas por uma pequena área, permitindo a dilatação do abdômen depois da alimentação. A outra família é a Argasidae ou carrapatos moles, assim chamados por não possuírem escudos; incluídos nestas famílias estão os "carrapatos das aves" e os “carrapatos do chão”. O carrapato mais comum nos bovinos é o Boophilus microplus. É um ectoparasito hematófago, pertencente à família dos Ixodídeos, classe dos ácaros, ao filo dos artrópodes e ao reino animal. [2].

PrejuízosEditar

Os carrapatos causam grandes prejuízos devidos sua eficiência reprodutiva, pois seu ciclo se completa em 21 dias e cada fêmea põe em media 3 000 ovos. Por isso qualquer dano que o carrapato cometa toma enormes dimensões.[3] . Este ácaro leva a um atraso no desenvolvimento, enfraquecimento pela perda de sangue, irritação do animal parasitado e desvalorização do couro. Observa-se, também, queda na produção de leite e na engorda dos animais. O carrapato também é um agente transmissor de doenças, entre elas a mais importante é a tristeza parasitária bovina, responsável por perdas econômicas significativas. [4]

Função dos carrapaticidasEditar

Os carrapaticidas têm como princípio ativo os mesmos dos inseticidas de uso geral, diferindo apenas na apresentação fisioquímica, a fim de poderem ser usados em banheiro de imersão, aspersão ou pouron. [5]. A eficácia dos carrapaticidas é limitada, já que os carrapatos são parasitas capazes de desenvolver resistência a produtos químicos e passá-la para gerações seguintes [6] . Há muito tempo tem-se verificado problema de resistência dos parasitas aos medicamentos químicos. A cada ano que passa, novos medicamentos é lançado no mercado com o intuito de eliminar o mais rápido possível, os ectoparasitos, não buscando, entretanto, o equilíbrio do ambiente com estas "pragas". [7]

Cuidados pessoaisEditar

Para evitar possibilidade de contaminação pela Febre Maculosa Bovina alguns cuidados devem ser tomados visando reduzir a possibilidade de picada e fixação dos carrapatos nos humanos:

  • 1 - Uso de roupas claras, camisa de manga comprida e botas de cano longo com a proteção de fita adesiva entre a calça e a bota.
  • 2 - Vistoriar o corpo e retirar os carrapatos imediatamente após terminar a atividade de campo.
  • 3 - Matar os carrapatos com fogo, água fervente ou álcool e não esmagar entre as unhas para não correr o risco de contaminação. Para retirar os carrapatos da roupa pode ser usada fita adesiva e, em seguida, ferver as roupas antes de lavar.

Se dias após o contato com carrapatos aparecerem sintomas como gripe forte (febre, desânimo, dores no corpo), falta de apetite e/ou manchas na pele, deve-se procurar um médico imediatamente e informar sobre o contato com carrapato. É importante lembrar que as larvas e ninfas são os principais responsáveis pela transmissão da FMB.[8]

EspéciesEditar

 
Carrapatos diversos

No BrasilEditar

Os carrapatos mais comuns no Brasil são:

  • Carrapato-de-cavalo ou Carrapato Estrela (Amblyomma cajennense) é o que mais comumente parasita o homem. Também infesta mamíferos domésticos e silvestres e aves. Em sua forma adulta, ele é conhecido como carrapato estrela. Fica grande, do tamanho de um feijão verde, ou até maior. A sua forma larval, o micuim, está nos pastos no período de março a julho. Este tipo de micuim, que pode ficar até 24 meses sem se alimentar, esperando um hospedeiro, no homem causa terrível coceira e inflamação que pode durar mais de um mes. É o principal vetor da Febre Maculosa.
  • Carrapato-vermelho-do-cão (Rhipicephalus sanguineus), típico de cães e gatos. Os adultos preferem instalar-se na pele, entre o coxim plantar e as orelhas do cão. Sobem pelas cercas, muros, e espalham-se pelo canil, casa, etc. É de fácil controle.

Os Makuxi da região do rio Branco e rio Rupununi, compreendendo Brasil e Guiana, eram grandes apreciadores de carrapatos como alimento[9].

Referências

  1. «Carrapatos». Portal do Dog. Consultado em 11 de fevereiro de 2013 
  2. GONZALES, J.C. O controle do carrapato dos bovinos. Porto Alegre, Sulina, 1975. 103 p.
  3. ARENALE,S, M. C. Comparando homeopatia veterinária com medicina Convencional no controle de ecto e endoparasitas. São Paulo: [s.n.],1998. 26p.
  4. CORRÊA, O. Doenças parasitarias dos animais domésticos. Porto Alegre: Livraria Sulina, 1971. 285 p.
  5. GONZALES, J.C. O controle do carrapato dos bovinos. Porto Alegre, Sulina, 1975. 103 p.
  6. CALDAS, F. Carrapato: a vez do combate personalizado. Revista Balde Branco . Ano XXXIX. Nº474 Abril 2004. 82p.
  7. ARENALE,S, M. C. Comparando homeopatia veterinária com medicina Convencional no controle de ecto e endoparasitas. São Paulo: [s.n.],1998. 26p.
  8. «Artigo: Cuidados com os carrapatos no ambiente - Portal Embrapa». www.embrapa.br. Consultado em 10 de agosto de 2017 
  9. BASTOS, Abguar. A pantofagia ou as estranhas práticas alimentares da selva: Estudo na região amazônica. São Paulo, Editora Nacional; Brasília DF, INL. 1987, 153 p.