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Chade
Catedral de Nossa Senhora, em N'Djamena, capital do Chade
Ano 2010[1]
Cristãos ≅ 5.000.000 (41,1%)
Católicos ≅ 2.400.000 (20%)
População 12.075.985
Paróquia 127[2]
Presbíteros 246[2]
Religiosos 166[2]
Religiosas 342[2]
Presidente da Conferência dos Bispos Católicos Goetbe Edmond Djitangar[3]
Núncio apostólico Santiago De Wit Guzmán[4]
Códice TD

A Igreja Católica no Chade é parte da Igreja Católica universal, em comunhão com a liderança espiritual do Papa, em Roma, e da Santa Sé. O país assiste a um forte crescimento do número de católicos: nos últimos 20 anos, passaram de ser pouco mais de 5% a 20%.[5][6]

Índice

Atualidade e desafiosEditar

Quando ao contexto religioso, o padre português Leonel Claro afirma que se trata de uma região de maioria muçulmana e "um país de primeira evangelização", onde a Igreja Católica está "em construção", ainda é "uma criança". O sacerdote recorda a dificuldade que envolve o trabalho missionário, devido à escassez de meios humanos: "Numa paróquia de 7.000 km², duas vezes a Diocese do Porto, éramos três ou quatro padres".[7] Em decorrência da falta de sacerdotes[5][7], a participação semanal nas missas não é possível em muitas regiões do Chade, contanto há uma reunião semanal para leitura da Bíblia, rezas, etc. Em ao Sínodo dos bispos no Vaticano, Dom Miguel Ángel Sebastián Martínez, bispo da Diocese de Lai, diz que mesmo com os conflitos que afetam o país há mais de 40 anos, "estamos convencidos de que a Palavra de Deus é uma palavra de Paz, uma palavra que anuncia a Paz e que invoca a Paz, o perdão, a reconciliação e a justiça".A Igreja no país promove numerosas iniciativas de promoção integral do homem e da mulher, e de luta contra o analfabetismo, por meio de escolas,[5] além de dispensários e hospitais. Há escolas católicas em que mais de 90% dos alunos são muçulmanos.[8][9]

O Monsenhor Rubén Darío Ruiz, sacerdote diocesano argentino e diplomata do Vaticano, enviado pela Santa Sé, vive no Chade, conta que a diversidade linguística em algumas zonas complica bastante a evangelização. Ele afirma conhecer paróquias em que há sete línguas extremamente diferentes, tornando a tarefa pastoral muito complexa mesmo para os sacerdotes locais.[8]

Geralmente, os grupos religiosos desfrutam de boas relações entre si, em particular no sul do Chade. Delegações de muçulmanos e cristãos participam regularmente nas celebrações religiosas e dias festivos uns dos outros. Entretanto, há registros de ataques graves por parte de grupos islâmicos em anos anteriores, e não tem havido melhorias na situação da liberdade religiosa. No país há combatentes jihadistas vindos de outros países e que procuram desestabilizar o Chade. Estatísticas revelam que 10% dos muçulmanos aderem ao salafismo ou ao wahabismo, uma interpretação literal do Alcorão originada na Arábia Saudita, os quais entram repetidamente em conflito até mesmo com muçulmanos mais moderados.[10]

Repetidos confrontos armados estão ocorrendo iniciados pela organização terrorista islâmica Boko Haram, que atua em toda a região em torno do Lago Chade. Esta região fica estrategicamente próximo a fronteira de quatro países: Chade, Nigéria, Níger e Camarões, permitindo ao Boko Haram se retirar e se esconder facilmente. Acredita-se que o conflito já tenha sido a causa da existência de cerca de 2,3 milhões de deslocados na região.[10] A Igreja Católica participa do Fórum Regional de Diálogo Inter-Religioso, ao lado da comunidade islâmica e das igrejas protestantes, e se reúne várias vezes ao ano para promover a tolerância religiosa,[10] inclusive realizando orações conjuntas.[8]

Em 2009, devido ao crescimento da Igreja no país, o Papa Bento XVI elevou a Prefeitura Apostólica de Mongo ao nível de vicariato apostólico, sem alterações em sua configuração territorial. O vigário apostólico de Mongo é o padre Coudray, especialista em língua árabe, islã e diálogo inter-religioso. [5]

Em 2012 a Igreja viu-se censurada e vítima de represália por parte do governo chadiano, após este decidir expulsar o bispo italiano de Doba, Dom Michele Russo, que durante uma homilia expressou preocupações sobre a gestão e a distribuição dos recursos vindos do petróleo. O governo deu uma semana ao prelado para deixar o país. As autoridades de N'Djamena justificaram a decisão explicando que o missionário comboniano teria alegadamente desenvolvido "atividades incompatíveis com o seu papel".[11]

No dia 6 de novembro de 2013, em N'Djamena, foi assinado um acordo entre a Santa Sé e a República do Chade sobre o estatuto jurídico da Igreja Católica na nação. A Santa Sé, representada pelo arcebispo Dom Jude Thaddeus Okolo, Núncio Apostólico no Chade, e da parte chadiana, Moussa Faki Mahamat, Ministro das Relações Exteriores e da Integração Africana. O acordo de 18 artigos entrou em vigor estabelecendo o reconhecimento da personalidade jurídica da Igreja católica e das instituições eclesiásticas, e afirmando o valor social da colaboração da Igreja para a promoção da dignidade da pessoa humana e para a edificação de uma sociedade mais justa e pacífica.[12]

Organização territorialEditar

Conferência EpiscopalEditar

 Ver artigo principal: Conferência Episcopal do Chade

Os bispos do país constituem a Conferência Episcopal do Chade (em francês: Conférence Episcopale du Tchad , CET), que foi fundada em 1970.[3]

Nunciatura ApostólicaEditar

 Ver artigo principal: Nunciatura Apostólica para o Chade

A delegação apostólica da África centro-ocidental foi fundada em 3 de maio de 1960 pelo breve papal Ad universae Ecclesiae do Papa João XXIII, e tinha jurisdição sobre o Chade, Nigéria, Camarões, Gabão, República Centro-Africana e República do Congo. A sede do delegado apostólico era a cidade de Lagos, na Nigéria.[4]

Em 3 de abril de 1965, devido ao breve Qui res Africanas, do Papa Paulo VI foi estabelecida a nova delegação apostólica da África Central, com jurisdição sobre o Chade, a República Centro-Africano, os Camarões, a República do Congo e o Gabão. A sede do delegado apostólico era a cidade de Yaoundé, nos Camarões.[4]

Em 13 de dezembro de 1973, a delegação apostólica do Chade foi estabelecida em virtude do breve Quod Pastoral, do próprio Papa Paulo VI. A sede do delegado era a cidade de Bangui, na República Centro-Africana.[4]

No dia 28 de novembro de 1988 com o breve "Pro Nostro munere", do Papa João Paulo II, a Nunciatura Apostólica do Chade foi estabelecida. O núncio apostólico, que ocupa a mesma posição também para a Igreja Católica na República Centro-Africana, reside na capital deste último, Bangui.[4]

Referências

  1. «Chad». GCatholic. Consultado em 27 de novembro de 2018 
  2. a b c d «Current Dioceses». Catholic-Hierarchy. Consultado em 23 de novembro de 2018 
  3. a b «Conférence Episcopale Nationale du Tchad». GCatholic. Consultado em 23 de novembro de 2018 
  4. a b c d e «Apostolic Nunciature - Chad». GCatholic. Consultado em 23 de novembro de 2018 
  5. a b c d «Cresce a Igreja no Chade». Zenit. 4 de junho de 2009. Consultado em 27 de novembro de 2018 
  6. «Acordo da Santa Sé com a República do Chade sobre o status jurídico da Igreja no país africano». ACI Digital. 7 de novembro de 2013. Consultado em 27 de novembro de 2018 
  7. a b «Missão: Padre Leonel Claro regressa ao Chade para trabalhar numa Igreja Católica «em construção»». Círios de Nazaré. 29 de agosto de 2016. Consultado em 12 de outubro de 2018 
  8. a b c «No Chade, "todos, muçulmanos e cristãos, rezam muito"». Opus Dei. 21 de setembro de 2011. Consultado em 10 de dezembro de 2018 
  9. João Costa (Outubro de 2011). «Missionários Combonianos no Chade: Uma missão, sem limites». Além-Mar. Consultado em 10 de dezembro de 2018 
  10. a b c «Chade». ACN. Consultado em 2 de dezembro de 2018 
  11. «Igreja/África: Chade decide expulsar bispo missionário por criticar gestão dos recursos petrolíferos». Agência Ecclesia. 15 de outubro de 2012. Consultado em 10 de dezembro de 2018 
  12. «Acordo da Santa Sé com a República do Chade sobre o status jurídico da Igreja no país africano». ACI Digital. 7 de novembro de 2013. Consultado em 10 de dezembro de 2018 

Ver tambémEditar