Cineart

Rede brasileira de cinemas

A Cineart, também conhecida como Cineart Multiplex, é uma rede brasileira cinemas e distribuidora de filmes, sediada na cidade de Belo Horizonte, que atua exclusivamente no Estado de Minas Gerais, onde detém a liderança do mercado local[1]. Seu parque exibidor é formado atualmente por treze complexos e setenta salas,[2] média de 5,83 salas, sendo que suas 13 745 poltronas perfazem uma média de 196,36 assentos por sala.[3]

Cineart
Logotipo da empresa Cineart Multiplex
Razão social Delta Filmes Ltda.
Sociedade limitada
Slogan Mais sala, mais filmes, mais perto
Atividade Cinematográfica
Fundação 1947 (75 anos)
Sede Rua Paul Bouhilier, 37 Mangabeiras, Belo Horizonte,  Minas Gerais  Brasil
Área(s) servida(s) Minas Gerais
Presidente Thais Henriques (diretora geral) e Lucio Otoni (gerente geral)
Produtos Exibição de produções cinematográficas
Subsidiárias Doze complexos de cinemas, perfazendo setenta salas
Website oficial www.cineart.com.br

HistóriaEditar

 
Detalhe do Cineart Shopping Cidade de Belo Horizonte, em janeiro de 2016

A rede de cinemas Cineart foi fundada em 1947.[4] Pertenciam à rede diversos cinemas de rua, tais como o Brasil, Pathé, Metrópole, Cine Jacques, Paladium, Acaiaca, Independência, Roxy, Royal, Tamoio, São Cristóvão e Odeon, todos na cidade de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais.[4]

De acordo com a empresa especializada em mercado cinematográfico FilmeB, a empresa teve quatro milhões de espectadores no ano de 2012, com ingresso médio de quinze reais, o que proporcionou uma renda de R$ 60 milhões.[5] Foi também responsável pela inauguração do primeiro complexo de luxo na capital mineira, localizado no Ponteio Lar Shopping, que utiliza a marca NET Cineart Premier, em virtude do patrocínio daquela empresa de telecomunicações.[6][5] A Cineart também opera uma sala IMAX, inaugurada em dezembro de 2015 no complexo do Boulevard Shopping, a primeira do seu gênero no Estado de Minas Gerais.[7]

Um aspecto importante da marca é a existência de diversas outras empresas cinematográficas pelo Brasil que utilizam nomenclatura semelhante, o que pode gerar uma confusão entre elas. Há desde o Circuito Cinearte, do empresário Adhemar Oliveira, especializado em cinema alternativo e programação mista, a pequenos exibidores do circuito comercial, como o Cine Art Cacoal,[8] da cidade de Cacoal, a Movie Arte Cinema[9]s, de Porto Alegre e o Cine Art Pelotas,[10] da cidade de Pelotas, que deixou recentemente a associação com a Arcoplex Cinemas.

Entretanto, a maioria dessas empresas é voltada a programação alternativa ou cinema de arte (conhecida em Portugal "cinema de culto"), como Cine Arte Posto 4,[11] da cidade Santos, Cine Arte UFF,[12] vinculado à Universidade Federal Fluminense de Niterói, Paradigma Cine Arte,[13] de Florianópolis e o Grupo SaladeArte,[14] de Salvador, entre várias outras.

Em outubro de 2012, a Cineart foi condenada em primeira instância a pagar indenização de dez mil reais, por danos morais, à uma deficiente auditiva que dirigiu-se ao Cineart Multiplex do Shopping Cidade e não encontrou disponibilizada sessões legendadas dos filmes Shrek e Despicable Me (bra:Meu Malvado Favorito), cujas fotos dos cartazes ela anexou ao processo.[15] Na ação judicial, a reclamante alegou que dirigiu-se com seu namorado ao cinema para comemorar o aniversário de namoro e a não - disponibilização de cópias legendadas seria uma forma de discriminação.[16]

A empresa defendeu-se dizendo que a reclamante não provou a existência de danos morais e materiais, nem teria sido enganada, uma vez que no cinema haveria "informações claras sobre as sessões".[16] De acordo com o advogado da rede exibidora, "a ausência do filme com legenda não tem relação com a deficiência do casal, é apenas uma questão de oferta". Ademais, caberia à empresa distribuidora a seleção de cópias dubladas ou legendadas e não ao exibidor. Ainda assim, o juiz deu ganho de causa à reclamante, alegando que "o portador de deficiência auditiva tem direito de acesso à cultura e ao lazer, devendo tal acesso ser interpretado, no que tange à cultura cinematográfica, não só como acesso físico às salas de exibição, mas também como direito de compreensão linguística das interações culturais que ali se realizarem"[17].

Consta que o namorado da reclamante também processou a Cineart, sendo que sua causa foi declarada improcedente em 2011.[16] A empresa ainda teria tentado a conciliação com os reclamantes, oferecendo ingressos para outras sessões, o que não foi aceito.[15] A Cineart anunciou que iria recorrer, não tendo sido divulgado o teor do trânsito em julgado.[16]

Em 15 de setembro de 2021 se juntou ao Cinesystem, GNC Cinemas e o Moviecom para a criação do Conebi (Consórcio Exibidores Brasileiros Independentes).[18]

Distribuição de filmes e rankingsEditar

A Cineart encerrou o ano de 2015 na 10.ª posição entre os maiores exibidores do Brasil por número de salas[19] Detém, ao lado da Cinemark,o domínio do mercado exibidor na capital mineira.[20]

Em setembro de 2016, a empresa adentrou no mercado de distribuição de filmes[21], sendo que seu primeiro lançamento distribuído ao mercado foi Lâminas da morte - A maldição de Jack, o estripador.[22] Segundo o gerente-geral da empresa, o propósito incial é trabalhar com poucos títulos e apoiar as produções regionais do estado de Minas Gerais[21].

Desde 2008, esse cargo é ocupado pelo economista mineiro Lúcio Otoni,[23] que também é diretor do Sindicato das Empresas Exibidoras de Belo Horizonte, Betim e Contagem desde 2002.[5] A Cineart encerrou o ano de 2015 em 10º lugar entre os maiores exibidores brasileiros por número de salas (market sahare de 1,67%),[24] perdendo para as redes CinemarkCinépolisGrupo Severiano RibeiroCine AraújoCinesystemUCI Cinemas, Moviecom, Arcoplex e Cineflix, respectivamente.


PúblicoEditar

 
Bilheteria do Cineart Shopping Cidade de Belo Horizonte, em janeiro de 2016

Abaixo a tabela de público e sua evolução de 2002 a 2019, considerando o somatório de todas as suas salas a cada ano. A variação mencionada se refere à comparação com os números do ano imediatamente anterior. No período estudado, é possível observar um crescimento da ordem de 202,29%. Mesmo com a queda de público que se operou no circuito exibidor brasileiro em 2017 e 2018,[25] [26] fazendo com que a Cineart perdesse 13,24% dos seus frequentadores naqueles dois anos de retração, a rede subiu uma posição a tabela, passando a ocupar o 9º lugar.

Os dados de 2008 até 2013 foram extraídos do banco de dados Box Office do portal de cinema Filme B,[27][28] sendo que os números de 2002 à 2007 e 2014 à 2015 têm como origem o Database Brasil.[29] Já os dados de 2016 em diante foram extraídos do relatório "Informe Anual Distribuição em Salas Detalhado, do Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual (OCA) da ANCINE.[30]

Ano Público

total

Ranking

no país

Market

Share

Variação
2002 1 254 686 15º 1,38% ano-base
2003 1 658 243 15º 1,60%  32,16%
2004 2 000 153 15º 1,74%  20,62%
2005 1 812 886 12º 2,02%  -9,36%
2006 n.d n.d n.d n.d
2007 1 709 557 11º 1,91%  6,04%
2008 1 972 956 11º 2,31%  15,41%
2009 2 625 731 11º 2,32%  33,09%
2010 3 063 225 11º 2,27%  16,66%
2011 3 527 352 11º 2,49%  15,15%
2012 3 899 132 11º 2,62%  10,54%
2013 3 860 322 11º 2,55%  1,00%
2014 4 005 663 10º 2,55%  3,76%
2015 4 166 188 10º 2,44%  4,01%
2016 4 371 586 10º 2,38%  4,93%
2017 4 038 567 10º 2,26%  7,62%
2018 3 792 760 2,35%  6,09%
2019 4 262 575 2,42%  12,39%

Referências

  1. ERNESTO, Marcelo (28 de dezembro de 2018). «BH ganha mais salas de cinema em 2019». Estado de Minas. Consultado em 3 de maio de 2019 
  2. «Cineart Multiplex - Mais salas, mais filmes, mais perto.». www.cineart.com.br. Consultado em 7 de agosto de 2015 
  3. «Consulta - Salas de Exibição Cadastradas (para uso no Sadis Detalhado)». ANCINE - Agência Nacional do Cinema. 11 de abril de 2017. Consultado em 12 de abril de 2017 
  4. a b Cineart. «História da rede de cinemas Cineart». Cineart. Consultado em 30 de julho de 2012. Arquivado do original em 29 de julho de 2012 
  5. a b c Marcelo Miranda e Léo Lara (Abril de 2013). «Revista Filme B - Locomotiva Mineira» (PDF). Consultado em 6 de agosto de 2015 
  6. «Cineart inaugura complexo de cinema com sala de luxo no Ponteio Lar Shopping | VEJA BH». Consultado em 7 de agosto de 2015 
  7. «Belo Horizonte terá a primeira sala de cinema com tecnologia IMAX de Minas Gerais». Home. Consultado em 27 de maio de 2017 
  8. «Cine Art (69) 3443-3791». www.cineartcacoal.com. Consultado em 18 de agosto de 2015 
  9. «Movie Arte Cinemas». www.movieartecinemas.com.br. Consultado em 18 de agosto de 2015 
  10. «CineArt». Facebook. Consultado em 18 de agosto de 2015 
  11. «Notícias - Cine Arte Posto 4». www.portal.santos.sp.gov.br. Consultado em 18 de agosto de 2015 
  12. «Cine Arte UFF». Centro de Artes UFF. Consultado em 18 de agosto de 2015. Arquivado do original em 2 de setembro de 2015 
  13. «Paradigma Cine Arte | Filmes com mais conteúdo». www.paradigmacinearte.com.br. Consultado em 18 de agosto de 2015 
  14. «CIRCUITO DE CINEMA - SALADEARTE». www.saladearte.art.br. Consultado em 18 de agosto de 2015 
  15. a b MODESTO, Carlos (31 de outubro de 2012). «Casal de surdos ganha indenização de cinema que não tinha 'Shrek' legendado em Belo Horizonte.». Barreiras Notícias. Consultado em 26 de setembro de 2016 
  16. a b c d «Rede de cinema é condenada a pagar indenização a deficiente auditiva por falta de filme legendado». Consultado em 26 de setembro de 2016 
  17. «Jovem é indenizada por falta de filme legendado em cinema - Crônicas da Surdez». 30 de outubro de 2012. Consultado em 26 de setembro de 2016 
  18. «REDES DE CINEMA CRIAM CONSÓRCIO E SE TORNAM MAIOR GRUPO EXIBIDOR BRASILEIRO». Portal Exibidor. Consultado em 16 de setembro de 2021 
  19. «Ranking das Empresas Exibidoras - 2015» (PDF). Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual – OCA. ANCINE. Janeiro de 2016. Consultado em 26 de setembro de 2016 
  20. «Cinema quer mais projeção e salas cheias». Consultado em 26 de setembro de 2016 
  21. a b «Portal Exibidor - Distribuidora Cineart Filmes anuncia seu primeiro lançamento». Exibidor. Consultado em 26 de setembro de 2016 
  22. «Lâminas da morte - A maldição de Jack, o estripador - Filme B - o maior portal sobre o mercado de cinema no Brasil». www.filmeb.com.br. Consultado em 26 de setembro de 2016 
  23. 06/08/2015. «Filme B - Quem é Quém» 
  24. «Ranking das Empresas Exibidoras - 2015» (PDF). Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual – OCA. Janeiro de 2016. Consultado em 10 de outubro de 2016 
  25. «Público nas salas de cinema do Brasil cai pelo segundo ano consecutivo». Revista Fórum. 5 de fevereiro de 2019. Consultado em 14 de maio de 2019 
  26. «Público nas salas de cinema diminui em 2018 – Meio & Mensagem». Consultado em 14 de maio de 2019 
  27. «Filme B - o maior portal sobre o mercado de cinema no Brasil». www.filmeb.com.br. Consultado em 19 de setembro de 2015 
  28. «Identificação - Box Office Brasil». www.filmebboxofficebrasil.com. Consultado em 17 de outubro de 2015 
  29. «Ranking exibidores de 2014 (público) - top 50». Data base Brasil 2014. Filme B. Janeiro de 2015. Consultado em 16 de outubro de 2016 
  30. «Cinema | Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual». oca.ancine.gov.br. Consultado em 16 de novembro de 2017 

Ligações externasEditar

 
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