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Conservatório (música)

(Redirecionado de Conservatório de música)
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Conservatório (do latim: conservatoriu), é um estabelecimento dedicado ao ensino da música, canto[desambiguação necessária] e matérias relacionadas. O primeiro conservatório foi fundado em 1537 em Nápoles pelo padre espanhol José Tapia; chamado Santa Maria de Loreto e tinha por objectivo dar instrução às crianças órfãs, incluindo também a prática da música.[1]

O primeiro Conservatório exclusivo para o ensino da música foi fundado em Milão no ano de 1808. A Escola Real de Canto e Declamação de Paris foi fundada em 1784, mudando o seu nome para Instituto Nacional de Música em 1793 e, finalmente, para Conservatório Nacional Superior de Música e Dança de Paris em 1795.

Índice

PortugalEditar

O Conservatório Geral de Arte Dramática foi fundado em 1836 por Decreto da Rainha D. Maria II, no âmbito de um Plano para a fundação e organização de um Teatro Nacional proposto por João Baptista de Almeida Garrett. Este estava então dividido numa Escola Dramática ou de Declamação, numa Escola de Música e numa Escola de Dança, Mímica e Ginástica especial.

Incorporou-se neste estabelecimento o Conservatório de Música, criado na Casa Pia por Decreto de 1835.

Em reformas posteriores, o nome do Conservatório foi alterado para Conservatório Real de Lisboa e o da Escola Dramática ou de Declamação para Escola de Arte de Representar, já depois da implantação da República, quando o Conservatório passou a ser designado por Conservatório Nacional.

Por Decreto de 4 de Julho de 1914 foi concedida, pela primeira vez, à Escola de Arte de Representar autonomia administrativa.

Nesta Escola foi criado, por Decreto de 19 de Maio de 1914, o curso de cenografia e decoração teatral (cujo ensino seria ministrado no salão grande de pintura do Teatro Nacional Almeida Garrett, o qual, considerado como dependência da Escola de Arte de Representar" ficava "exclusivamente destinado ao serviço e oficinas do respectivo professor") e, por Decreto de 6 de Agosto de 1914, o curso de indumentária prática teatral.

Toda esta tradição foi sendo mantida e desenvolvida nas reformas posteriores do ensino da área do teatro e transparece hoje nos cursos ministrados na Escola Superior de Teatro e Cinema.

No que ao cinema se refere, o respectivo curso só foi introduzido no Conservatório Nacional, como experiência pedagógica, a partir de 1971, no âmbito do processo de reforma empreendido por Madalena Perdigão, sendo ministro José Veiga Simão.

Foi então criada a Escola Piloto para a Formação de Profissionais de Cinema, cujo curso se iniciou em 1973 e teve, desde o princípio, a preocupação de aliar à transmissão de conhecimentos técnicos inerentes à prática das profissões do Cinema uma vertente mais artística.

O curso que a Escola Superior de Teatro e Cinema hoje ministra é ainda o resultado de uma evolução radicada naquele primeiro curso de cinema que, aliás, foi pioneiro no ensino superior público português.

A Escola Superior de Teatro e CinemaEditar

Pelo Decreto do Governo nº 46/85, de 22 de Novembro, a Escola Superior de Teatro e Cinema que até então funcionara sob a dependência da Direcção-Geral do Ensino Superior e fora dirigida desde 1983 por uma Comissão Instaladora composta pelos Professores Jorge Listopad, como presidente, e José Bogalheiro, como vogal, é integrada no Instituto Politécnico de Lisboa, estabelecimento de ensino superior politécnico público criado pelo Decreto–Lei nº 513-T/79, de 26 de Dezembro.

A Escola Superior de Teatro e Cinema passou, assim, a constituir uma unidade orgânica do Instituto Politécnico de Lisboa (IPL) e manteve-se em regime de instalação, sob a direcção da referida comissão instaladora, até à publicação dos seus Estatutos no Diário da República, 2ª série, nº 15, de 18 de Janeiro de 1995.

A construção na Amadora, dentro da zona da grande Lisboa, de um edifício de raiz para a Escola Superior de Teatro e Cinema, o primeiro destinado a uma escola de ensino superior artístico em Portugal, permitiu, finalmente, a transferência em 1998 das suas actividades do velho edifício do Convento dos Caetanos em Lisboa, onde Almeida Garrett instalara com carácter provisório em 1836 o Conservatório Geral de Arte Dramática, para umas instalações modernas, dotadas de espaços lectivos adequados, de estúdios, de salas de espectáculos e de visionamento, de biblioteca e refeitório que possibilitam as melhores condições de trabalho para os alunos que a frequentam.

A estrutura bi-departamental da Escola, resultante da herança histórica das pré-existentes escolas de Teatro e de Cinema do Conservatório Nacional, levou a que os seus Departamentos sejam dotados de alguma autonomia pedagógico - científica interna, consagrada estatutariamente.

A Escola Superior de Teatro e Cinema tem vindo a afirmar-se, nacional e internacionalmente, como uma Escola de referência nos seus domínios, integrada em importantes organizações internacionais quer do âmbito do Teatro, como o ITI - International Theatre Institut, quer do âmbito do Cinema, como o CILECT – Centre International de Liaison des Écoles de Cinema et de Telévision, quer no das Artes em geral, caso da ELIA – European League of Institutes of Arts.

Esta preocupação pela internacionalização fez também com que a Escola reforçasse a sua participação activa em programas de intercâmbio de discentes e docentes com Escolas estrangeiras, no âmbito de programas específicos como o Sócrates/Erasmus e o Leonardo Da Vinci, bem como através de programas bi-laterais com Universidades da América Latina (Brasil, Argentina, México).

A Escola de Música do Conservatório NacionalEditar

A Escola de Música do Conservatório Nacional é uma das escolas que compõem o Conservatório Nacional.

A criação de um Conservatório para o ensino da música em Lisboa é fortemente devida ao compositor português João Domingos Bomtempo (1775-1842), que era igualmente um pedagogo de reconhecido mérito. Quando regressou a Portugal (1834), Bomtempo pôs em prática a reforma do ensino musical em Portugal, com base nos contactos que foi fazendo no estrangeiro e com a observação das respectivas reformas de ensino musical, tanto em França como na Inglaterra.

O projecto inicial surgido aquando da criação de um Conservatório de Música seguia o modelo da escola de música parisiense. Foi em Junho de 1834 e era proposto um plano ambicioso com dezoito professores e 16 disciplinas, a saber:

Este projecto não foi concretizado, e um ano mais tarde foi criado (decreto de 5 de Maio de 1835), o Conservatório de Música como anexo à Casa Pia, sob direcção do próprio João Domingos Bomtempo.

BrasilEditar

O Imperial Conservatório de Música, no Rio de Janeiro, foi instituído por um decreto imperial em 27 de novembro de 1841 e regulamentado em 21 de janeiro de 1847. As aulas começaram em 13 de agosto de 1848 sob a direção de Francisco Manuel da Silva. Em 12 de Janeiro de 1890, após a proclamação da República, passou a denominar-se Instituto Nacional de Música. Entre os seus diretores se destacam Leopoldo Miguez, Alberto Nepomuceno, Henrique Oswald, Abdón Milanez, Fertin de Vasconcelos, Luciano Gallet, Guilherme Fontainha, Sá Pereira e Joanidia Sodré.

Após o Conservatório de Música do Rio de Janeiro, a instituição brasileira mais antiga dedicada ao ensino musical é o Instituto de Música da Bahia. Foi criado em 10 de janeiro de 1895 e atualmente integrado à Universidade Federal da Bahia. Posteriormente, em 24 de fevereiro de 1895, foi fundado o Conservatório Carlos Gomes em Belém do Pará.[2]

O Conservatório Dramático e Musical de São Paulo foi fundado em 15 de outubro de 1904, sendo instalado na rua Brigadeiro Tobias em uma casa alugada que pertencia à Marquesa de Santos, no centro de São Paulo. A instituição posteriormente mudou-se para a avenida São João, em 1908.[3] Extinto em 2009, em seu local funciona atualmente a Praça das Artes, que também é sede da Escola Municipal de Música de São Paulo.[4]

O primeiro conservatório do interior do estado de São Paulo, o Conservatório de Tatuí, foi inaugurado em 1954.

Referências

  1. «Ellmerich, Luis. História da Música e da Dança. p 228-229. São Paulo, Boa Leitura Editora, 1962.». Consorcio.bn.br 
  2. «Carlos Gomes - Fundação / Instituto». Notas Musicais - Informativo eletrônico da OSMC 
  3. «Bem tombado - Conservatório Dramático e Musical de São Paulo». Governo do Estado de São Paulo - Secretaria da Cultura. Consultado em 14 de novembro de 2017 
  4. Duarte, Sara (16 de novembro de 2009). «Conservatório Dramático e Musical não tem alunos». Veja São Paulo. Consultado em 13 de março de 2017 

Ligações externasEditar