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Ângela Diniz
Nascimento 10 de novembro de 1944
Belo Horizonte
Morte 30 de dezembro de 1976 (32 anos)
Armação dos Búzios
Cidadania Brasil
Ocupação socialite

Ângela Maria Fernandes Diniz (Belo Horizonte, 10 de novembro de 1944Armação dos Búzios, 30 de dezembro de 1976) foi uma socialite brasileira assassinada em uma casa na Praia dos Ossos, em Armação dos Búzios, no estado do Rio de Janeiro, pelo seu companheiro, Doca Street (Raul Fernando do Amaral Street). O crime foi amplamente divulgado em jornais e televisão[1].

Índice

BiografiaEditar

Ângela Diniz é oriunda de uma família muito rica de Belo Horizonte. Casou-se em 1961, aos 17 anos, com seu noivo e primeiro namorado: O engenheiro Milton Villas Boas, com quem teve três filhos: Milton Júnior, Luís e Cristiana. Ângela não aguentava mais os ciúmes do marido e suas traições. O casal, então, desquitou-se em 1970, após nove anos de união, e a socialite entrou na justiça, onde conseguiu uma pensão milionária. Ela morou um tempo com os filhos, até que ela e Milton começaram a brigar pela guarda, que foi favorável ao ex-marido. Em entrevistas, costumava dizer que era rica, bonita e boa de briga. Após a separação, passou a viver de viagens internacionais e relacionamentos esporádicos, até tornar-se uma socialite famosa poucos anos depois. Era conhecida por ser uma mulher extremamente bonita e vaidosa, de temperamento muito explosivo, sendo admirada por sua coragem e seu estilo livre de ser, sendo muito moderna para os padrões daquela década. Assumiu-se bissexual e estava bem resolvida consigo própria, passando a incomodar muito a sociedade conservadora da época. Após diversos relacionamentos anônimos com homens e mulheres, em 1973 tornou público seu namoro com o colunista social Ibrahim Sued, de quem se separou após dois anos juntos, após ele descobrir que ela o traía com um homem chamado Tuca Mendes. Ângela, então, terminou com este amante para viver com o playboy e empresário Doca Street, que era casado quando ela o conheceu, e que decidiu sair de um casamento de anos, deixando esposa e filho, pela paixão obsessiva que desenvolveu por Ângela.[2]

Ângela namorou Doca por quatro meses, mas a relação foi muito conturbada, marcada pelo alcoolismo e pelo uso de drogas de ambas as partes, além dos ciúmes doentios e violência doméstica que Doca praticava contra Ângela. Doca estava falindo, o patrimônio herdado pela família estava indo a ruína pela sua má administração, e assim vivia sendo sustentado pela socialite, que já não aguentava mais ser humilhada, traída, agredida e estorquida por Doca, mas não entendia porque não conseguia sair daquele relacionamento.[3]

Após um dia inteiro com amigos na praia, onde ambos estavam alcoolizados, Doca começou a implicar com a namorada por ciúmes de uma amiga dela, as achando muito próximas uma da outra. Irônica, Ângela disse que queria a amiga e o namorado no quarto dela naquela noite, o que despertou a fúria de Doca, querendo que ela voltasse para casa, a puxando pelo braço. Lá, uma briga violenta iniciou-se, com discussões e empurrões. Ela decidiu tomar um banho e dormir. Ele ficou bebendo e fumando na sala. Após Ângela acordar, ela pediu para ele ir embora de sua vida. Ele implorou para ficar, chorando, e Ângela estava irredutível: Disse que nunca o amou e não o queria mais. Ele fez as malas e foi embora em seu carro, mas poucos minutos depois voltou, pedindo mais uma chance. Com a recusa, ele a agrediu com socos, chutes e tapas, dizendo que se ela não fosse dele não seria de mais ninguém. Ela, gritando e chorando, tentou escapar, mas ele sacou um revólver e assassinou a namorada com quatro tiros: Três no rosto e um na nuca, na sala da casa de veraneio dela, na Praia dos Ossos, em Armação dos Búzios, no dia 30 de dezembro de 1976. Ele fugiu no carro dela, e foi capturado vinte dias depois. A empregada da casa o viu saindo, encontrou o corpo da patroa e chamou a polícia.[4]

Doca Street foi liberado por não ter sido pego em flagrante. Após intensa manifestação popular, ele foi julgado em 1980, tendo sido defendido pelo advogado Evandro Lins e Silva. A defesa foi baseada na tese de legítima defesa da honra, responsabilizando-se a vítima, Ângela Diniz, por ter provocado tal violência, em razão do próprio comportamento avesso as normas e condutas morais que uma mulher deveria ter. Inicialmente, a pena de Doca Street foi de dois anos, com direito à sursis. O caso teve grande repercussão e foi o estopim para organização de um movimento de mulheres contra a violência doméstica, com o slogan "Quem ama não mata!".[5]

Após a mobilização social, houve um segundo julgamento, e a pena do assassino foi elevada para 15 anos de reclusão. Além do envolvimento que culminou em sua morte, Ângela Diniz se viu envolta em três outros crimes durante sua curta vida: Em junho de 1973 assumiu a autoria da morte do caseiro José Avelino, vulgo Zé Pretinho, para tentar proteger o verdadeiro culpado, seu amante, chamado Tuca Mendes, mas foi absolvida pela falta de provas, até que descobriram o verdadeiro culpado, mas Ângela foi processada por falso testemunho, pois afirmou ter cometido um crime que não cometeu. Tuca foi preso e confessou o crime por uma questão de dívidas de drogas, onde o mesmo não o pagava. Ângela e Tuca continuaram a manter o caso extraconjugal, mesmo com ele preso, ela ia semanalmente visitá-lo. Em 1975, Ângela foi acusada por tráfico de drogas, mas por ser ré primária, foi absolvida. Ela explicou que teve pena de Tuca, e que entraria no presídio para visitá-lo, levando as drogas que ele havia pedido. O mesmo teve sua pena aumentada. O caso foi parar nos jornais, e o então namorado de Ângela, Ibrahim, descobriu a traição dela com Tuca, e terminou o namoro, onde a mesma não esboçou reação, dizendo que já iria fazer o mesmo se ele não o fizesse. Ângela, que já estava com um novo amante, Doca, terminou o relacionamento por carta com seu outro amante, Tuca, dizendo ter se apaixonado por outro homem, no caso, Doca, que saiu de casa e a assumiu publicamente.[6]

Poucos meses depois, foi presa por sequestrar seus filhos, já que o ex-marido entrou na justiça para ficar com a guarda das crianças, devido ao envolvimento dela com drogas e álcool, o que fez com que ele conseguiu uma liminar no juiz que a impedia de ter contato com os filhos. Ângela foi absolvida, pois o juiz entendeu que a mesma estava emocionalmente abalada, e que levou escondido os filhos para viajar somente para vê-los, e ficar um final de semana com eles, não para fazê-los mal. Foi concedido que a mesma visse os filhos uma vez por mês.[7]

Na mídiaEditar

A vida de Ângela chegou a ser cogitada como tema de um filme, a ser dirigido por Roberto Farias, tendo Deborah Secco como protagonista.[8] Mas esse filme nunca foi realizado.

O livro Mea Culpa, editado em 2006, escrito pelo assassino confesso, trata com o caso com profundidade. "A Pantera de Minas", como era chamada a biografada nas colunas sociais da época, foi morta por disparos de uma pistola Beretta[9].

Parte de sua história foi escrita no livro de Adelaide Carraro: Mulher Livre.

Referências

  1. Jonas Furtado. «"Penso em Ângela todos os dias"». Isto É Gente, Editora Três. Consultado em 6 de dezembro de 2010 
  2. [[1]]
  3. [[2]]
  4. [[3]]
  5. [[4]]
  6. [[5]]
  7. [[6]]
  8. CineClick (21 de agosto de 2002). «Deborah Secco vive Ângela Diniz no cinema». Consultado em 7 de dezembro de 2010 
  9. Angélica Santa Cruz (1 de setembro de 2006). «Perdoe-me, Ângela, diz Doca Street». O Estado de S. Paulo. Consultado em 7 de dezembro de 2010 

Ligações externasEditar