Escola Naval (Brasil)

instituição de ensino superior na cidade do Rio de Janeiro, ligada à Marinha, diferente do Colégio Naval, em Angra dos Reis

A Escola Naval (EN) MHSEGCIH é uma instituição de ensino superior da Marinha do Brasil que tem por objetivo formar mental e fisicamente jovens brasileiros que irão ocupar os postos iniciais das carreiras de Oficiais dos Corpos da Armada, de Fuzileiros Navais e de Intendentes da Marinha.

Escola Naval
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Vista aérea da escola em 2015
País  Brasil
Estado  Rio de Janeiro
Corporação Marinha do Brasil
Subordinação Diretoria de Ensino da Marinha
Missão Ensino militar
Sigla EN
Criação 1782 (como "Academia Real de Guardas-Marinha" em Portugal)
1822 (no Brasil)
Insígnias
Brasão da Escola EN logo.jpg
Comando
Comandante Contra-Almirante Guilherme da Silva Costa[1]
Sede
Sede Rio de Janeiro
Bairro Castelo
Endereço Av. Alm. Silvio de Noronha, s/n
Internet Página oficial da EN na internet

Localizada na Ilha de Villegagnon, no Rio de Janeiro, anualmente promove um processo seletivo de nível nacional oferecendo um pouco mais de 30 vagas para Aspirantes. Estes aprovados se somarão aos alunos oriundos do Colégio Naval.

Fundada em 1782, em Lisboa, pela Rainha Maria I de Portugal com o nome de Academia Real de Guardas-Marinha,[2] foi transferida para o Rio de Janeiro em 1808, em decorrência da vinda da corte portuguesa para o Brasil, e permaneceu no país após a declaração de Independência em 1822. Instalada inicialmente no Mosteiro de São Bento até 1832, passou a partir daí por inúmeras reformas e mudanças de instalações até fixar-se, em 1938, na ilha de Villegagnon. Em 1886, a instituição recebeu o nome atual de Escola Naval.[3]

HistóricoEditar

 
Escola Naval: vista aérea.

Fundada pelo oficial Fuzileiro naval reformado Pedro Gabriel Silva Barbosa, a Escola Naval vai buscar as suas origens remotas à mítica Escola de Sagres,[4] agrupada em torno da figura do Infante D. Henrique e à Aula do Cosmógrafo-Mor, fundada em 1559 sob a orientação do matemático Pedro Nunes.

Durante as Guerras Napoleônicas, a Academia Real dos Guardas Marinhas (denominação da Escola Naval portuguesa à época) desloca-se para o Rio de Janeiro, juntamente com a família real portuguesa.

Materializada a Independência do Brasil (1822), a instituição deu lugar a duas, uma portuguesa, que se reinstalou em Lisboa em 1825, e outra, brasileira, que deu origem à atual Escola Naval brasileira.

A 16 de Novembro de 1922 o Corpo de Alunos da Escola Naval do Brasil foi feito Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito de Portugal,[5] a 20 de Dezembro de 1960 foi agraciada com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique de Portugal e a 3 de Dezembro de 1982 foi feita Membro-Honorário da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada de Portugal.[6]

No início do século XX, sob a gestão do Almirante Protógenes Pereira Guimarães como titular do Ministério da Marinha, determinou-se erguer sobre as muralhas da antiga Fortaleza de São Francisco Xavier da Ilha de Villegagnon as atuais instalações da Escola Naval, inauguradas a 11 de junho de 1938.

No concurso realizado 2013 para 2014, foram disponibilizadas 12 vagas para a entrada de mulheres pela primeira vez na instituição.

RegataEditar

 
Portão de Armas da antiga Fortaleza de Villegaignon), hoje a entrada da Escola Naval

Anualmente, para comemorar a sua fundação, é promovida a tradicional Regata da Escola Naval, considerada a maior regata à vela da América Latina.

O ensinoEditar

A Escola Naval tem um Ciclo Escolar de 4 anos e um Ciclo Pós Escolar de um ano. Então, como um todo a Escola Naval tem 5 anos na sua formação. Nos quatro primeiros anos, eles são aspirantes da instituição e internos na escola, estudando de segunda à sexta, quando são liberados e passam o final de semana em casa. O regime de internato adotado permite o desenvolvimento de uma personalidade baseada em valores verdadeiros, elevado poder de reflexão, tempo e ambiente favorável para o Aspirante dedicar-se inteiramente à sua formação e alcançar o máximo desempenho de suas potencialidades. Ao final do Ciclo Escolar, prossegue-se a formação dos jovens, com o Ciclo Pós-Escolar, quando os Aspirantes passam à função de guarda-marinha. Nesse Ciclo é ministrado fundamentalmente para o ensino profissional, com destaque para a aprendizagem prática e de instrução, conduzida em várias organizações militares e a bordo do Navio-Escola Brasil. Na viagem de instrução, aplica-se a teoria estudada e, paralelamente, incrementa-se a cultura geral do futuro Oficial, na medida em que os Guardas-Marinha têm a oportunidade de conhecer aspectos peculiares de vários países do mundo. Cabe ao jovem um único dever: inteira dedicação ao estudo e ao aprendizado técnico profissional, com seriedade, responsabilidade e respeito às tradições da Marinha do Brasil.

Ciclo EscolarEditar

A formação da Escola Naval é dividida da seguinte maneira:

  • Ensino Básico
  • Ensino Militar-Naval
  • Ensino Profissional

Ao início do 3º ano letivo, após o Período de Verão, o Aspirante fará a opção de curso e habilitação, de acordo com sua ordem de classificação obtida no 2º ano letivo. Os seguintes Cursos de Graduação e habilitações serão oferecidos pela EN:

a) Corpo da Armada

  • Mecânica
  • Eletrônica; ou
  • Sistemas de Armas

b) Corpo de Fuzileiros Navais

  • Mecânica
  • Eletrônica; ou
  • Sistemas de Armas;

c) Corpo de Intendentes da Marinha

  • Administração.

Hino da Escola NavalEditar

Letra e música: Luiz Felippe Menezes de Magalhães

A Escola Naval brasileira
Prepara a mocidade para a luta no mar
Somos todos defensores da Bandeira
No mastro da vitória a tremular
Nossa vida na paz ou na guerra
É sempre navegando pelos mares de anil
Para a glória e pela honra dessa terra
Lutaremos com denodo varonil.
Nós somos as sentinelas dos mares
Do glorioso Brasil (2x)
Marinheiros, avante, marinheiros rumo ao mar
Tudo pela Pátria,
Avante a navegar
Marinheiros, avante, vencer ou então morrer
O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever.
São as águas azuis nossos lares
O campo de batalha a Esquadra em ação
Somos livres sobre a terra e pelos mares
A força do direito ou do canhão
Riachuelo que foi no passado
A prova de bravura e coragem viril
Paira sempre como símbolo sagrado
dentro d'alma do Marujo varonil.
Nós somos as sentinelas dos mares
Do glorioso Brasil (2x)
Marinheiros, avante, marinheiros rumo ao mar
Tudo pela Pátria,
Avante a navegar
Marinheiros, avante, vencer ou então morrer
O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever.

ReferênciasEditar

  1. «Passagem de Comando da EN». 4 de setembro de 2019 
  2. Serviço de Documentação Geral da Marinha (2013). Revista Marítima Brasileira, Volume 133. [S.l.: s.n.] 
  3. Tatiana Alves Prates (2010). A ESCOLA NAVAL (PDF). Col: Revista de Villegagnon. [S.l.: s.n.] Consultado em 17 de março de 2021 
  4. Recorde-se que, historiograficamente, a chamada "Escola de Sagres" era constituída por um grupo de estudiosos, não tendo existido enquanto instituição de formação acadêmica.
  5. «Cidadãos Estrangeiros Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Corpo de Alunos da Escola Naval do Brasil". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 16 de abril de 2015 
  6. «Cidadãos Estrangeiras Agraciados com Ordens Nacionais». Resultado da busca de "Escola Naval do Brasil". Presidência da República Portuguesa (Ordens Honoríficas Portuguesas). Consultado em 1 de março de 2016 

Ver tambémEditar

Ligações externasEditar