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Francisco Júlio César de Alfieri

Coronel da Força Pública de São Paulo
Francisco Alfieri
Francisco Júlio César de Alfieri
Nome completo Francisco Júlio César de Alfieri
Dados pessoais
Nascimento 27 de dezembro de 1876 Itália
Morte 22 de maio de 1944 (67 anos) Bauru, SP, Brasil
Nacionalidade Italiano
Brasileiro
Vida militar
Força Força Pública de São Paulo
Anos de serviço 18971941
Hierarquia Coronel
Batalhas Guerra de Canudos
Primeira Guerra Mundial
Revolução de 1924
Revolução de 1930
Revolução Constitucionalista

Francisco Júlio César de Alfieri (Itália, 27 de dezembro de 1876Bauru, 22 de maio de 1944) foi um coronel da Força Pública de São Paulo, atual Polícia Militar de São Paulo, e comandante na Revolução Constitucionalista de 1932.

BiografiaEditar

Francisco Júlio César de Alfieri nasceu em 27 de dezembro de 1876, na Itália, filho de militar do Exército Italiano. Ainda adolescente migrou para o Brasil.[1][2][3]

Em 1897, alistou-se como voluntário no 1º Batalhão da Força Pública Paulista, atual 1º Batalhão da Polícia de Choque "Tobias de Aguiar". Ainda em 1897, como cabo, atuou em missões na chamada “Guerra de Canudos”, ocorrida em local próximo a cidade de Uauá, no nordeste da Bahia. Nesse conflito, foi ferido durante o assalto ao "arraial do conselheiro", fato que lhe rendeu a promoção para Sargento Furriel por conta do ato de bravura.[1]

Alguns anos depois, já como tenente, auxiliou a Missão Militar Francesa no Brasil, na tradução dos textos dos regulamentos para o português, por conta de sua fluência naquele idioma.[1][4]

 
Auxiliares da missão francesa na Força Pública de São Paulo em 1911. O então capitão Francisco Alfieri, comandante da Cia Escola, está indicado ao centro da imagem sob o nº 1. A sua esquerda, indicado sob o nº 2, está o então alferes Azarias Silva.

Em 1907, promovido a 1º Tenente, foi co-fundador da 1ª escola da Força Pública de São Paulo, o chamado "Pelotão de Alunos Cabos", e mais tarde, a “Companhia Escola” e o “Corpo Escola”, os quais foram precursores dos atuais Curso de Formação de Soldados (CFSd), Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP), Escola de Educação Física da Polícia Militar do Estado de São Paulo (EEF/PMESP) e Academia de Polícia Militar do Barro Branco (APMBB).[5][1]

Em 1913, promovido a Major, fundou e dirigiu o “Curso Especial Militar”, cuja finalidade era o ensino aos praças que almejavam a carreira de oficiais da corporação.[5][1] Em 1917, durante a Primeira Guerra Mundial, pediu exoneração da Força Pública Paulista e retornou à Itália para atuar no Exército Italiano, tendo combatido na fronteira entre a Áustria e a Itália, e lá alcançou a patente de Capitão. Em 1919, retornou ao Brasil e em 1922 reassumiu o seu posto na Força Pública de São Paulo, ainda com a patente de Major.[5][1][6]

Na década de 1920 e 1930, atuou em importantes conflitos no Brasil. Na Revolução de 1924, atuou na repressão aos revoltosos liderados por Isidoro Dias Lopes e Miguel Costa. Na Revolução de 1930, também combateu os rebeldes que na ocasião pretendiam invadir o estado de São Paulo, para depor o seu presidente (atualmente se diz governador) bem como o Presidente do Brasil Washington Luiz, almejando efetivar um golpe de estado. Boa parte dos revoltosos de 1930 eram rebeldes veteranos do conflito de 1924 que até então haviam ficado no exílio, como Miguel Costa, Juarez Távora e Isidoro Dias Lopes.[7][1]

Em 1929, foi um dos fundadores do Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais (CAO), tendo atuado como diretor do curso. Em 1931, promovido a Tenente-coronel, foi nomeado Chefe do Estado Maior da Força Pública Paulista.[5][1]

Em 9 de julho 1932, com a deflagração do levante conhecido como Revolução Constitucionalista, aderiu às forças rebeladas no Estado de São Paulo, embora inicialmente tenha sido cético e pouco entusiasmado quanto aos propósitos e viabilidade do levante.[7][1]

Em 23 de julho de 1932, com a morte do então Comandante Geral da Força Pública de São Paulo, o Cel. Júlio Marcondes Salgado, o nome de Francisco Alfieri era majoritário entre os oficiais da corporação para substituir o finado Comandante Geral e também era considerado o substituto natural. Contudo, o tenente-coronel Herculano de Carvalho e Silva veio a assumir interinamente o Comando Geral da corporação e alguns dias depois foi oficialmente nomeado pelo governador de São Paulo Pedro Manuel de Toledo, em muito devida à influencia exercida pelos aliados de Herculano sobre o governador, como o então major Euclides Machado. A nomeação do tenente-coronel Herculano ao Comando Geral da instituição foi recebida com surpresa pelos oficiais e foi motivo de controvérsia em toda a corporação, pois, além de não ser um nome cogitado naquela ocasião a sua figura era também muito associada ao grupo partidário a Miguel Costa na instituição, estes que por sua vez eram contrários ao levante então em andamento e simpáticos ao governo provisório de Getúlio Vargas. Porém, apesar dos esforços de vários oficiais em reverter à nomeação, o governador Pedro de Toledo foi irredutível e veio a oficialmente nomear Herculano de Carvalho e Silva ao cargo.[7][8]

O fim do conflito ocorreu oficialmente em 2 de outubro de 1932, por meio da rendição incondicional do Exército Constitucionalista ao Exército Federal. O tratado de rendição foi articulado em separado entre o Coronel Herculano de Carvalho e Silva e o Comandante Militar do Leste, o General-de-exército Pedro Aurélio de Góis Monteiro. A assinatura do acordo foi realizada por procuração pelos tenentes-coronéis Otaviano Gonçalves da Silva e Euclides Machado, na cidade de Cruzeiro-SP. A iniciativa da Força Pública Paulista para as negociações de rendição ocorreu após convenção militar entre os comandantes da corporação, incluindo o tenente-coronel Francisco Alfieri. No entanto, as tratativas de rendição bem como os termos do acordo ocorreram à revelia do Governo de São Paulo e das demais forças que integravam o Exército Constitucionalista, como a 2ª Região Militar do Exército Brasileiro. Além disso, desde 30 de setembro de 1932, quando ainda se iniciava as tratativas para a rendição, o comandante Herculano de Carvalho e Silva já dava ordens de retirada geral das tropas da Força Pública de São Paulo em direção a capital paulista, de modo a tornar a rendição fato consumado,[9] o que inviabilizou a resistência ao Exército Federal por parte das forças rebeldes remanescentes e, portanto, estas também acabaram por abandonar as trincheiras rumo a capital do estado. Quando a rendição foi assinada, em 2 de outubro de 1932, praticamente já não havia resistência armada frente ao Exército Federal. Com o fim do conflito, os líderes do levante foram presos e dias depois enviados para o exílio em Portugal, com exceção dos militares da Força Pública de São Paulo, pois obtiveram imunidade conforme os termos do acordo de rendição. Posteriormente, a atitude de Herculano de Carvalho e Silva foi amplamente repudiada pela opinião pública paulista e por boa parte dos veteranos do Exército Constitucionalista, incluindo também comandantes da própria Força Pública Paulista como o Tte-cel. Romão Gomes e o Tte-cel. Azarias Silva. Embora num primeiro momento tenha apoiado as tratativas de rendição, Alfieri discordou dos termos do acordo final, bem como a própria forma do desfecho do conflito que entre outras coisas implicou na deposição do governador aclamado Pedro de Toledo. Essa contrariedade motivou o seu pedido de reforma da corporação após o conflito, em novembro de 1932, e também por discordar da Interventoria em São Paulo assumida pelo general Valdomiro Lima. As críticas ainda obrigaram o cel. Herculano a publicar em O Estado de S. Paulo no dia 9 de outubro daquele ano o manifesto “Razões de minha atitude”, respondendo às acusações que lhe eram feitas. No mês seguinte, também publicou um livro aprofundando a argumentação da sua defesa e ainda naquele mês solicitou a sua reforma da corporação.[10][11][12][13][14][7][8]

Contudo, com a nomeação de Armando de Sales Oliveira para o governo de São Paulo em agosto do ano seguinte, Tte-cel. Alfieri retornou a corporação, assumindo, entre outros cargos, o projeto de reorganização da Biblioteca, Arquivo e Museu da Força Pública de São Paulo (B.A.M). Em 2 de julho de 1938, foi nomeado diretor do órgão.[1][15][16][13]

Em setembro de 1941, afastou-se do serviço ativo da corporação por motivos de saúde, deixando o cargo de direção da B.A.M. Em 5 de outubro de 1941, foi oficializada a sua reforma e passou para a reserva com a patente de Coronel. Em 22 de maio de 1944, veio a falecer na cidade de Bauru.[1][2][17][18]

HomenagensEditar

Na data em que foi oficializado o seu afastamento, foi publicado um longo artigo no jornal Correio Paulistano com homenagens ao prestigiado coronel da Força Pública, o que incluiu o Boletim Geral da corporação[17] e conforme um trecho dessa publicação:

Por conta de seu pioneirismo na instituição e por sua carreira, o Cel. Edilberto de Oliveira Melo costumava dizer: "Alfieri foi um Novo Garibaldi, herói de duas Pátrias".[3] Na cidade de São Paulo, em sua homenagem, foi batizada a rua Cel. Francisco Júlio César Alfieri, na Vila São Paulo. Na cidade de Santos há a rua Coronel Francisco Júlio Alfieri, localizada no bairro de Vila São Jorge, assim denominada também em sua homenagem.[19][20]

Ver TambémEditar

Referências

  1. a b c d e f g h i j k «Vultos históricos: Francisco Júlio César de Alfieri». São Paulo: politicamilitar.sp.gov.br. Consultado em 25 de fevereiro de 2018 
  2. a b «Nascimentos 27 de dezembro». projetovip.net. Consultado em 25 de fevereiro de 2018 
  3. a b «Origens do CAES: O Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais». São Paulo: policiamilitar.sp.gov.br. Consultado em 25 de fevereiro de 2018 
  4. «Missão Francesa» (PDF). policiamilitar.sp.gov.br. Consultado em 25 de fevereiro de 2018 
  5. a b c d Andrade, Euclides (1982). A Força Pública de São Paulo: Esboço Histórico (1831-1931). São Paulo: Imprensa Oficial do Estado. p. 237 
  6. «Correio Paulistano (SP) - Força Pública». memoria.bn.br. 22 de fevereiro de 1917. Consultado em 27 de fevereiro de 2018 
  7. a b c d Marques, Tenório Heliodoro da Rocha; Oliveira, Odilon Aquino de (1933). São Paulo Contra a Ditadura. São Paulo: Ismael Nogueira. p. 330 
  8. a b «Verbete temático: Revolução de 1932». Rio de Janeiro: fgv.br/cpdoc. Consultado em 25 de fevereiro de 2018 
  9. Levy, Hebert V. (1933). A Columna Romão Gomes. São Paulo: Saraiva & Cia. p. 190 a 191 
  10. Ellis Junior, Alfredo (1933). A Nossa Guerra. São Paulo: Editora Piratininga S.A. pp. 266–268 
  11. De Moura, Jair Pinto (1934). A campanha revolucionária de 1932. São Paulo: Editorial Bandeirante. pp. 29–30 
  12. Jornal do Brasil (3 de novembro de 1932). «Capella da Ribeira» 00262 ed. Rio de Janeiro. p. 8 
  13. a b Ellis Junior, Alfredo (1933). A Nossa Guerra. São Paulo: Editora Piratininga S.A. 334 páginas 
  14. Carvalho e Silva, Herculano (1932). A Revolução Constitucionalista. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. p. 398 
  15. «Correio Paulistano (SP)». São Paulo: memoria.bn.br. 25 de agosto de 1940. Consultado em 25 de fevereiro de 2018 
  16. «Correio Paulistano (SP)». São Paulo: memoria.bn.br. 2 de junho de 1938. p. 5. Consultado em 25 de fevereiro de 2018 
  17. a b «Comandante Francisco Júlio César Alfieri - Correio Paulistano (SP)». São Paulo: memoria.bn.br. 4 de outubro de 1941. p. 9. Consultado em 25 de fevereiro de 2018 
  18. «Correio Paulistano (SP) - Cumprimentos do Secretário do Governo ao Tenente-coronel César Alfieri». São Paulo. 25 de setembro de 1941. Consultado em 25 de fevereiro de 2018 
  19. «Rua Coronel Francisco Júlio Alfieri, Vila São Jorge, Santos, São Paulo». consultarcep.com.br. Consultado em 25 de fevereiro de 2018 
  20. «Rua Coronel Francisco Júlio César Alfieri, Vila São Paulo, São Paulo-SP». consultarcep.com.br. Consultado em 25 de fevereiro de 2018 

Ligações externasEditar