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Júlio Marcondes Salgado
Nome completo Júlio Marcondes César Salgado
Dados pessoais
Nascimento 1 de julho de 1890 Pindamonhangaba, SP, Brasil
Morte 23 de julho de 1932 (42 anos) São Paulo, SP, Brasil
Nacionalidade Brasileiro
Esposa Ophélia Acritelli Salgado
Progenitores Mãe: Anna Euphrosina Marcondes Salgado
Pai: Victoriano Clementino Salgado
Vida militar
Força Força Pública de São Paulo
Anos de serviço 19071932
Hierarquia General (post mortem)
Comandos
Batalhas
Honrarias
  • Cruz de Cavaleiro da Ordem de Leopoldo II
  • Medalha da Legalidade
  • Medalha de Mérito Militar

Júlio Marcondes César Salgado (Pindamonhangaba,1 de julho de 1890São Paulo, 23 de julho de 1932) foi um general e comandante da Força Pública do Estado de São Paulo, atual Polícia Militar do Estado de São Paulo, durante a Revolução Constitucionalista de 1932.[1]

Índice

BiografiaEditar

InícioEditar

Júlio Marcondes César Salgado nasceu em 1º de Julho de 1890, na cidade de Pindamonhangaba, filho de Victoriano Clementino Salgado e de Anna Euphrosina Marcondes do Amaral Salgado, tendo os irmãos Sérgio, Luiz, Joaquim, Francisco, Euclydia ,Francisca Marcondes Salgado e Eneias Marcondes Salgado.[1][2][3]

A família Marcondes tinha tradição no serviço público e militar já naquela época, como o Coronel Marcondes de Oliveira Melo, 1º Barão de Pindamonhangaba, Comandante da Guarda de Honra do Príncipe Dom Pedro, por ocasião do Grito do Ipiranga. Outro exemplo foi o Conselheiro Barão Homem de Melo, que era Marcondes, figurava no 2º Império como Ministro, Presidente de várias províncias e grande historiador.[3]

A família Salgado também foi outra que figurou na monarquia e deu a São Paulo homens como Antonio Salgado da Silva (o Visconde de Palmeiras), Inácio Bicudo de Siqueira Salgado (o Barão de Itapeva) e Benedito Corrêa Salgado, companheiro do Barão de Pindamonhangaba na jornada épica, cheia de glórias, de 7 de Setembro.[3]

Na velha Jambeiro, de propriedade de seus pais, o então jovem Júlio viveu uma infância feliz. No “Castanho”, sua montada favorita, ia ele a Pindamonhangaba, ou corria as matas da fazenda, e nesse garoto vivo e inteligente, já se prenunciava o cavaleiro – Centauro, que iria brilhar em futuras competições hípicas.[3]

No Grupo Escolar de Pindamonhangaba, recebeu as primeiras letras, e já havia cursado o 2º ano, quando a adversidade bateu à sua porta: sua extremosa mãe falecera, perdendo assim os carinhos maternos.[3]

Carreira militarEditar

A 26 de Junho de 1907, aos 16 anos, alistou-se o futuro General, como simples Soldado, no Corpo de Cavalaria. Cursou o Pelotão de Alunos Cabos, foi promovido a Anspessada a 1º de Agosto de 1908, obtendo, então, a primeira divisa, inicial de uma carreira que iria finalizar no Generalato.[1][4]

A 19 de Maio de 1911, foi promovido, por merecimento, a Segundo Sargento, contraindo nesse mesmo ano matrimônio com Ophélia Acritelli, descendente de tradicional família de Santa Branca.[2][4]

Júlio Marcondes Salgado dedicava-se de corpo e alma aos estudos. Mas em 4 de dezembro de 1913 via coroados seus esforços, com a inauguração da Escola de Oficiais e em fevereiro de 1915 diplomava-se Oficial. No mesmo ano já entrava definitivamente para o Oficialato da Força Pública, no posto de Alferes. No ano seguinte, assumiu de 2º Tenente Quartel-Mestre, onde revelou dedicação incomum ao trabalho e honestidade sem par, segundo seus colegas. Em 1918 era promovido a 1º Tenente por estudos e quatro anos depois foi agraciado com a “Cruz de Cavaleiro da Ordem de Leopoldo II” concedido por Sua Majestade o Rei Alberto da Bélgica, quando em visita a São Paulo. A honraria também foi atribuída naquela ocasião ao então capitão da cavalaria da Força Pública, Azarias Silva.[1][4][5]

Em 1924 foi promovido ao posto de Capitão por merecimento. Em 1924 é que demonstra de modo irretorquível seu valor militar na Guerra, como já o conservara na Paz. A 5 de Julho, deflagra nesta Capital um movimento revolucionário. As convicções profundamente legalistas desse grande Soldado, entretanto, não lhe permitem vacilar no que considerava o verdadeiro cumprimento do dever. Integra-se nas hostes fiéis ao Governo Legal, assumindo durante a peleja vários Comandos que o consagraram verdadeiro condutor de tropa, demonstrando em todos os instantes da luta incruenta, valor indômito e bravura desdobrada. Conquistava ele a 6 de Novembro, os galões de Major, pela brilhante atuação na Defesa do Poder Legal.[4]

Em 1925, toma parte no assalto à Estação do Norte e à Usina da Light da Rua Paula Souza, em poder dos insurretos. Em 1925, na perseguição à Coluna Miguel Costa, comandando uma Companhia do 3º B. I., vence o combate de Iacanga, capturando quase todos os inimigos. Naquele mesmo ano recebeu por esse feito a Medalha da Legalidade e a promoção, por merecimento e bravura, a major. Em 14 de Maio de 1927 a Medalha de Mérito Militar, em bronze e no mesmo ano foi promovido ao posto de Tenente Coronel, assumindo o Comando do Regimento de Cavalaria.[4]

Foi um grande esportista, tendo sido campeão Paulista de Polo e Esgrima, além de exímio cavaleiro. Conquista em 25 de Novembro de 1929, o 1º lugar no Campeonato Brasileiro – Prova Presidente da República – Washington Luiz Pereira de Souza, saltando com o cavalo Boemio, 1m e 85cm de altura. Em 19 de Janeiro de 1930, recebe a Medalha de Cultura Física. No ano seguinte, com a vitória da Revolução de 1930, os rebeldes assumem os postos de confiança do Governo Provisório, porém, continua assumir postos de confiança na instituição.[4]

Em 28 de abril de 1931, foi preso no então presídio político da Imigração, junto de cerca de 200 oficiais como José Teófilo Ramos, Romão Gomes e Reinaldo Saldanha da Gama, além de praças da corporação, sofrendo outras punições disciplinares por conta de sua participação no Movimento de 28 de abril daquele ano, em que uma significativa parcela de oficiais e praças da Força Publica paulistas se rebelaram contra o regime Vargas e as constantes ingerências políticas no estado, encabeçadas por João Alberto e Miguel Costa.[6]

Em 1931, comanda o 4º Batalhão de Caçadores da Capital, hoje em Baurú, e o 5º Batalhão de Caçadores, sediado na capital, hoje com sede em Taubaté, e que pelo Decreto nº 31.766, de 28 de Junho de 1990, denominou-se 5º Batalhão de Polícia Militar do Interior “General Júlio Marcondes Salgado”.[4]

Em 23 de Maio de 1932, Waldemar Ferreira, assumindo a Pasta da Justiça e da Segurança Pública, teve como seu primeiro ato a indicação ao Interventor Federal do Estado de São Paulo, o governador Pedro de Toledo, e do nome do Tenente Coronel Júlio Marcondes Salgado para o Comando Interino da Força Pública do Estado. Em 25 de Maio foi promovido a Coronel e efetivado para o mesmo cargo.[4][7]

Foi um dos líderes e articuladores da Revolução Constitucionalista de 1932.[1] Com a deflagração do movimento revolucionário no dia 9 de julho de 1932, o então Comandante da Força Pública de São Paulo, publicou a seguinte nota[8] a imprensa:

Contudo, na manhã do dia 23 de julho de 1932, o Cel. Júlio Marcondes Salgado veio a falecer após ser ferido mortalmente em um acidente com um protótipo de morteiro durante testes, na região de Santo Amaro. Em uma das demonstrações, a carga explosiva que deveria ser projetada ficou presa ao tubo de lançamento e, com a explosão, os estilhaços vieram a atingir o Cel. Salgado, seccionando-lhe a carótida. Também foi morto nesse acidente o major da Força Pública José Marcelino da Fonseca (um dos criadores do artefato) e ferindo sem gravidade o General Bertoldo Klinger, então Comandante Supremo do Exército Constitucionalista.[1][4][9][10][11]

Seus restos mortais se encontram no Monumento Mausoléu ao Soldado Constitucionalista de 1932.[1]

HomenagensEditar

O Governador Constitucional do Estado de São Paulo, Pedro de Toledo, prestou-lhe sua última homenagem, promovendo-o ao posto de General da Força Pública, pelo Decreto nº 5.602, de 23 de Julho de 1932, na mesma data de seu falecimento, classificando-o como lídimo paladino da Constitucionalização do País.[1][4][12]

O 5º Batalhão de Policia Militar do Interior do Estado de São Paulo passou a ser denominado por General Júlio Marcondes Salgado com o Decreto nº 31.766, de 28 julho de 1990, do Governador Orestes Quércia. É considerado “Unidade Mãe” das Organizações Policiais Militares sediadas no Vale do Paraíba.[2][13]

Em São Paulo, há a Escola Municipal Gen. Júlio Marcondes Salgado, no bairro Parque Edu Chaves, Zona Norte, e a rua Gen. Júlio Marcondes Salgado no bairro Barra Funda, denominados por lei em sua memória.[14][15] No Estado, há o município General Salgado nomeado em sua homenagem.[4]

Em Pindamonhangaba, a sua cidade natal, foi homenageado com a denominação de uma a rua que tem início na Praça Barão do Rio Branco (Largo São José) até o seu final, já no bairro de Sant’Ana.[4] Em Taubaté também é lembrado com uma praça denominada em sua homenagem.[16]

Ver TambémEditar

Referências

  1. a b c d e f g h Montenegro, Benedicto (1936). Cruzes Paulistas. São Paulo: Revista dos Tribunais. pp. 193–196 
  2. a b c «5ºBPM/I - Home Page». www.polmil.sp.gov.br. Consultado em 4 de março de 2017 
  3. a b c d e Marcondes, Athayde (1922). Pindamonhangaba: Através de dois e meio séculos. 2ª ed. São Paulo: Typografia Paulista 
  4. a b c d e f g h i j k l «General Júlio Marcondes Salgado, o grande herói de 1932 - PortalR3». PortalR3. 23 de julho de 2014 
  5. Ellis Junior, Alfredo (1933). A Nossa Guerra. São Paulo: Editora Piratininga S.A. pp. 266–268 
  6. Tenório & Oliveira, Cap. Heliodoro & Odilon (1933). São Paulo contra a dictadura. São Paulo: Ismael Nogueira. pp. 100–103 
  7. Silva, Hélio (1969). 1932 A Guerra Paulista. São Paulo: Civilização Brasileira. pp. 39–40 
  8. Silva, Hélio (1969). 1932 A Guerra Paulista. São Paulo: Civilização Brasileira. pp. 105–106 
  9. Del Picchia, Menotti (1932). A Revolução Paulista. São Paulo: Revista dos Tribunais. pp. 117–119 
  10. Carvalho e Silva, Herculano (1932). A Revolução Constitucionalista. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. pp. 53–59 
  11. Silva, Hélio (1969). 1932 A Guerra Paulista. São Paulo: Civilização Brasileira. pp. 133–134 
  12. Pedro de Toledo (1932). «Decreto nº 5.602 de 23 de julho de 1932». www.al.sp.gov.br. Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. Consultado em 3 de março de 2017 
  13. «Decreto n° 31.766, de 28/06/1990 ( Decreto 31766/1990 )». www.al.sp.gov.br. Consultado em 4 de março de 2017 
  14. escolas. «Escola - EMEF Julio Marcondes Salgado Gen - São Paulo - SP». Escol.as. Consultado em 29 de março de 2017 
  15. «Guia da Rua: Rua General Júlio Marcondes Salgado, São Paulo, SP - Apontador». Apontador. Consultado em 29 de março de 2017 
  16. «Praça General Júlio Marcondes Salgado». Foursquare. Consultado em 1 de julho de 2018 

Ligações externasEditar