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Friedrich von der Schulenburg
Nascimento 20 de novembro de 1875
Kemberg
Morte 10 de novembro de 1944 (68 anos)
Cidadania Alemanha
Alma mater Universidade Humboldt de Berlim
Ocupação diplomata, membro da resistência
Prêmios Cruz de Ferro, 2.ª Classe, Ordem de Mérito da Águia Alemã
Título conde
Causa da morte enforcamento

Friedrich-Werner Erdmann Matthias Johann Bernhard Erich Graf von der Schulenburg (Kemberg, 20 de novembro de 1875 - Berlim, 10 de novembro de 1944) foi um diplomata alemão, notado sobretudo por ter servido como último embaixador da Alemanha Nazi na União Soviética, até a Operação Barbarossa, em 1941.

Schulenburg começou sua carreira diplomática antes da Primeira Guerra Mundial, servindo como cônsul e embaixador em vários países. Na fase final da Segunda Guerra Mundial, ele se voltou contra a principal vertente do partido nazista, e se juntou a uma conspiração contra Hitler. Após o fracasso da trama de 20 de julho de 1944 para assassinar o führer, Schulenburg foi preso e depois executado.

Ele era um Cavaleiro da Justiça da Ordem de São João, algo considerado desfavorável pelos nazistas.[1]

Carreira diplomáticaEditar

 
Inscrição no Portão de Todas as Nações, comemorando a visita de Schulenburg a Persepolis.

Schulenburg nasceu em Kemberg, na província prussiana da Saxônia, filho do graf Bernhard von der Schulenburg. Depois de um ano no exército, estudou direito em Lausanne, Munique e Berlim, e em 1901 ingressou no serviço consular do Ministério das Relações Exteriores. Em 1903, ele havia sido apontado como vice-cônsul da Alemanha em Barcelona, e nos anos que se seguiram ele se viu trabalhando em consulados em Lemberg, Praga, Varsóvia e Tbilisi. Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial em 1914, Schulenburg retornou ao serviço militar, e depois da Primeira Batalha do Marne foi promovida a capitão e encarregado de uma bateria de artilharia, em outubro de 1914. Em 1915 ele foi destacado como oficial de ligação alemão para o exército otomano, na Frente Armênia. Em 1916, ele assumiu o comando da Legião da Geórgia, na luta contra o Império Russo, até o seu colapso em 1917. Durante seu tempo no exército, ele recebeu a Cruz de Ferro e altas honrarias otomanas. Após o colapso do Império Alemão, ele foi capturado pelos britânicos e internado na ilha mediterrânea de Prinkipo (agora chamada de Büyükada), retornando à Alemanha em 1919. Schulenburg foi então reintegrado no Ministério das Relações Exteriores e tornou-se cônsul alemão em Beirute.

Schulenburg serviu como embaixador alemão no Irã de 1922 a 1931, e durante sua visita aos monumentos antigos em Persépolis seu nome foi gravado no Portão de Todas as Nações. De 1931 a 1934 ele serviu como embaixador alemão na Romênia, e então foi enviado a Moscou.

Segunda Guerra MundialEditar

Em 1934 Schulenburg foi nomeado embaixador alemão na União Soviética. Ele favoreceu um acordo entre a Alemanha e a União Soviética, e foi fundamental na negociação do Pacto Molotov-Ribbentrop, assinado em agosto de 1939. Após a invasão soviética da Polônia, apesar do estado de guerra entre Alemanha e Polônia, ele usou sua posição para permitir que diplomatas poloneses (incluindo o embaixador Waclaw Grzybowski) deixassem a União Soviética.

Schulenburg foi mantido no escuro sobre a planejada invasão da União Soviética pela Alemanha. Ele só soube com certeza que a invasão estava ocorrendo algumas horas antes dela ser lançada, quando o ministro das Relações Exteriores, Joachim von Ribbentrop, enviou-lhe uma mensagem para ler ao ministro das Relações Exteriores soviético Viacheslav Molotov, justificando a invasão. No entanto, desde a primavera de 1941 ele suspeitava que seu governo planejava a invasão, e até o fim combateu justificativas nesse sentido, salientando a força militar da União Soviética e a inalienabilidade de suas reservas industriais. Ele é citado como tendo dito a Molotov na manhã do ataque: "Nos últimos seis anos, eu tentei pessoalmente fazer tudo que podia para encorajar a amizade entre a União Soviética e a Alemanha. Mas você não pode ficar no caminho do destino".[2]

Depois que a invasão alemã começou, em 22 de junho de 1941, Schulenburg foi preso pelos soviéticos por algumas semanas, depois transferido para a fronteira soviético-turca. Depois disso, Schulenburg foi designado como líder do Comitê da Rússia, um posto do Ministério das Relações Exteriores sem qualquer influência política.

Mais tarde, ele se juntou à conspiração para derrubar Hitler, na esperança de alcançar um rápido acordo de paz no leste. Ele estava pronto e disposto a negociar, mesmo com Josef Stalin, em nome dos conspiradores. Se eles tivessem sido bem sucedidos em derrubar Hitler, Schulenburg teria sido um alto funcionário do Ministério das Relações Exteriores; algumas fontes, inclusive, o listaram como ministro das Relações Exteriores. Os planos de Schulenburg para os objetivos pós-Hitler no Oriente eram semelhantes aos dos nazistas em muitos pontos, e ele acreditava que os russos e outros países da Europa Oriental poderiam ser facilmente submetidos à supremacia alemã, pois eram "jovens intocados pela civilização ocidental" e povos de "índole simples". Na visão de Schulenburg, a Europa seria dominada pela Alemanha, que anexaria terras que se estenderiam até Vilnius, Minsk e Lublin, no leste; até Praga e Brno, no sul; e Groningen e Liége, no oeste.[3]

Após o fracasso do atentado contra a vida de Hitler, em 20 de julho de 1944, Schulenburg foi preso e acusado de traição. Em 23 de outubro de 1944, o Volksgerichtshof condenou-o à morte, e ele foi enforcado em 10 de novembro de 1944, na Prisão de Plötzensee, em Berlim.

Burg FalkenbergEditar

 
Burg Falkenberg (2005).

Na década de 1930, Schulenburg adquiriu o Burg Falkenberg, um castelo no Alto Palatinado. Ele o converteu e renovou, para que lhe servisse de lar em sua aposentadoria. Este trabalho monumental foi realizado entre 1936 e 1939.[4][5]

Ver tambémEditar

ReferênciasEditar

  1. «The Knights of Saint John in Germany». GREAT ORDERS OF CHIVALRY. Consultado em 17 de março de 2019. Arquivado do original em 30 de setembro de 2013 
  2. Stalin ignora avisos em pbs.org
  3. Alternativas para Hitler: Resistência Alemã Sob o Terceiro Reich Hans Mommsen página 161
  4. «Google Translate». translate.google.co.uk 
  5. «Burg Falkenberg». Wikipedia