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Pavilhão da Bienal de São Paulo
Prédio da Fundação Bienal, arquitetada por Oscar Niemeyer, no Parque Ibirapuera, em São Paulo.
Arquiteto Oscar Niemeyer
Construção 1954
Classificação nacional CONPRESP, CONDEPHAAT e IPHAN
Data Municipal, Estadual e Nacional
Estado de conservação São Paulo
Geografia
Cidade São Paulo

A Fundação Bienal de São Paulo é a instituição encarregada de promover e organizar a Bienal Internacional de Arte de São Paulo, desde a 7ª edição.[1] A sede da Bienal é o Pavilhão Ciccillo Matarazzo, também conhecido apenas como Pavilhão da Bienal e está localizado no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. No ano de 1954, o Parque do Ibirapuera e suas construções, arquitetadas por Oscar Niemeyer, foram inaugurados em comemoração dos 400 anos da cidade de São Paulo.[1] Todo o Parque do Ibirapuera e suas edificações foram tombadas como patrimônio histórico.[2]

A Fundação foi criada em maio 1962, após a 6ª Bienal de São Paulo, assumindo as funções até então a cargo do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM).[1]

Índice

HistóriaEditar

FundaçãoEditar
 
Palácio dos Estados, 1956.

O fundador da Bienal, Francisco Matarazzo Sobrinho, também conhecido como Ciccillo Matarazzo e sobrinho de um dos maiores empresários do Brasil, Francisco Matarazzo, teve seu desejo em montar um museu de arte moderna em São Paulo após estreitar relacionamentos com intelectuais e artistas em meados dos anos 40. Com a ajuda do norte-americano Nelson Rockefeller, consegue estabelecer um acordo com o MoMA (Museum of Modern Art), um importante museu localizado na cidade de Nova York, para a construção de um projeto similar no Brasil. Assim, é fundado o institudo MAM (Museu de Arte Moderna) no ano de 1949 em São Paulo. Já em 1951, Matarazzo consegue realizar a primeira edição da Bienal Internacional de São Paulo, exposição ainda vinculada ao MAM, que aconteceu na Avenida Paulista. O projeto recebe o auxílio dos diretores artísticos das primeiras bienais, Sérgio Milliet e Gomes Machado e em 1962, a Bienal é separada do MAM e transferida diretamente para o Pavilhão da Bineal no Parque do Ibirapuera, onde fica atualmente.[3] O Pavilhão da Bienal foi um projeto do arquiteto Oscar Niemeyer e inaugurado com o Parque do Ibirapuera em 1954. O espaço, que anteriormente levava o nome de Palácio das Indústrias, faz parte do conjunto de edificações arquitetadas por Niemeyer para o parque em comemoração ao IV Centenário da cidade de São Paulo. Fazem parte do conjunto construções icônicas como o Palácio das Exposições (Oca), o Palácio das Nações (atualmente a sede do Museu Afro Brasil), Palácio dos Estados e o Palácio da Agricultura (atualmente o Museu de Arte Contemporânea, além do próprio Pavilhão da Bienal.[4]

Bienal Internacional de ArteEditar
 
Dilma Rousseff, 36ª Presidente do Brasil, visita a Bienal Internacional de Arte de São Paulo em 2010 durante sua campanha.

A partir de sua sétima edição, em 1963, a Bienal Internacional de Arte, até então feita no Museu de Arte Moderna de São Paulo, foi realizada no Pavilhão Ciccillo Matarazzo. Em 1969, durante o período da Ditadura Militar no Brasil, muitos artistas se recusaram a participar da Bienal, uma vez que a repressão do regime aumentara após o Ato Institucional Nº 5. Com a ausência de autores brasileiros, a exposição de 1969 foi considerada a Bienal do Boicote. Entretanto, por receber grande financiamento do Governo Federal, o evento não foi considerado um importante local de resistência na época.[5] Na próxima Bienal, no ano de 1971, ainda muitos artistas se recusavam a participar. Com a ausência de obras contemporâneas, a organização do evento se baseou em obras históricas e trouxe trabalhos que foram exibidos na Semana de Arte Moderna, que aconteceu no ano de 1922.[6] Foi apenas na década de 80, pouco após a morte de Ciccillo Matarazzo em 1977 e com o fim da Ditadura Militar, que a Bienal de Arte voltou a ter maior prestígio e contou com obras de importantes artistas contemporâneos, como Marcel Duchamp e Anselm Kiefer.[7] Já em 1996, sob a direção de Edemar Cid Ferreira, a exposição contou com obras de artistas históricos como Andy Warhol, Pablo Picasso, Edvard Munch e Francisco de Goya.[8] Mais de 8 milhões de pessoas visitaram as 32 edições da Bienal Internacional de Arte de São Paulo, que continua até hoje.[9]

SP-ArteEditar
 Ver artigo principal: SP-Arte

A SP-Arte, Feira Internacional de Arte de São Paulo, teve início em 2005 e todas suas edições foram realizadas no Pavilhão da Bienal. O evento reúne mais de 2.000 profissionais e influenciadores do setor anualmente, com representantes de todas as partes do mundo. A feira tem duração de cinco dias e exerce grande influência na agenda artística global, uma vez que são discutidos conceitos artísticos e todo cenário atual do ramo, reunindo tendências. Diversos artistas participam do SP-Arte também como expositores, que a partir de 2016 também podem mostrar as tendências no mercado de design mobiliário.[10]

São Paulo Fashion WeekEditar
 Ver artigo principal: São Paulo Fashion Week
 
Desfile da linha de maquiagem Make B no São Paulo Fashion Week em junho de 2011.

O São Paulo Fashion Week, que recebe a abreviação de SPFW, é o principal evento de moda do Brasil e um dos maiores do mundo. A cada edição, calcula-se que 80 mil pessoas, sendo convidadas ou profissionais, participam do evento, gerando estimados R$ 1,5 milhões em volume de negócios. Ele teve início como Phytoervas Fashion, considerado o primeiro grande evento de moda brasileiro e foi organizado por Paulo Borges e Cristiana Arcangeli no ano de 1994. Após a saída de Paulo Borges da Phytoervas Fashion, foi criado também o Morumbi Fashion Week, evento com a mesma proposta e que ganhou muita força e visibilidade em 1999. Já dois anos depois, o evento recebeu o nome de São Paulo Fashion Week.[11] Em 2013, o evento que até então era geralmente realizado no prédio da Bienal, foi transferido para o Parque Villa-Lobos [12] e então para o Parque Cândido Portinari [13] nos dois anos seguintes.

ArquiteturaEditar

 
Pavilhão da Bienal de São Paulo.

O Pavilhão da Bienal foi parte do projeto de comemoração do IV Centenário de São Paulo, com a inauguração do Parque do Ibirapuera e seu conjunto de edificações, que hoje formam espaços de eventos e importantes museus, como a Oca e o Museu Afro Brasil. O plano foi arquitetado pelo icônico arquiteto brasileiro, Oscar Niemeyer, em 1954. O Pavilhão da Bienal é dividido por três pavimentos e um auditório, que somam 25 mil m².[14] Os pavimentos possuem uma das principais características de Niemeyer - as curvas, presentes em tantos outros projetos do arquiteto, como o Auditório do Ibirapuera e o Edifício Copan, ambos localizados em São Paulo. A edificação ocupa um espaço de 250 por 50 m² [15] e tem uma área total construída de 39800 m. Os andares são ligados por elevadores, escadas, largas rampas e escadas rolantes.[16]

 
Fachada da Bienal.

Em seu exterior, é possível ver que o pavilhão possui brises verticais de alumínio, que compõem a fachada.[17] Atualmente, o Pavilhão da Bienal pode ser alugado para eventos que tenham alguma relação criativa, com artes, gastronomia, moda, design, tecnologia, entre outros.[14]

Significado histórico e culturalEditar

 
O arquiteto Oscar Niemeyer em 1977.

Tombado como patrimônio histórico em nível municipal, estadual e nacional pelos órgãos CONRESP, CONDEPHAAT E IPHAN, o Pavilhão da Bienal não é apenas um marco histórico, mas também um espaço de extrema relevância cultural em São Paulo.[18] Como parte do Parque do Ibirapuera, que foi inaugurado em comemoração aos 400 anos de São Paulo, e que teve suas edificações projetadas por Oscar Niemeyer e as partes paisagísticas desenvolvidas por Burle Marx.[19]

TombamentoEditar
 
Vista panorâmica do Parque do Ibirapuera.

Com o processo iniciado em 1983 pelo CONDEPHAAT, hoje todo o Parque do Ibirapuera e seu projeto arquitetônico é considerado patrimônio histórico. Na época, foram iniciados processos de tombamento de diversos parques e espaços públicos de São Paulo, como o Parque da Água Funda, Parque da Aclimação, Parque Morumbi, Parque Ibirapuera, Parque Fernando Costa (Parque da Água Branca), Parque da República e a Praça Buenos Aires. Parte da população acreditava que o Parque do Ibirapuera não estava bem conservado e que a construção de prédios novos, como a sede da Prefeitura, o prédio do Detran e do Prodam, ameaçava o caráter ambiental do local. Foi também com a construção de um espaço para idosos, o chamado Geroparque, que associações se uniram para solicitar o tombamento da área, a fim de que novas intervenções fossem impedidas. A Associação Brasileira de Arquitetos e Paisagistas (ABAP) solicitou ao CONDEPHAAT que um processo de tombamento de patrimônio histórico fosse iniciado, alegando que o parque estava sofrendo com "intervenções inadequadas".[2] No mesmo ano, foi mediado um debate pela Folha de S.Paulo intitulado "Queremos o Parque do Ibirapuera de Volta", onde foram discutidas possíveis ações a serem tomadas para a preservação da área. No evento, o então Secretário Municipal de Cultura, Fábio Magalhães, sugeriu que o prédio da Bienal fosse demolido para a criação de um grande vão livre, destinado a atividades culturais.[20] Em novembro de 1987, o então Prefeito de São Paulo, Jânio Quadros, enviou uma carta ao presidente do CONDEPHAAT, Paulo de Mello Bastos, declarando que não admitia o tombamento do sítio.[2] Durante o período, o prefeito autorizou obras para um túnel ligando o Morumbi a Avenida 23 de Maio.[21] Os trabalhos foram interrompidos, uma vez que o caminho passaria debaixo do Ibirapuera, o que não seria permitido devido ao tombamento. Ainda declarou que, se não fosse por seu trabalho enquanto vereador, o Parque do Ibirapuera seria um estádio de futebol. Entretanto, Paulo de Mello declarou posteriormente ao Estado de São Paulo que, legalmente, Jânio Quadros não poderia impedir o processo.[22] Milton Gordo, juiz da 5a Vara da Fazenda Estadual, concedeu uma limiar proibindo o andamento das obras.[23]

GaleriaEditar

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b c «Sobre a Bienal». www.bienal.org.br. Fundação Bienal de São Paulo. Consultado em 23 de novembro de 2016 
  2. a b c «Processo de Tombamento CONDEPHAAT - 25767-87 - Volume 1» (PDF) [ligação inativa]
  3. Cultural, Enciclopédia Itaú. «Ciccillo Matarazzo - Enciclopédia Itaú Cultural» 
  4. «60 anos do Parque Ibirapuera, por Fernanda Curi - Bienal». www.bienal.org.br. Consultado em 23 de novembro de 2016 
  5. «UOL Diversão e Arte - Bienal». entretenimento.uol.com.br. Consultado em 23 de novembro de 2016 
  6. «UOL Diversão e Arte - Bienal». entretenimento.uol.com.br. Consultado em 23 de novembro de 2016 
  7. «UOL Diversão e Arte - Bienal». entretenimento.uol.com.br. Consultado em 23 de novembro de 2016 
  8. «23ª Bienal de São Paulo - Bienal». www.bienal.org.br. Consultado em 23 de novembro de 2016 
  9. «Sobre a Bienal - Bienal». www.bienal.org.br. Consultado em 23 de novembro de 2016 
  10. «SP-Arte». SP-Arte. Consultado em 23 de novembro de 2016 
  11. «A história da São Paulo Fashion Week | Stylight». STYLIGHT. Consultado em 23 de novembro de 2016 
  12. «SPFW começa com endereço novo e desfiles inéditos | VEJA.com». VEJA.com. 28 de outubro de 2013 
  13. «SPFW divulga programação com novo local e marcas estreantes» 
  14. a b «Pavilhão - Bienal». www.bienal.org.br. Consultado em 23 de novembro de 2016 
  15. TORRES, Maria Teixeira Mendes (1967). O Novo Bairro do Ibirapuera e Seu Moderno Parque. [S.l.: s.n.] pp. Anexo III 
  16. TORRES, Maria Teixeira Mendes, 1967. O Novo Bairro do Ibirapuera e Seu Moderno Parque - Anexo III
  17. «Clássicos da Arquitetura: Pavilhão Ciccillo Matarazzo / Oscar Niemeyer». ArchDaily Brasil. 15 de dezembro de 2011 
  18. «Pabellon Ciccillo Matarazzo» (PDF). Casiopea 
  19. «Notícia: Mais três monumentos projetados por Niemeyer são tombados pelo Iphan - IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional». portal.iphan.gov.br. Consultado em 23 de novembro de 2016 
  20. «Cidade Quer o Parque de Volta (1983)». Folha de S.Paulo 
  21. «Cidade - Tombamento do Ibirapuera, a nova briga de Jânio». O Estado de São Paulo 
  22. «Ibirapuera: Jânio não pode impedir tombamento». O Estado de São Paulo 
  23. «Limiar Suspende o túnel sob Ibirapuera». Folha de S.Paulo 

Ligações ExternasEditar