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Um hadith,[1] aportuguesado como hádice[2] ou hadiz [3](em árabe: الحديث; romaniz.: hadith, pl. أحاديث‎, aḥādīth) é o registo escrito de comunicações orais (literalmente, 'relatos') do profeta do Islã, Maomé, reportada por uma cadeia de narradores, de valor jurídico e religioso, frequentemente ligados à vida e à obra do profeta Maomé. Por extensão, o termo designa o conjunto de tradições relativas aos atos e palavras de Maomé e seus companheiros (Sahaba), incluindo conselhos e justificativas de suas escolhas. Os hádices são também designados pelo nome de "tradições" de Maomé ou de "tradições proféticas". Em geral, os hádices (ahadith) são pequenas histórias sobre a vida do Profeta mas têm um significado maior porque são todos partes constitutivas da Suna, a segunda fonte da lei islâmica (Sharia), depois do próprio Alcorão. Existem milhões de ahadith, classificados segundo a isnad (cadeia de trasmissão) e a fiabilidade. Os eruditos muçulmanos definiram o hadith/({حديث}) como 'aquilo que Maomé disse, fez ou que viu alguém fazer e, com o seu silêncio, aprovou, ou não repreendeu a pessoa em questão.’ Sira (literalmente, 'vida') refere-se aos ahadith organizados como uma biografia da vida terrena do Profeta.

Para a maioria dos muçulmanos, os hádices contêm uma exposição, com autoridade, sobre os significados do Alcorão. A lei islâmica é deduzida dos atos, afirmações, opiniões e modos de vida de Maomé. Muçulmanos tradicionais acreditam que os eruditos islâmicos dos últimos 1 400 anos foram geralmente bem-sucedidos na interpretação de boa parte dos hádices com que lidaram.

A literatura, como um todo, foi passada de geração a geração, oralmente, até meados do século VIII (menos de 100 anos após a morte de Maomé e seus companheiros), quando foram formadas coleções de hádices. Mais tarde, elas foram editadas. Este processo tomou duas formas:

  • musnad - classificação de acordo com os nomes dos tradicionalistas
  • musannaf - classificação de acordo com o tema; editada de acordo com o conteúdo.

Os diferentes ramos do Islão (sunitas e xiitas) aceitam diferentes coleções de hádices como genuínas.

Tal como o Talmude está para a Torá, no Judaísmo, os hádices estão para as leis do Alcorão, no Islão. Hádice é a interpretação autoritativa do Alcorão, mesmo quando a prática corrente está em conflito com o significado do texto.

A cadeia de autoridadesEditar

Todo hádice vem acompanhado de uma lista de autoridades (Isnad), em forma de cadeia de transmissão oral: "X afirma, referindo-se às palavras de Y, que ouviu Z dizer...". Essas cadeias são essenciais na hora de determinar a validade e o alcance da tradição. As cadeias podem ser bastante longas, porém a maior parte delas data de um século ou dois, depois da morte do Profeta. Tudo aquilo que é atribuído a Maomé é, evidentemente, valioso. Mas existem transmissores de tradições que gozam de elevada confiança dos eruditos muçulmanos, enquanto que outros são ignorados.

EscolasEditar

Diferentes ramos do Islã referem-se a diferentes coleções de hádices, embora o mesmo episódio possa ser encontrado em coleções diferentes. No ramo sunita do Islã, as coleções de ahadith canônicas estão contidas nos seis livros (Kutub al-Sittah), dos quais o Sahih Al-Bukhari e o Sahih Muslim geralmente são considerados os mais autênticos. Os outros quatro livros são o Sunan Abu Dawood, Jami ' at-Tirmidhi, Al-Sunan Al-Sughra e Sunan Ibn Majah. No entanto, os Malikis, uma das quatro "escolas de pensamento" sunitas (madhhabs), tradicionalmente rejeitam Sunan Ibn Majah e afirmam o estatuto canônico de Muwatta Imam Malik.

No xiismo duodecimano, as coleções canônicas de ahadit são os quatro livros: Kitab al-Kafi, Man la yahduruhu al-Faqih, Tahdhib Al-Ahkam e Al-Istibsar. A vertente ismaelita do xiismo usa o Daim Al-Islam como coleções de hádices. No ibadismo, a coleção canônica principal é Tartib Al-Musnad, que é uma expansão da anterior coleção Jami Sahih. Já a Comunidade Ahmadi geralmente depende dos mesmos cânones sunitas.

Alguns grupos menores, coletivamente conhecidos como Coranistas, rejeitam completamente a autoridade dos hádices.

Ver tambémEditar

Referências

  1. Diconário Houaiss: hadith
  2. Alves 2014, p. 559.
  3. Diccionario de la lengua española: 'hadiz'

BibliografiaEditar

  • Alves, Adalberto (2014). Dicionário de Arabismos da Língua Portuguesa. Lisboa: Leya. ISBN 9722721798 
  • Robinson, C. F. (2003). Islamic Historiography. Cambridge University Press. ISBN 0521629365.
  • Robson, J. "Hadith". Encyclopaedia of Islam. Ed. P.J. Bearman, Th. Bianquis, C.E. Bosworth, E. van Donzel and W.P. Heinrichs. Brill Academic Publishers. ISSN 1573-3912.
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