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Maomé
مُحَمَّد, Muhammad
Profeta Maomé recitando o Alcorão em Meca (gravura do século XV).
Nome completo مُحَمَّد
Nascimento ca. 25 de abril de 571
Meca, Arábia (atual Arábia Saudita)
Morte 8 de junho de 632 (61 anos)
Medina, Arábia
Progenitores Mãe: Amina bint Wahab
Pai: Abd Allah
Ocupação Profeta do Islã

Abū al-Qāsim Muḥammad ibn ʿAbd Allāh ibn ʿAbd al-Muṭṭalib ibn Hāshim, mais conhecido como Maomé (em árabe: Loudspeaker.svg? مُحَمَّد, transl. Muḥammad, Mohammad ou Moḥammed; Meca, ca. 25 de Abril de 571Medina, 8 de Junho de 632) foi um líder religioso , político e militar árabe. Segundo a religião islâmica, Maomé é o mais recente e último profeta do Deus de Abraão.

Para os muçulmanos, Maomé foi precedido em seu papel de profeta por Jesus, Moisés, Davi, Jacó, Isaac, Ismael e Abraão. Como figura política, ele unificou várias tribos árabes, o que permitiu as conquistas árabes daquilo que viria a ser um império islâmico que se estendeu da Pérsia até à Península Ibérica.

Não é considerado pelos muçulmanos como um ser divino, mas sim, um ser humano; contudo, entre os fiéis, ele é visto como um dos mais perfeitos seres humanos,[1]e o próprio Alcorão o estabelece.[2]

Nascido em Meca, Maomé foi durante a primeira parte da sua vida um mercador que realizou extensas viagens a trabalho. Tinha por hábito retirar-se para orar e meditar nos montes perto de Meca. Os muçulmanos acreditam que em 610, quando Maomé tinha quarenta anos, enquanto realizava um desses retiros espirituais numa das cavernas do Monte Hira, foi visitado pelo anjo Gabriel que lhe ordenou que recitasse os versos enviados por Deus, e comunicou que Deus o havia escolhido como o último profeta enviado à humanidade. Maomé deu ouvidos à mensagem do anjo e, após sua morte, estes versos foram reunidos e integrados no Alcorão, durante o califado de Abu Bakr.

Maomé não rejeitou completamente o judaísmo e o cristianismo, duas religiões monoteístas já conhecidas pelos árabes. Em vez disso, declarou que é necessária proteção a estas religiões[3] e informou que tinha sido enviado por Deus para restaurar os ensinamentos originais destas religiões, que tinham sido corrompidos e esquecidos. Porém, isto de acordo com a Enciclopédia Judaica, Maomé tornou-se cada vez mais hostil aos judeus ao longo do tempo quando "percebeu que havia diferenças irreconciliáveis entre a religião deles e a sua, especialmente quando a crença em sua missão profética se tornou o critério de um verdadeiro muçulmano".[4]

Muitos habitantes de Meca rejeitaram a sua mensagem e começaram a persegui-lo, bem como aos seus seguidores. Em 622 Maomé foi obrigado a abandonar Meca, numa migração conhecida como a Hégira (Hijra), tendo se mudado para Yathrib (atual Medina). Nesta cidade, Maomé tornou-se o chefe da primeira comunidade muçulmana. Seguiram-se anos de batalhas entre os habitantes de Meca e Medina, que resultaram em geral na vitória de Maomé e de seus seguidores. A organização militar criada durante estas batalhas foi usada para derrotar as tribos da Arábia. Por altura da sua morte, Maomé tinha unificado praticamente todo o território sob o signo de uma nova religião, o islão.

Índice

Nome

 
Miniatura persa que retrata a ascensão de Maomé ao céu.

O nome completo de Maomé em árabe pode ser transliterado como abū al-qāsim muḥammad ibn ʿabd allāh ibn ʿabd al-muṭṭalib ibn hāshim, sendo que Muhammad significa "louvável" e seu nome completo, inclui o nome "Abd Allah", que significa "servo de Deus". Este nome já era comum na Arábia antes do surgimento do islão, não sendo por isso necessário ver nele um epíteto criado pelo próprio.

Maomé é uma forma aportuguesada do francês Mahomet, que por sua vez é uma deformação do turco Mehmet, tendo daí derivado os adjetivos portugueses maometano e maometismo para designar, respectivamente, o seguidor e a crença difundida por ele.

Na África Negra muçulmana, o nome foi deformado para Mamadou, e entre os berberes encontra-se a forma Mohand.

Nos textos portugueses mais antigos, este antropónimo aparece grafado de variadíssimas formas, como Mafoma, Mafamede, Mafomede, Mafomade, Mahamed, Mahoma, Mahomet, Mahometes ou Mahometo, sendo Mafamede e Mafoma por ventura as mais divulgadas (de resto, a última forma é correlata do nome do profeta nas outras línguas ibéricas, sendo que em castelhano, catalão, galego e até basco, se diz Mahoma). Desde o século XIX, porém, que tais termos caíram completamente em desuso no português, sendo até considerados ofensivos, posto que o seu uso, nas crónicas antigas, se fez sempre associado num contexto de cruzada contra a religião muçulmana.

Hoje em dia, alguns arabistas, islamólogos e historiadores lusófonos optam por utilizar a forma Muhammad em vez de Maomé, por considerarem que esta é a transliteração mais correcta a partir do árabe, sendo sua pronúncia a mais aproximada ao nome original (de facto, nos últimos anos, uma parte significativa e crescente da produção científica em Portugal na área dos estudos árabes e islâmicos tem vindo a consagrar este uso).[carece de fontes?] Neste grupo inclui-se o falecido arabista português José Pedro Machado, autor de uma tradução do Alcorão em português na qual utiliza a forma Muhammad para se referir ao profeta do islão.

Todavia, os principais dicionários da língua portuguesa e alguns linguistas e lexicógrafos adotam a forma Maomé, vulgarizada por dois séculos de uso.[5] Ademais, a língua árabe não estipula uma transliteração oficial (como o chinês, por exemplo), portanto a representação morfológica no alfabeto latino das palavras em árabe varia enormemente com as particularidades de cada língua. Outro argumento a favor do emprego de Maomé encontra-se no facto que praticamente todos os nomes de personalidades históricas anteriores ao século XX já possuem forma vernácula em português, como Moisés, Jesus, Martinho Lutero.

Fontes

As principais fontes para o estudo da vida de Maomé são o Alcorão, as biografias surgidas nos primeiros séculos do islão (nos séculos VIII e IX, conhecidas como Siras) e os ahadith (hádices).

Embora o Alcorão não seja uma biografia de Maomé, ele proporciona algumas informações sobre a sua vida, apesar de habitualmente não fornecer um contexto histórico.

Entre as siras, destaca-se a sira de Ibn Ishaq, Sirat Rasul Allah ( Life of God's Messenger, ou seja a vida do Mensageiro de Deus) escrita em 767 . O original perdeu-se, mas foi transcrito na sua maior parte por Ibn Hisham e Al-Tabari. Outras das mais antigas fontes são a história das campanhas militares de Maomé, por al-Waqidi (747-823) e os trabalhos do seu secretário Ibn Sa'd al-Baghdadi (784-845).

Os ahadith (singular hadith) são os relatos daquilo que o profeta disse, fez ou aprovava, e foram transmitidos através de uma cadeia oral. A sua escrita foi contemporânea a entrada do cristianismo nestoriano na península arábica.[6][7]

Os hádices foram compilados várias gerações após a morte do profeta,(séculos VIII e IX) por vários dos seus seguidores, como Muhammad al-Bukhari, Muslim ibn al-Hajjaj, Muhammad ibn Isa at-Tirmidhi, Abd ar-Rahman al-Nasai, Abu Dawood, Ibn Majah, Malik bin Anas, e al-Daraqutni. São classificados pelos religiosos muçulmanos e juristas pela sua fiabilidade, sendo que os mais considerados ("sahih" isto é, autênticos) são os de al-Bukhari e Muslim Ibn al-Hajjaj.

Vida

 
Maomé, nos braços da mãe, Amina, em miniatura turca, ambos com o rosto velado.

Maomé nasceu em Meca no dia 12 do mês de Rabi al-Awwal (terceiro mês do calendário árabe) no "ano do Elefante". Esse ano recebeu esta denominação porque nele se verificou o ataque de pelas tropas de Abraha (governador do sul da Arábia ao serviço do imperador da Etiópia) que estavam equipadas com elefantes. Na era cristã este ano corresponde a 570.

Maomé pertencia ao clã dos hachemitas, por sua vez integrado na tribo dos coraixitas (Quraysh, "tubarão"). Era filho de Abdalá e de Amina. Seu pai faleceu pouco tempo antes do seu nascimento, deixando à esposa como herança cinco camelos e uma escrava.

Entre as famílias de Meca existia na época a tradição de entregar temporariamente as crianças às famílias beduínas que viviam no deserto, uma vez que se considerava que o clima de Meca era pouco saudável; para além disso, acreditava-se que uma temporada de vida no deserto prepararia melhor a criança para a vida adulta. Em troca desta adopção temporária, os beduínos recebiam presentes dos habitantes de Meca. Apesar das limitações económicas, Amina entregou Maomé aos cuidados de uma ama-de-leite chamada Halíma (Haleemah).

Quando Maomé tinha seis anos de idade a sua mãe faleceu; passou a viver então com o seu avô paterno, Abd al-Mutalib, e com os filhos destes, entre os quais se encontravam Abbas e Hamza e que eram praticamente da mesma idade que Maomé, fruto de um casamento tardio do avô. Abd al-Mutalib ocupava em Meca o importante cargo de siqáya (serviço de distribuição pelos peregrinos da água sagrada do poço de Zamzam). Dois anos depois, o avô de Maomé faleceu e este foi viver com o seu tio Abu Talib, novo chefe do clã hachemita.

Meca era nesta altura uma cidade-estado no deserto, onde se encontrava um santuário conhecido por Caaba ("Cubo") administrado pelos coraixitas. A Caaba era venerada por todos os árabes, sendo alvo de uma peregrinação anual. Nela se encontrava a Pedra Negra e uma série de ídolos, representações de deusas e de deuses, dos quais se destacava o deus nabateu Hubal. Alguns habitantes de Meca distanciavam-se quer dos cultos pagãos, quer do monoteísmo dos judeus e dos cristãos, declarando-se hunafá, isto é, crentes no Deus único de Abraão, que acreditavam ter sido o fundador da Caaba. Apesar de a cidade não possuir recursos naturais, ela funcionava como um centro comercial e religioso, visitado por muitos comerciantes e peregrinos.

Durante a adolescência Maomé foi pastor e teria também acompanhado o seu tio em expedições comerciais à Síria. Segundo os relatos muçulmanos, quando Maomé, o seu tio e outros acompanhantes regressavam de uma destas viagens cruzaram-se perto de Bosra com um eremita cristão chamado Bahira que após ter examinado Maomé concluiu que este era o enviado que todos aguardavam. Bahira recomendou a Abu Talib que levasse o seu sobrinho para Meca e que velasse pelo bem-estar deste.

 
Gravura otomana retratando o momento da revelação pelo anjo Gabriel do Alcorão para o profeta Maomé.

Por volta de 595 Maomé conheceu Cadija, uma viúva rica de 40 anos de idade. O jovem (na altura com 25 anos de idade) impressionou Cadija pela sua honestidade nos negócios de tal forma que ela propôs o casamento. Este casamento representou uma mudança social para Maomé, já que segundo os costumes árabes da época os menores não herdavam, razão pela qual Muhammad nada tinha recebido da herança do pai e do avô. Muhammad permaneceu com Cadija até à morte desta em 619. Cadija teve seis filhos de Muhammad, quatro mulheres (Zainab, Ruqayyah, Umm Kulthum e Fátima) e dois homens (Al-Qasim e Abdullah, que faleceram durante a infância). Para Karl-Heinz Ohlig a génese do islamismo assenta na religião professada pela esposa ebionita, que tal como outras seitas árabes cristãs, os arianos e nestorianos divergiam do cristianismo na aceitação do dogma da trindade.

Habitualmente afirma-se que Maomé teria sido analfabeto;[8] contudo, é provável que alguém que desempenhou funções na área do comércio tenha possuído, autonomamente, conhecimentos essenciais de escrita.

O seu tio Zubair fundou a ordem de cavalaria conhecida como a Hilf al-fudul, que assistia os oprimidos, habitantes locais e visitantes estrangeiros. Maomé foi um membro entusiasta; ajudou na resolução de disputas, e tornou-se conhecido como Al-Ameen ("o confiável") devido à sua reputação sem mácula nestas intermediações. Como exemplo, quando a Kaaba sofreu danos após uma inundação, e todos líderes de Meca queriam receber a honra de resolver o problema, Maomé foi nomeado para solucionar a situação. Propôs que estendessem um lençol branco no chão, que colocassem a Pedra Negra (também conhecida como Hajar el Aswad) no meio e pediu aos líderes tribais que a transportassem ao seu devido local, segurando os cantos do lençol. Chegados ao devido local, o próprio Maomé tratou de a colocar na posição devida.

Vida familiar

Durante a sua vida e depois da morte de Cadija, Maomé viria a casar com um grande número de outras mulheres, de onze a quinze consoante as fontes [9] na sua maioria viúvas, excepto Aicha. Algumas destas mulheres eram viúvas de companheiros de Maomé, tinham uma idade avançada e o casamento com o profeta surgia como uma forma de garantir protecção e/ou estabilidade económica; outras eram viúvas da guerra com Meca, algumas sendo parte do saque, como Safiyah bint Huyayy, cujo marido tinha sido torturado e executado[10] [11] ; algumas ainda eram escolhidas também pela sua beleza, como Juway Riyah Bint Al-Harit, [12]que tinha sido feita prisoneira num ataque.Em outros casos os casamentos serviram para cimentar alianças políticas.

Embora os textos sagrados islâmicos determinem que cada muçulmano só possa desposar simultâneamente quatro esposas, no próprio Alcorão é aberta uma excepção para o profeta.[13]

Uma das esposas mais importantes de Maomé foi Aicha (em árabe عائشة), a sua segunda esposa, que tinha seis anos de idade na altura do noivado e segundo vários hádices, nove anos na altura de seu casamento com o profeta.[14]Conta-nos a própria Aicha que nessa altura levou consigo as suas bonecas.[15] Outras fontes afirmam que o casamento foi consumado por volta dos 13 ou 16 anos de Aicha.[16]

Morte e legado

Um ano antes da sua morte, Maomé dirigiu-se pela última vez aos seus seguidores naquilo que ficou conhecido como o sermão final do profeta. A sua morte em Junho de 632 em Medina, com a idade de 62 anos, deu origem a uma grande crise entre os seus seguidores. Na verdade, esta disputa acabaria por originar a divisão do islão nos ramos dos sunitas e xiitas. Os xiitas acreditam que o profeta designou Ali ibn Abu Talib como seu sucessor, num sermão público na sua última Hajj, num lugar chamado Ghadir Khom, enquanto que os sunitas discordam.

Revelação

 
Caverna do Monte Hira

Maomé tinha por hábito passar noites nas cavernas das montanhas próximas de Meca, praticando o jejum e a meditação. Sentia-se desiludido com a atmosfera materialista que dominava a sua cidade e insatisfeito com a forma como órfãos, pobres e viúvas eram excluídos da sociedade. A tradição muçulmana informa que no ano de 610, enquanto meditava numa caverna do Monte Hira, Maomé recebeu a visita do arcanjo Gabriel (Jibrīl), que o declarou como profeta de Deus. Desde este momento e até à sua morte, também recebeu outras revelações.

Ao receber estas mensagens, Maomé teria transpirado e entrado em estado de transe. A visão do arcanjo Gabriel o teria perturbado, mas sua mulher Cadija o reconfortou, assegurando que não se trataria de uma possessão de um génio. Para tentar compreender o sucedido, o casal consultou Waraqa bin Nawfal, um primo de Cadija que se acredita ter sido cristão. Com a ajuda deste, Maomé interpretou as mensagens como sendo uma experiência idêntica à vivida pelos profetas do judaísmo e cristianismo.

As primeiras pessoas a acreditar na missão profética de Maomé foram Cadija e outros familiares e amigos que se reuniam na casa de um homem chamado Al-Arqam. Por volta de 613, encorajado pelo seu círculo restrito de seguidores, Maomé começou a pregar em público. Ao proclamar a sua mensagem na cidade, ganhou seguidores, incluindo os filhos e irmãos do homem mais rico de Meca. A religião que ele pregou tornou-se conhecida como islão ("submissão à vontade de Deus").

De acordo com Watt, á medida que os seus seguidores cresciam, ele se tornava uma ameaça para as tribos locais e os líderes da cidade, cuja riqueza se apoiava na Caaba, o ponto focal da vida religiosa de Meca, que Maomé ameaçava derrubar. Isto era especialmente ofensivo para os Coraixitas, a sua própria tribo, que tinha a responsabilidade pelo cuidado da Caaba, que nesta altura hospedava centenas de ídolos que os árabes adoravam como deuses[17].

Rejeição

 
O Profeta orando na Caaba, numa gravura otomana do século XVI. Seu rosto está vendado, algo comum na arte islâmica da época.

Apesar da mensagem monoteísta de Maomé ter sido aceita por alguns habitantes de Meca, muitos rejeitaram-na. Os conceitos religiosos por ele apresentados, e em particular a ideia de um Julgamento Final, geravam incredulidade e zombaria junto dos mequenses. Pediam-lhe que fizesse um milagre capaz de comprovar as suas alegações ou então acusavam-no de estar possuído por um djiin (um espírito maligno). Para além disso, ele tornou-se muito impopular com os governantes, e seus seguidores foram alvos de ataques físicos repetidos, bem como de ataques às suas propriedades. De acordo com os relatos, alguns dos habitantes de Meca lançaram ataques vigorosos e brutais contra esta nova religião: forçaram pessoas a deitar-se sobre areia ardente, colocaram enormes pedras sobre seus peitos, derramaram ferro derretido sobre eles. Alguns teriam morrido. Esta perseguição não atingiu inicialmente o próprio Maomé, pelo simples motivo de que a sua família detinha muita influência. Assim, a perseguição dos convertidos exerceu-se preferencialmente sobre os escravos, não protegidos por uma tribo ou um patrono. Sumayyah bint Khayyat, uma escrava negra, é celebrada como a primeira mártir do Islão[18] . Estas circunstâncias tornaram-se intoleráveis e Maomé aconselhou alguns dos seus seguidores a irem para a Abissínia, por volta do ano 615.

Os mequenses quiseram obrigar Maomé a deixar a sua missão religiosa oferecendo-lhe poder político. À medida que os seus seguidores aumentaram, os seus oponentes tentaram demovê-lo a deixar ou alterar a sua religião. Ofereceram-lhe uma boa parte do comércio e o casamento com mulheres de algumas das famílias mais ricas, mas ele rejeitou todas estas ofertas.Nessa ocasião, a reação de Maomé foi recitar a Sura 41 do Alcorão, que afirma que todos os descrentes em Alá arderão no fogo do Inferno.[19]

Por esta altura, (ano 619) recebeu uma revelação que o fez reconhecer como divindades legítimas as pagãs de Meca - Allat, Manat e al-Uzza.Os mequenses acolheram bem esta mudança, mas logo após uma alegada visita do anjo Gabriel, Maomé voltou atrás, dizendo que a anterior revelação tinha sido obra de Satan - são os "versículos satânicos" - mencionados por Ibn Ishaq, biógrafo do profeta.[20]

 
Gravura persa do século XV, mostrando o profeta Maomé visitando o Inferno, vendo mulheres suspensas por ganchos pelas língua. Os seus crimes tinham sido "zombar" de seus maridos e deixar suas casas sem permissão.

De acordo com as tradições muçulmanas, ainda em Meca, enquanto Maomé descansava, o anjo Gabriel surgiu, seguido por Buraq, uma criatura mitológica alada, "maior do que um burro mas menor do que uma mula, de orelhas compridas" . Maomé montou Buraq, e na companhia de Gabriel, eles viajaram para a "mesquita mais distante" (provávelmente Jerusalém). Seguidamente, Buraq levou-o aos vários céus, para encontrar primeiro os profetas mais antigos - incluindo Jesus Cristo - e depois Alá, que instruiu Maomé a dizer a seus seguidores que eles deveriam oferecer orações cinco vezes ao dia. Malik, guardião do Inferno (Jahannam) mostrou-lhe os terríveis suplícios reservados aos pecadores após a morte. Buraq então transportou-o de regresso a Meca.[21][22]

Os habitantes de Meca acabaram por exigir que Abu Talib entregasse o seu sobrinho Maomé para execução. Uma vez que ele recusou, a oposição exerceu pressão comercial contra a tribo de Maomé e seus apoiantes. Houve também uma tentativa de assassinato. Após a morte do seu tio e de Cadija no ano de 619 (ano a que a tradição muçulmana se refere como o "Ano da Tristeza"), o próprio clã de Maomé retirou-lhe a proteção. Maomé mudou-se então para a cidade de At-Ta'if, onde não encontrou apoio por parte dos seus habitantes. Por esta razão ele regressou a Meca, onde sofreu abusos, foi apedrejado e atirado contra espinhos e lixo. Os seus inimigos preparavam-se para tentar novamente assassiná-lo.

A Hégira

Em 622, e em resultado do incremento da perseguição aos muçulmanos, estes começaram a deixar Meca em direcção a Yathrib, uma cidade a cerca de 350 km a norte de Meca, que mais tarde passaria a ser conhecida por Medina. Esta migração é conhecida como a Hégira, palavra por vezes traduzida como "fuga", embora o seu sentido preciso seja de "emigração", mas não num sentido geográfico, mas de separação em relação à família e ao clã. O calendário islâmico tem início no dia em que começou a Hégira, 16 de Julho de 622.

A migração de Meca para Medina não foi um acto impulsivo, mas o resultado de contactos prévios. No Verão de 621, doze homens de Medina visitaram Meca durante a peregrinação anual e declararam-se muçulmanos. Em Junho do ano seguinte uma delegação de setenta e cinco medineneses também se declara muçulmana em Meca e jura proteger Maomé de qualquer ataque. Os primeiros muçulmanos começaram a abandonar Meca em Julho de 622; na época a viagem duraria nove dias. Os muçulmanos partiram em pequenos grupos e como tal não se gerou desconfiança entre os mequenses.

Maomé partiu em Setembro, tendo conseguido escapar a um plano que visava matá-lo. O plano estabelecia que um homem pertencente a cada um dos clãs de Meca enfiaria a sua espada em Maomé; desta forma, a vingança (conceito enraizado entre as tribos árabes) seria difícil de concretizar. O plano fracassou uma vez que Maomé fugiu durante a noite, tendo deixado a dormir na sua cama Ali, vestido com o seu manto verde. Quando o grupo pretendia executar o plano deparou-se com Ali, que nada sofreu. Maomé chegaria a Medina a 24 de Setembro.

Medina era um oásis que tinha na agricultura a sua principal actividade económica. Nesta cidade viviam três tribos judaicas ,- Banu Qaynuqa, Banu Nadir, e Banu Qurayza - talvez aí chegadas depois da destruição do Segundo Templo pelos Romanos em 70 e duas tribos árabes pagãs, os Khazradj e os Aws. Os habitantes de Medina esperavam que Maomé os unisse e evitasse incidentes tais como a guerra civil de 618, na qual muitas vidas se tinham perdido.

Os anos em Medina

Cronologia
Datas e locais importantes na vida de Maomé
c. 569 Morte do pai, `Abdallah
c. 570 Possível data de nascimento, 20 de Abril: Meca
570 Fracasso do ataque abissínio sobre Meca
576 Morte da mãe
578 Morte do avô
c. 583 Viagens à Síria
c. 595 Conhece e casa com Cadija
610 Início da revelação do Alcorão: Meca
c. 610 Apresenta-se como profeta: Meca
c. 613 Começa a pregar publicamente a sua mensagem: Meca
c. 614 Começa a reunir seguidores: Meca
c. 615 Emigração de muçulmanos para a Abissínia
616 O clã Banu Hashim inicia boicote económico
c. 618 Guerra civil medinense: Medina
619 Termina o boicote dos Banu Hashim
c. 620 Isra e Miraj
622 Emigra para Medina (Hijra)
624 Batalha de Badr Muçulmanos derrotam Meca
625 Batalha de Uhud
c. 625 Expulsão da tribo Banu Nadir
626 Ataque a Dumat al-Jandal: Síria
628 Batalha da Trincheira
627 Destruição da tribo Banu Qurayza
c. 627 Subjuga a tribo Bani Kalb: Dumat al-Jandal
628 Tratado de Hudaybiyya
c. 628 Conquista acesso ao santuário da Kaaba
628 Conquista do oásis de Khaybar
629 Primeira peregrinação
629 Ataque fracassado ao Império Bizantino: Mu'ta
630 Entra em Meca que conquista pacificamente
c. 630 Batalha de Hunayn
c. 630 Cerco de al-Ta'if
630 Estabelece uma teocracia: Meca
c. 631 Domínio sobre quase toda a Arábia
c. 632 Ataca o Império Gaznévida: Tabuk
632 Peregrinação de despedida
632 Morte (8 de Junho): Medina

A deslocação para Medina colocou grandes dificuldades financeiras para o grupo de seguidores de Maomé. Os vindos de Meca ("muhajirun") tiveram de ser apoiados pelos muçulmanos de Medina ("ansari", ou seja, ajudantes ou auxiliadores)[23]

Um documento conhecido como a Constituição de Medina revela como se estabeleceu uma confederação entre os seguidores de Maomé de Meca e os habitantes de Medina (Umma). O preâmbulo do documento refere-se a ele como "profeta" e estabelece que as disputas devem ser submetidas à mediação deste e de Alá, mas não lhe outorgou qualquer tipo de autoridade especial. Contudo, nos últimos anos da sua vida Maomé tornou-se soberano da cidade em resultado do prestígio e riqueza concedidos pelas campanhas militares.

Bernard Lewis afirma que a chamada constituição de Medina não era realmente um tratado no sentido moderno da palavra, mas sim uma proclamação unilateral de Maomé.[24] Nela se encontra já delineada a separação nítida entre os crentes e os não crentes.[25] Arent Jan Wensinck é de opinião que "não se tratava de um tratado,(...) mas de um édito, definindo a relação entre as três partes; acima de todos estava Alá, isto é, Maomé" [26]. Também Julius Wellhausen diz duvidar que de facto houvesse um acordo escrito do qual ambas as partes tivessem uma cópia. Aponta o facto de que os judeus nunca mencionaram o documento; mais tarde, os Banu Qurayza alegaram que não havia acordo entre eles e Maomé.[27]

Após alguns meses em Medina, Maomé começou a atacar as caravanas de Meca que negociavam com a Síria, tendo ele próprio participado de três ataques, que a princípio resultaram em fracassos; mas finalmente teve sucesso quando atacou uma caravana durante o mês sagrado (o raide de Nakhla) - altura em que, segundo os costumes da época, era proibido o derramamento de sangue. Maomé tomou um quinto do saque, após ter recebido uma revelação de Alá que justificava a guerra mesmo nos meses sagrados, visto ser um mal menor do que a hostilidade contra o Islão (Alcorão, 2ː217)

Guerras

Em Março de 624, Maomé preparou um ataque a uma caravana de Meca que regressava da Síria. A caravana, liderada por Abu Sufyan (líder do clã omíada), conseguiu enganar os muçulmanos. Contudo, Abu al-Ḥakam , ("Pai da Sabedoria") a quem Maomé chamava Abu Jahl ("Pai da Ignorância"), de Meca (líder do clã Makhzum) que se tinha previamente oposto a Maomé e organizado um boicote contra o clã hachemita, pretendia ensinar-lhe uma lição.

A 15 de Março de 624, próximo de um lugar chamado Badr, as duas forças colidem. Apesar de serem apenas 300 mal equipados contra 800 mequenses melhores equipados na batalha, os muçulmanos, com maior disciplina e saber militar, tiveram sucesso, matando pelo menos 45 naturais de Meca, incluindo Abu al-Ḥakam, e tomando 70 prisioneiros, com apenas 14 baixas muçulmanas. O Alcorão, pela voz de Alá, esclarece que ajudou os fiéis na batalha, enviando milhares de anjos.[28] Para os muçulmanos a vitória foi encarada como uma confirmação da missão profética de Maomé. Muitos habitantes de Medina converteram-se ao Islão e Maomé tornou-se o governador de facto da cidade.

Várias importantes alianças pelo casamento ocorreram nesta altura. Das filhas de Maomé, Fátima casou com Ali (seria mais tarde o quarto califa) e Umm Kulthum casou com Otman (o terceiro califa entre 644 e 656). O próprio Maomé, já casado com Sawda bint Zamʿa e com Aisha, filha de Abu Bakr (o primeiro califa) casou então com Hafsah, a filha de Omar (o segundo califa), cujo marido tinha falecido na Batalha de Badr.

Após o raide de Nakhla, mas principalmente após o êxito da batalha de Badr, começaram a ser eliminadas as vozes dissidentes em Medina. Asma bint Marwan que tinha composto poemas contra o profeta, foi morta por um seguidor de Maomé enquanto amamentava uma criança [29]. Abu Afak, um poeta judeu, conhecido opositor de Maomé, foi também assassinado[30].Ka'b ibn al-Ashraf, um dos lideres judaicos de Medina, um poeta, morreu por ordem do Profeta após a batalha de Badr[31].Vários outros sofreram sorte semelhante. Nas palavras transmitidas por Ibn Ishaq: "o nosso ataque contra o inimigo de Alá espalhou o terror entre os judeus, e não havia judeu em Medina que não temesse pela sua vida" [32].

As relações com os judeus de Medina continuaram a se degradar. Para estes era impossível aceitar a mensagem religiosa de um homem que colocava Moisés, João Baptista e Jesus no mesmo grau de consideração religiosa. Por volta desta altura, Maomé mudou a direcção da Qibla de Jerusalém para Meca.

Em 624 , sob acusações de quebra do chamado tratado de Medina, Maomé cerca a tribo judaica dos Banu Qaynuqa. Após duas semanas de cerco, rendem-se sem condições. Maomé tencionava executar todos os homens, só não o fazendo após os pedidos de clemência de Abdullah bin Ubayy; assim , exilou-os de Medina e confiscou as suas propriedades.

A 21 de Março de 625, Abu Sufyan, em busca de vingança, acercou-se de Medina com 3 000 homens. Na manhã de 23 de Março começou a luta nos montes Uhud. Quando a batalha parecia prestes a ser decidida a favor dos muçulmanos, , um grave erro foi cometido por uma parte do seu exército , que alterou o resultado da batalha. Segundo os relatos e o Corão, onde a batalha é citada, os arqueiros deixaram os seus postos designados, precipitando-se para despojar o campo de Meca, o que permitiu um ataque de surpresa da cavalaria mequense. Cerca de 70 muçulmanos perderam a vida e o próprio Maomé foi bastante ferido. Após a batalha, o exército adversário retirou-se de volta para Meca, declarando vitória.

Nos dois anos seguintes, ambos os lados prepararam-se para o encontro decisivo.

Em Julho de 625,conforme Ibn Ishaq, teria havido traição dos Banu Nadir, que tentam matar Maomé atingindo-o com uma grande pedra. Maomé cerca-os durante duas semanas até á rendição. Finalmente, a tribo é forçada ao exílio para Khaybar, levando apenas consigo o que conseguisse carregar nos seus camelos, excepto as armas. O episódio é citado no Alcorão - numa revelação, Alá disse ao profeta que fora o terror divino a derrotar os Banu Nadir, que estavam destinados ao Inferno: "supunham que as suas fortalezas os preservariam de Alá; porém, Alá os açoitou, por onde menos esperavam, e infundiu o terror em seus corações; destruíram as suas casas com suas próprias mãos, e com as mãos dos fiéis" (Alcorão, 59:2-3).

Em Abril de 627, Abu Sufyan liderou uma grande confederação de 10 000 homens contra Medina. Maomé ordenou que fosse cavada uma trincheira à volta de Medina, por sugestão do escriba persa Salman e-Farsi. O exército não conseguiu entrar na cidade. Por sua vez, os agentes de Maomé enviados do junto do exército conseguiram provocar algumas deserções. Depois de uma noite marcada pelo vento e chuva, o exército de Sufyan acabou por se desagregar.

Após a retirada de Abu Sufyan e suas forças, os muçulmanos dirigiram a sua atenção para os grupos que teriam cometido traição ao acordo de Medina. Os munafiqun (isto é, os hipócritas) desmoronaram-se rapidamente, e seu líder Abdullah ibn Ubayy prometeu aliança com Maomé. Conta Aixa: "Quando o apóstolo de Alá voltou, no dia da batalha de Al-Khandaq (ou seja, batalha da Trincheira), ele poisou as armas e tomou um banho. Então Gabriel , com a cabeça coberta de pó, apareceu-lhe dizendo: "Poisaste as armas! Por Alá, eu não poisei as minhas armas ainda." O Apóstolo disse, "onde vamos agora?" Gabriel disse: "Por este caminho", apontando a tribo de Banu Qurayza. Assim, o apóstolo foi ter com eles"[33] .Os muçulmanos cercaram então os Banu Qurayza, que teriam conspirado contra eles. Após um cerco de 25 dias, a tribo rendeu-se; quando os seus antigos aliados da tribo Aws tentaram interceder por eles, Maomé perguntou-lhes se aceitariam que fosse um da sua própria tribo a julgá-los. Eles aceitaram: Maomé escolheu então Saad ibn Muadh. [34]

Saad tinha sofrido uma ferida letal na batalha contra as forças de Abu Sufyan (morreria poucos dias mais tarde) e ordenou que todos os homens adultos, um número entre 500 e 900 consoante as fontes, fossem executados, as suas propriedades divididas entre os fiéis, e as mulheres e crianças reduzidas à escravidão, como era tradição do tempo. Maomé aprovou a sentença considerando-a conforme a vontade de Alá. Uma vala comum foi aberta no mercado de Medina, onde os judeus, trazidos em grupos, foram decapitados até à noite . As mulheres e crianças foram vendidas como escravas em troca de cavalos e armas, excepto algumas que foram distribuídas pelos fiéis. O póprio profeta tomou para si Rayhana bint Zayd , a quem propôs casamento, mas que preferiu o papel de concubina. [35]

Mais tarde, comentadores argumentaram que o punimento de Banu Qurayza era conforme aos ditames da Bíblia hebreia sobre a guerra; no entanto, as fontes originais da sirah não mencionam isto.

Conquista de Meca

Por volta de 627 Maomé tinha unido Medina sob o Islão, com o desaparecimento dos seus inimigos internos. Os beduínos, após um período de batalhas e negociações, tornaram-se aliados de Maomé e aceitaram a sua religião. Depois de muito contacto com a cidade e com os muçulmanos, alguns converteram-se gradualmente. Por esta altura, as revelações que supostamente tinham visitado Maomé, chegaram ao fim. Ele regressou então a Meca para tomar posse da Caaba.

Maomé colocou os cidadãos de Meca sobre pressão económica, destinada primeiramente a ganhar a adesão deles ao Islão. Em Março de 628, ele partiu para a "peregrinação" a Meca, com 1600 militares que o acompanhavam. Os naturais de Meca no entanto, puseram travo ao avanço destas forças nos limites do seu território, em Al-Hudaybiyah. Alguns dias depois, os de Meca fizeram um tratado com Maomé. Com negociação e o consentimento dos mais velhos Coraixitas, ele fez uma peregrinação à Kaaba, desarmado. As hostilidades iriam ter um fim e os muçulmanos iriam conseguir a permissão para fazer a peregrinação a Meca no próximo ano. O casamento de Maomé com Habiba, filha de seu antigo inimigo Abu Sufyan, cimentou ainda mais o tratado.

Após um certo período, o acordo extinguiu-se e a guerra rebentou. Em Novembro de 629, aliados de Meca atacaram um aliado de Maomé, o que levou Maomé a romper o tratado de Al-Hudaybiyah. Após planeamento secreto, Maomé marchou sobre Meca em Janeiro de 630 com 10.000 combatentes. Não houve derramamento de sangue. Abu Sufyan e outros líderes de Meca submeteram-se formalmente. Maomé prometeu uma anistia geral (com algumas pessoas especificamente excluídas). Apesar de ele não os ter forçado, muitos habitantes de Meca converteram-se ao islão. Em Meca, Maomé destruiu os ídolos na Kaaba e em outros pequenos santuários.

Unificação da Arábia

 Ver artigo principal: Umma

Após a Hégira, Maomé começou a estabelecer alianças com tribos nómadas. À medida que a sua força e influência cresceu, insistiu que as tribos potencialmente aliadas se tornassem muçulmanas.

Quando estava em Meca, Maomé foi informado de que havia uma grande concentração de tribos hostis e ele partiu para as defrontar. A batalha teve lugar em Hunain, e os inimigos foram derrotados. Alguns viram agora Maomé como o homem mais poderoso da Arábia e a maioria das tribos enviou delegações para Medina, em busca de uma aliança. Antes da sua morte, rebeliões ocorreram em uma ou duas partes da Arábia mas o estado islâmico tinha força suficiente para lidar com elas.

Veneração de Maomé

 
Gravura Otomana, retratando o momento da morte de Maomé (1596)

Usualmente, quando um muçulmano se refere a Maomé, Jesus ou outro dos profetas, imediatamente após o nome diz ou escreve "que a paz e bênção de Alá estejam sobre ele" ou expressão equivalente em outra língua (frequentemente árabe), ou ainda usa a sigla dessa expressão. Em inglês, por exemplo, é aceitável usar "pbuh" ou "peace be upon him". A sigla tradicional em árabe é "swas".

Maomé é considerado pela comunidade muçulmana como um modelo a seguir. A devoção à sua pessoa tem sido expressa ao longo dos séculos das mais variadas formas, como por exemplo através da escrita de poemas. Um dos poemas mais famosos, a "Burda" (ou "Poema do Manto") foi composto no século XIII por Al-Busiri. Embora não exista registro de milagres feitos por Maomé, alguns relatos populares atribuem-lhe essa capacidade.

Em vários locais do mundo muçulmano existem santuários dedicados a um pêlo da sua barba. No Palácio Topkapı, em Istambul, um relicário guarda aquilo que se acredita ter sido o seu manto, as suas espadas, bem como uma pegada que ficou registada numa superfície enlameada e alguns pêlos da sua barba.

A maioria dos muçulmanos celebra o nascimento de Maomé (Mawlid), embora o movimento religioso ultraconservador Wahhabismo e algumas outras menores ramificações consideram que essa celebração é incorrecta por se tratar de uma inovação religiosa proibida pelo Islão.[36] Estes muçulmanos são igualmente contra a veneração destas relíquias, por considerarem tratar-se de idolatria.[36]

Representações de Maomé

 Ver artigo principal: Representações de Maomé

As representações visuais do profeta podem eventualmente ser proibidas[37] e consideradas insultuosas. Geralmente os xiitas e os sufis aceitam mais a ideia da representação, que em geral o Islão rejeita, por ser, à semelhança do judaísmo e do cristianismo primitivo, uma religião da palavra e não da imagem.[carece de fontes?]

Recentemente, charges de Maomé criticando o terrorismo que foram publicadas na Europa causaram muita polêmica, grande furor do mundo islâmico e protestos em todo o mundo. Como vingança, o jornal iraniano Hamshahri[38] fez uma competição internacional de charges sobre o Holocausto.

Referências

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  2. «Sura Al-Qalam 68.4 ː Que tu (ó Mensageiro) não és, pela graça do teu Senhor, um energúmeno! Em verdade, ser-te-á reservada uma infalível recompensa. Porque és de nobilíssimo caráter.». Tanzil.net. Data não inscrita. Consultado em 15 de Março de 2017  Verifique data em: |data= (ajuda)
  3. Khan, Muqtedar (30 de dezembro de 2009), «Muhammad's promise to Christians», Washington Post, consultado em 1 dezembro de 2012 
  4. The Jewish Encyclopedia. [S.l.]: KTAV Publishing House, Inc. 1960. pp. 645 Vol.8 
  5. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, Moderno Dicionário da Língua Portuguesa (Michaëlis), Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras, Dicionário Universal da Língua Portuguesa (Priberam), Dicionário de Questões Vernáculas de Napoleão Mendes de Almeida, os manuais de redação dos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, entre outros.
  6. NESTORIANS
  7. Christians in Asia before 1500
  8. Para justificar este analfabetismo recorre-se, entre outras passagens do Alcorão, ao capítulo 7, versículos 157-158, onde se lê que Maomé era um "profeta iletrado", em árabe al-nabbi-al-ummi; alguns autores interpretam al-nabbi-al-ummi não como profeta iletrado, mas como profeta dos iletrados, ou seja, de um povo que ao contrário dos judeus e dos cristãos não tinha recebido uma escritura revelada.
  9. «Sahih Bukhari / Volume-1 / Book-5 / Hadith-268 ː The Prophet used to visit all his wives in a round, during the day and night and they were eleven in number .». QuranX.com 
  10. «Sahih Bukhari / Volume-2 / Book-14 / Hadith-68». QuranX.com. Consultado em 4 de Março de 2017 
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  12. Guillaume, Alfred. The Life of Muhammad: A Translation of Ibn Ishaq's Sirat Rasul Allah. [S.l.: s.n.] pp. 490–493 
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  14. «Sahih Bukhari / Volume-7 / Book-62 / Hadith-64 Narrated `Aisha: that the Prophet married her when she was six years old and he consummated his marriage when she was nine years old, and then she remained with him for nine years (i.e., till his death). (Conta Aishaː que o profeta casou comn ela aos 6 anos de idade, e consumou o casamento quando ela tinha 9 anos, e ela ficou com ele por nove anos (isto é, até à sua morte)». QuranX.com 
  15. «Sahih Muslim Livro 008, Hadith 3311.». Hadith Collection. Consultado em 5 de Abril de 2017 
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  23. Margoliouth, D.S. (1905). Mohammed and the Rise of Islam. [S.l.]: The Knickerbocher Press, Nova Iorque. pp. 234 a 236 
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  35. Ishaq, Ibn (1998). The life of Muhammad. Pakistan (13.a ed.): Oxford University Press. pp. 464/5/6 
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  37. Artigo em inglês: Islam Declares Depictions of Prophets a Sin
  38. BBC: Jornal do Irã vai satirizar Holocausto em charges

Bibliografia

Ligações externas